Os defensores do Governo, os do costume, andam muito escandalizados porque uma conversa privada, num restaurante, foi ouvida por ouvidos alheios e chegou até Mário Crespo.
É muito curioso que essas Virgens ofendidas não tenham tido a mesma preocupação quando, em 2007, o professor Fernando Charrua foi suspenso e processado na base de uma conversa privada, em local público, na qual ele alegadamente chamara filho da puta ao primeiro-ministro.
Pois é, as coisas são sempre vistas pelo prisma que mais interessa. É como as conversas privadas. Podem ser ouvidas, mas depende sempre do que é dito e dos interlocutores envolvidos. É que uns têm mais direito a privacidade do que outros.
De Fernando Charrua a Mário Crespo
Telejornal
O gerente do café explica o funcionamento do mesmo aos clientes. O primeiro-ministro
diz que ganhou a batalha da governabilidade. O governo mantém o aeroporto e a alta velocidade. O ministro das Obras Públicas discursa. o “pivot” do Telejornal é sério e usa gravata. O primeiro-ministro garante que o aumento do défice não foi descontrolo. O país janta e vê o Telejornal. O presidente da Junta anda descontrolado e bate uma punheta. O gerente do café continua a explicar o funcionamento do mesmo. O Orçamento é bom para o país. O ministro das Finanças admite que se engana. A deputada do CDS é boa…para o país. O défice dispara. As agências de rating controlam. O Bloco de Esquerda é bom para o país. Os deputados do Bloco de Esquerda são sérios mas não usam gravata. O gerente do café gosta de Coca-Cola. O governo já aguentou 100 dias. As garrafas estão expostas. O gerente arrota teses de doutoramento acerca do funcionamento do café. O primeiro-ministro é sério e usa gravata. Além disso, nunca se enerva. O primeiro-ministro é bom…para o país. O Presidente da República é sério e usa gravata. O líder do CDS também. O primeiro-ministro dá dinheiro aos bebés. O primeiro-ministro quer casar com a Carochinha. O primeiro-ministro e todos os ministros são bons…para o país. O gerente analisa agora a problemática da cerveja. O Presidente da República é sério e não bebe cerveja. O PPM quer referendar a monarquia. O PPM é sério e usa gravata. A autarca corrupta não vai a julgamento. O Obama continua a pregar. O gerente do café também. Todos os homens do poder são sérios e usam gravata. O Presidente da República é sério, honesto e usa gravata. Uma bombista suícida detonou explosivos em cima dos peregrinos. O México continua cheio de pistoleiros. O Presidente da República é sério, honesto, usa gravata e quer a estabilidade do país. O Leixões defronta o Marítimo. O gerente do café já resolveu todos os problemas da Humanidade. A brasileira alapa o cu ao balcão. O poeta escreve o que vê, o que ouve e o que lhe vem à cabeça. O Presidente da República é sério, honesto, usa gravata, quer a estabilidade do país e não apanha bebedeiras. O primeiro-ministro é bom…para o país e também não apanha bebedeiras. O ministro das Finanças é sério, honesto e usa gravata. Todos os homens públicos são bons…por natureza. A televisão promove os “Ídolos”. Os “Ídolos” são sérios, honestos, querem a estabilidade do país mas não usam gravata. O presidente da Câmara é bom…para a cidade. O TGV mantém-se, apesar do aumento da dívida pública. A sabedoria do gerente do café faz o meu cérebro dar voltas. O poeta é bom…mas também é mau, não quer a estabilidade do país, apanha bebedeiras e não usa gravata. O Pesidente da República é sério, honesto, usa gravata, quer a estabilidade do país, não apanha bebedeiras e só percebe de finanças. O ministro das Finanças é bom…para o país. O Presidente da República, o primeiro-ministro, o ministro das Finanças, todos os ministros, a oposição, o Orçamento, o presidente da Câmara, o presidente da Junta, o “pivot” do telejornal, o Leixões, os “Ídolos”, os pistoleiros mexicanos, a bombista suícida, os empresários dos carrosséis, o CDS, o PPM, o Bloco de Esquerda e o gerente do café são bons…para o país. A Beyoncé mostra as mamas. A Beyoncé é boa…para o país.
ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO, Candidato à Presidência da República
Sócrates e as Presidenciais de 2016
José Sócrates assume que nunca quis diálogo com a Oposição nos últimos 4 anos e que nunca se esforçou minimamente para obtê-lo. Porque não precisava. «A situação política mudou e o meu dever é dialogar com todos os partidos».
O tempo de duração deste Governo vai depender em grande parte da estratégia do próprio primeiro-ministro. Hábil nestas coisas, usará a arma da vitimização para evitar ser derrubado ou, ao invés, forçará a queda para haver novas eleições e reconquistar a maioria absoluta perdida.
Resta saber qual será o «timing» da preferência de Sócrates, visto que a Assembleia só pode ser dissolvida entre Março e Setembro de 2010 e, depois disso, só a partir de Março de 2011. Ora, não se espera que um Presidente da República, como primeira medida de um mandato, dissolva a Assembleia. E sendo assim, estaremos a menos de dois anos do fim da Legislatura. E haver eleições nessa altura significaria que novo mandato de Sócrates com maioria levá-lo-ia como primeiro-ministro até finais de 2015.
O problema, e já o disse aqui, é que o horizonte temporal de José Sócrates é as Presidenciais de 2016.
Mas para concorrer, não pode ser primeiro-ministro até finais de 2015, caso contrário arrisca-se a perder. Assim, ou termina o mandato em 2013 e agurda dois anos até anunciar a sua candidatura à Presidência da República, dedicando-se entretanto «à família e aos livros»; ou força a dissolução da Assembleia já entre Setembro e Março de 2010 para conseguir depois nova maioria absouta e poder governar até 2014. Dedicar-se-á então apenas um ano à família e aos livros (chega-lhe muito bem, porque as citações já ele as decorou todas) antes de anunciar, em nome do interesse nacional, a candidatura à Assembleia da República.






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