Presidenciais: Cavaco passa à segunda volta

Três glosas sobre a expressão “segunda volta”

Glosa primeira: Cavaco ao ataque

Em termos futebolísticos, a segunda volta é a segunda parte do campeonato, a parte em que tudo é, ainda, matematicamente possível, mesmo quando já se sabe, no fundo, qual será o clube vencedor, porque o possível é, tantas vezes, improvável. Cavaco passou, então, à segunda parte do campeonato e já prometeu mudanças tácticas e estratégicas: se, na primeira volta, jogou à defesa, com dois trincos e três centrais numa magistratura de influência, a partir de agora, vai prescindir de um central e de um trinco e passará a jogar com três pontas de lança, num exercício de maior intervenção. Cavaco acredita, portanto, que é possível recuperar a desvantagem que tem no fim da primeira volta e não duvido de que o seu habitual calculismo lhe traga frutos: mantendo-se aliado aos mais poderosos, garantirá a vitória no campeonato, ao mesmo tempo que continuará a contribuir para a já esperada despromoção dos mais pequenos.

Glosa segunda: Cavaco e sua bola de cristal, Maya e seus implantes

Os sinais da passagem de Cavaco à segunda volta são já visíveis, como se pode notar pela subida da prestação da casa. Cavaco considera-se o resultado do casamento entre o melhor presidente de sempre e um dos maiores economistas do mundo e já tinha avisado que isto poderia acontecer. A sua capacidade de adivinhar o futuro já levou Maya a perceber que o melhor é dedicar-se aos implantes mamários e às reconstruções dos glúteos. Efectivamente, com uma pitonisa em Belém, os astrólogos correm o risco do desemprego.

Glosa terceira: Cavaco e abstenção na segunda volta

Cavaco vai disputar a segunda volta com a abstenção, a candidatura que obteve mais do dobro dos votos alcançados pelo ainda Presidente da República. O mandatário da abstenção, no entanto, já veio prometer a desistência a favor do outro candidato, tendo declarado: “A actuação do professor Cavaco Silva durante o seu primeiro mandato caracterizou-se, exactamente pela abstenção, pelo que consideramos que é ele que representa, verdadeiramente, o espírito da nossa candidatura.” E acrescentou: “Se dependesse de nós, nem tinha havido segunda volta.”

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