Voto, anonimato e cidadania.

Rui Tavares saca dos seus dotes de contador de estórias para nos sensibilizar sobre a luta antifascista e o quanto sabe bem votar. O acto, em si, chega a soar uma liturgia, debaixo da caneta de RT. E ontem, durante o telejornal da SIC, Miguel Sousa Tavares afirmou veementemente que não tem respeito nenhum pelos abstencionistas crónicos. Ora, eu acho que estamos aqui a esquecer uma coisa muito importante: a democracia não se faz com a desresponsabilização pelo voto. Poder escolher os órgãos por votação é fundamental e tal acto caracteriza as sociedades livres. Mas poder escolher não votar, também. Poder escolher riscar o boletim, ou entregá-lo em branco, a mesma coisa. Porém, o mais importante do conceito de cidadania não é ir de vez em quando às urnas, rezar uma oração durante o acto e depois voltar para casa e esperar que os políticos de carreira como o Rui Tavares falem por nós, façam por nós, exijam por nós – até porque, como estamos fartos de saber, os partidos têm estado à frente dos cidadãos. Eu não votei nesta eleições. Não o fiz porque fui passear, ou porque uma obrigação social ou profissional mo não permitiu. Fi-lo conscientemente por uma questão ideológica e de protesto. Mas o resto do ano não fico calado, nem no sofá à espera que a democracia funcione, como uma máquina onde se coloca uma moeda (sendo a moeda o meu voto). Exerço o meu papel de cidadão. Exijo, reclamo, pergunto, intervenho. O mal da democracia não é quando os cidadãos no dia das eleições, não vão votar e preferem ir ao futebol, ou ao centro comercial. É quando durante toda a sua vida não se interessam pela política, não fazem política ou a abominam. Afinal de contas, em democracia, quanto a mim, o que conta não são actos praticados anonimamente, mas aqueles em que mostramos a cara e nos batemos por eles. Digo eu… mas comparado com os grande politógos e políticos da praça, pouco ou nada sei…

Cavacógrafo substitui detector de mentiras

«A vitória de hoje é também a vitória da verdade sobre a calúnia. A honra venceu a infâmia e a qualidade da democracia ganhou com esta vitória da dignidade»

Cavaco Silva

 

 Cavaco Silva, considerado em alguns círculos o Edison português, já registou a patente de um sistema que irá substituir o polígrafo, vulgo detector de mentiras. Doravante, bastará que 25% dos eleitores portugueses votem em qualquer pessoa seja para que cargo for e ficará, assim, estabelecido que a pessoa em causa não mentiu. Trata-se de uma inovação tecnológica que, apesar do preço elevado e da complexidade que lhe é inerente, é considerada infalível pelo também chamado Professor Pardal de Boliqueime. Entretanto, o ilustre cientista irá aproveitar o segundo mandato presidencial para desenvolver uma nova técnica de inseminação artificial que poderá permitir aos portugueses nascer duas vezes.

As presidenciais: todos os vencedores.

Pieter Bruegel, o Velho, Parábola dos Cegos (ou "Portugal")

Moral da história: na República Portuguesa “todos” ganham; ganha Cavaco Silva (mesmo com a pior votação de sempre, votação essa que não interessa minimamente para o que vai fazer nos próximos anos); Alegre ganha (talvez) juízo, e uma reforma dourada que utilizará para escrever éclogas contra o fascismo; Fernando Nobre ganha tenho para pensar na sua falta de carisma e sensatez; o Partido Comunista nunca perdeu e ganha mais confiança para as próximas eleições; José Manuel Coelho ganhou, efectivamente, na Madeira podendo vir a substituir na cadeira de poder do ilhéu o coronel Jardim. Ganharam meia dúzia de velhinhas info-excluídas a lição de atempadamente pedirem aos filhos e aos netos que preparem a ida à urnas, que já não estamos em 1933 e já é a quarta vez que se realizam eleições existindo o Cartão do Cidadão. Ganham os que perderam tempo a ir escrever tolices nos boletins, ou a deixá-los em branco para o Cavaco ganhar na mesma, como se sabia, desde que ele anunciou a candidatura. E, apesar de o senhor Professor Doutor de Boliqueime, o senhor mais honesto de Portugal, filho de um gasolineiro e único sustento de uma família com 4 reformas (a menor delas abaixo dos 800 euros) ter obtido a pior votação de uma eleição presidencial, ganhou mais 5 anos de silencio intercalado com momentos espasmódicos de regabofe. Ganharam os  monárquicos a ilusão de uma abstenção fenomenal que julgam traduzida num súbito desejo de uma Restauração e, pelo mesmo motivo, ganharam aqueles velhos anarcas de boina preta que acham que o “povo” está a preparar uma revolução em silêncio. Ganhou a maçonaria que apoiou Alegre, mas também Nobre sob o jugo despótico de Soares e ganhou Soares que por pouco não tinha uma apoplexia, depois de rir desalmadamente com a votação dada a Alegre (mas, afinal, alguém do Partido Socialista votou nele?). Ganhou José Sócrates que desterrou Alegre da política, continua com um emplastro na chefia de Estado e prossegue à vontade com mais 5 anos de desgoverno. Ganhou a Igreja que, depois da aclamação na varanda, ungiu o reeleito presidente, pedindo-lhe que continue a opinar sobre as causas fracturantes como representante de 25 % do eleitorado católico. Em suma, ganhou a república portuguesa e os seus homens que sempre disseram que o estado é para os republicanos (mesmo que fingidos). Talvez não tenha ganho uma minoria de 9 a 10 milhões de portugueses, mas isso não interessa. Há 100 anos que esta minoria é irrelevante.

Presidenciais: Cavaco passa à segunda volta

Três glosas sobre a expressão “segunda volta”

Glosa primeira: Cavaco ao ataque

Em termos futebolísticos, a segunda volta é a segunda parte do campeonato, a parte em que tudo é, ainda, matematicamente possível, mesmo quando já se sabe, no fundo, qual será o clube vencedor, porque o possível é, tantas vezes, improvável. Cavaco passou, então, à segunda parte do campeonato e já prometeu mudanças tácticas e estratégicas: se, na primeira volta, jogou à defesa, com dois trincos e três centrais numa magistratura de influência, a partir de agora, vai prescindir de um central e de um trinco e passará a jogar com três pontas de lança, num exercício de maior intervenção. Cavaco acredita, portanto, que é possível recuperar a desvantagem que tem no fim da primeira volta e não duvido de que o seu habitual calculismo lhe traga frutos: mantendo-se aliado aos mais poderosos, garantirá a vitória no campeonato, ao mesmo tempo que continuará a contribuir para a já esperada despromoção dos mais pequenos. [Read more…]

Presidenciais: Cavaco ainda não nasceu

Já há muito tempo que sei em quem não vou votar, a partir do momento em que Cavaco Silva concorra a umas eleições. É certo que o facto de ser um homem de direita já é suficiente para que me recuse a votar nele, mas há homens em quem nunca votei ou votarei e que, de alguma maneira, me merecem consideração. Lembro-me da inteligência de Lucas Pires, respeito a erudição de Vasco Graça Moura, aprendi muito com O Independente de Paulo Portas, aprecio a combatividade de Nuno Melo. Cavaco nunca me despertou nada de positivo. Para além dos vários defeitos que partilha com os restantes membros da classe política, é um poço de vacuidades e truísmos. Só uma partidarite extrema ou a defesa de interesses pessoais poderá ter levado homens inteligentes e cultos, como Pacheco Pereira, a defendê-lo. [Read more…]

Presidenciais: Cavaco é um fantasista, Nobre oferece a cabeça às balas

Diante do título da edição impressa do JN (“Fantasia convenceu Cavaco a permutar vivendas“), há perguntas que é necessário fazer. Em primeiro lugar, será que Portugal pode correr o risco de ter como Presidente da República um homem que se deixa convencer por uma entidade tão etérea? O que mais poderá Cavaco Silva fazer por fantasia? Terá sido assim que se convenceu que tem coisas inteligentes para dizer?

Entretanto, Fernando Nobre teve o seu momento Ramalho Eanes, com a vantagem de não correr verdadeiramente o risco de ser baleado: afirmou que a única maneira de não ir para Belém é levar um tiro na cabeça. Se for atingido num braço ou numa perna, por exemplo, não irá para onde, então? Perguntas, sempre tantas perguntas.

Mais um dilema: entre um candidato que se deixa levar por fantasias e outro que só será derrotado por um tiro, o que fazer?

"Boas razões para (não) votar Cavaco Silva"

Mas há outras boas razões.

Presidênciais 2011:

Hoje, no Porto Canal, pelas 23h30.

Apareçam.

Maria Cavaco Silva pedirá o divórcio logo após as eleições

Promiscuidade do Presidente da República deixa primeira-dama revoltada

Depois de ter lido que Cavaco Silva volta a namorar funcionários públicos, a primeira-dama já declarou em círculos mais próximos que aguardará os resultados das eleições para pedir o divórcio, tendo acrescentado, entre soluços, que “pior do que a traição é ele ir meter-se com essa gentinha. Ainda se fosse com banqueiros ou assim…”

Entre os funcionários públicos, a notícia tem gerado um enorme mal-estar acompanhado de vómitos.

Era o que me faltava criticar essas bestas, esses animais, essa cambada!

 

Cavaco não comenta adversários ‘por mais loucos que eles sejam’

Estou triste…

… afinal, o candidato Vieira não é candidato.

João Vieira é o meu Presidente

Não é o presidente de todos os portugueses, é só de alguns. Viva o Rei!