SIRESP, a vergonha nacional

Foto: Daniel Rocha@Público

O SIRESP voltou a falhar. Num incêndio que ainda deflagra na localidade de Vila Chã, concelho de Alijó, o polémico sistema voltou a revelar falhas, tendo as comunicações sido asseguradas pela Rede Operacional dos Bombeiros, adiantou Patrícia Gaspar, adjunta nacional da Protecção Civil, à agência Lusa. Emergência após emergência, uma coisa torna-se para mim muito clara: o SIRESP é uma fraude. É a vergonha nacional.

Com o SIRESP, esse logro de custo exorbitante que adquirimos a um consórcio de empresas de fraca reputação (SLN, GES e PT), hoje desaparecidas em combate, é cada tiro, cada melro. O sistema soma fracassos, que levam a sucessivos remendos e planos B, e ninguém nos devolve o nosso dinheiro. Como é que se gastaram 500 milhões nesta porcaria?

O mal menor

Recorte: Público

Entre responsabilizar um sistema que passou pelas mãos de todo o bloco central, eventualmente chamuscado o primeiro-ministro, e deixar a nu a descoordenação das operações, qual seria a sua opção? 

Ainda sobre a merda do SIRESP

Segundo o Jornal de Negócios, o Estado português terá recusado vender a posição da falida Galilei na empresa SIRESP SA. A herdeira da fraudulenta SLN detinha 33% da empresa, mas a comissão de credores, liderada pela estatal Parvalorem, rejeitou a proposta da Green Services Innovations, alegadamente por estar muito abaixo do valor previsto.

É incrível que alguém queira comprar uma parcela desta porcaria inútil, mais incrível ainda que se recuse qualquer valor por ela. Num país de PPP’s onde o lucro fica sempre no sector privado e os encargos quase todos do lado do público, qualquer meia-dúzia de euros seria bem-vinda. Neste caso, porém, a empresa britânica estava preparada para avançar com 2,5 milhões de euros, valor que, considerando a avaliação da SIRESP SA, encomendada pela comissão de credores à Ernst & Young, que atribui um valor total de 9,7 milhões à empresa, não é seria assim tão mau, principalmente por se tratar da inutilidade do SIRESP.  [Read more…]

O cerco

Ouve-se muita vez que os políticos são inimputáveis e estes defendem-se dizendo que são os eleitores que julgam as suas acções. Eu acho que é pouco. Em todas as profissões, excepto na política (sim, a política é uma profissão), a responsabilidade profissional é um facto, com consequências na carreira e, por vezes, na justiça também. Por exemplo, um engenheiro que projecte mal uma obra será responsabilizado; um professor que não seja correcto com um aluno terá um processo disciplinar; um advogado que represente mal o seu cliente estará a contas com a Ordem.

A propósito do SIRESP e das negociações feitas em 2006, António Costa, vê as acções de então serem agora duplamente escrutinadas, dado o seu papel de actual primeiro-ministro e a assinatura que deixou no contrato. Enquanto Ministro de Estado e da Administração Interna do XVII Governo Constitucional, Costa podia não ter assinado o contrato do SIRESP, até porque a anterior vergonha assinada pelo governo de gestão de Santana Lopes, 3 dias ter perdido as eleições, tinha sido legalmente anulada. Mas assinou. E, para ter base política para o fazer, conseguiu uma redução de 50 milhões no valor do contrato. Acontece que o consórcio do SIRESP não é um grupo de inocentinhos e baixou o preço graças a redução de funcionalidades. Costa sabia disso. Só podia saber, mas olhou para o lado. E agora está a pagar o preço político desse acto. E a responsabilização pessoal? Essa não existe. Coitados, são políticos.

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SIRESP: queremos o nosso dinheiro de volta

Custou umas largas centenas de milhões de euros aos cofres públicos, numa negociata à moda do bloco central, e voltou a falhar quando mais precisamos dele. Ontem, porém, recebemos a confirmação de que a patranha é pior do que imaginávamos. Segundo Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia, as falhas são comuns e constantes. O líder da ASPP vai mais longe e afirma mesmo que

se houver um incidente táctico-policial no Colombo, no Meo Arena ou no Amoreiras Shopping, é evidente que vamos ter muitas dificuldades” (por serem) “locais sensíveis, locais onde, quando é necessário comunicações, não pode falhar, e a verdade é que toda a gente fala em muita coisa, e parece que estamos sempre à espera da catástrofe para depois lamentar, e isto é o que tem vindo a acontecer. Aquilo que está identificado hoje, os inquéritos podem identificar o que quiserem, está identificado há anos (…) há anos que nós já comunicamos aos governos, ao poder político.

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SIRESP não funciona em Vila Nova de Gaia

Quem o afirma é Fernando Curto, presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais, sem ter sido desmentido pelo responsável da Protecção Civil de uma cidade com mais de 300 mil habitantes.

 

Daniel Sanches, o SIRESP e a SLN

É um clássico do bloco central. Um tipo está numa determinada empresa, vai parar a uma posição-chave num determinado governo, adjudica um determinado serviço à empresa onde trabalhou e regressa à mesma empresa, como se nada fosse. Mais tarde descobre-se que se pagou demais por esse serviço, que os contribuintes foram prejudicados, tresanda a promiscuidade e tráfico de influências por todo o lado, anunciam-se corajosas investigações, mas o Ministério Pública decide arquivar. E o nível de tolerância da sociedade portuguesa para com estes casos, ao contrário de outros parceiros europeus com quem tantos nos gostam de comparar quando convém, é quase absoluto. A dança de cadeiras, o centrão de “intercâmbio” de interesses e a plataforma de negócios parlamentar são implacáveis, esteja quem estiver no poder. [Read more…]

O SIRESP falhou novamente

Estrutura accionista da PPP SIRESP: SLN, PT Ventures,  Motorola, Esegur e Datacomp.

O SIRESP (Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança em Portugal) tem como objectivo ser um sistema de comunicações móveis comum às forças de segurança, emergência médica e protecção civil. Está marcado pela polémica desde o seu início. Falhou agora no incêndio de Pedrogão Grande e, ironicamente, já antes tinha falhado durante 6 horas neste mesmo concelho, aquando da grande tempestade de 19 de Janeiro de 2013 (cf. vídeo abaixo ao minuto 7:51).

Em caso de catástrofe, quando as comunicações são mais precisas, as falhas no SIRESP têm acontecido. Não serão a causa dos problemas, mas assim não contribuem para a solução. Vale a pena recapitular como é que este sistema problemático entrou em funcionamento (adaptado do tretas.org): [Read more…]