Ainda sobre a merda do SIRESP

Segundo o Jornal de Negócios, o Estado português terá recusado vender a posição da falida Galilei na empresa SIRESP SA. A herdeira da fraudulenta SLN detinha 33% da empresa, mas a comissão de credores, liderada pela estatal Parvalorem, rejeitou a proposta da Green Services Innovations, alegadamente por estar muito abaixo do valor previsto.

É incrível que alguém queira comprar uma parcela desta porcaria inútil, mais incrível ainda que se recuse qualquer valor por ela. Num país de PPP’s onde o lucro fica sempre no sector privado e os encargos quase todos do lado do público, qualquer meia-dúzia de euros seria bem-vinda. Neste caso, porém, a empresa britânica estava preparada para avançar com 2,5 milhões de euros, valor que, considerando a avaliação da SIRESP SA, encomendada pela comissão de credores à Ernst & Young, que atribui um valor total de 9,7 milhões à empresa, não é seria assim tão mau, principalmente por se tratar da inutilidade do SIRESP.  [Read more…]

Daniel Sanches, o SIRESP e a SLN

É um clássico do bloco central. Um tipo está numa determinada empresa, vai parar a uma posição-chave num determinado governo, adjudica um determinado serviço à empresa onde trabalhou e regressa à mesma empresa, como se nada fosse. Mais tarde descobre-se que se pagou demais por esse serviço, que os contribuintes foram prejudicados, tresanda a promiscuidade e tráfico de influências por todo o lado, anunciam-se corajosas investigações, mas o Ministério Pública decide arquivar. E o nível de tolerância da sociedade portuguesa para com estes casos, ao contrário de outros parceiros europeus com quem tantos nos gostam de comparar quando convém, é quase absoluto. A dança de cadeiras, o centrão de “intercâmbio” de interesses e a plataforma de negócios parlamentar são implacáveis, esteja quem estiver no poder. [Read more…]

Prepare a carteira senhor contribuinte: o buraco do BPN vai aumentar

BPN

De mansinho e sem se dar muito por ele, o buraco do BPN prepara-se para crescer 1320 milhões de euros, com o alto patrocínio do sempre prestável contribuinte português. Segundo o Diário de Notícias, se o Processo Especial de Revitalização (PER) do grupo Galilei não for aprovado pelos seus credores, onde se destaca a Parvalorem, veículo criado pelo Estado português para gerir os activos resultantes da privatização do BPN que detém 80% da dívida da sucessora da SLN, os cofres públicos encaixarão novas perdas, elevando a factura do banco do cavaquismo para um valor superior a 6300 milhões de euros. Resta saber se os milhões de euros em investimentos variados detidos pela Galilei, que tem Oliveira e Costa como segundo maior accionista e o grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, Fernando Lima, como presidente, serão usados para abater parte da dívida ou se nos caberá a nós continuar a assumir a factura na sua totalidade. Preparem as carteiras, o assalto segue dentro de momentos.

Golpes de Machete

Em declarações à Rádio Nacional de Angola, Rui Machete pediu “diplomaticamente” desculpas por haver figuras do regime angolano a serem investigadas pela justiça portuguesa. Se, algum dia, vier a ser investigado, apesar de, por enquanto, não fazer parte do regime angolano, espero merecer o mesmo tratamento de um qualquer membro do governo português. Pela minha parte, estão, desde já, desculpados, mas que não volte a repetir-se.

Nessas mesmas declarações, Machete acrescenta às desculpas a declaração de impotência, lembrando que o governo português não pode intervir nas investigações. Resumidamente, o ministro pede desculpa a um país estrangeiro por haver um entidade pública portuguesa que, tanto quanto se sabe, está a cumprir o seu dever. Não deixa de ser uma novidade refrescante pedir desculpa por se cumprir um dever.

Para complementar o seu pedido de desculpas, Machete afirma que pediu informações à Procuradora-Geral da República. Posteriormente, veio desmentir as suas próprias declarações, explicando que se baseou num comunicado do DCIAP. Talvez alguém devesse explicar ao ministro que pedir informações a uma pessoa ou ler um comunicado não são a mesma coisa. Talvez não valha a pena explicar ao mesmo ministro que proferir incorrecções factuais é feio, porque já lá vai o tempo em que devia ter torcido o pepino. [Read more…]

A Irritante Busca da Verdade

Estamos pacificamente de acordo quanto à criminalidade subjacente ao caso BPN. Também deveríamos estar todos de acordo quanto ao processo manhoso, de dolo difuso, em que consistiu a nacionalização manhosa dos prejuízos do BPN, com manutenção privada dos suculentos activos SLN agregados ao mesmo Banco. O Bloco Central de Interesses vela por si mesmo, enquanto nos lixa sem piedade. Tem sido assim. E por vezes uma guerra para ver quem carrega com mais culpas ou o silêncio total quando não interessa escavar mais. Por isso, o que não percebo é por que motivo ainda não vi o visado a desmentir este incentivo aos swap em forma de despacho de 2009 ou alguém a entrevistar o Caimão para todos ficarmos a saber quem é que ilicitamente andou a ganhar dinheiro precisamente quando, em 2011, os juros da dívida portuguesa, nas diversas maturidades, rebentavam a escala e, por alguma razão mística, o Governo Português retardava o pedido de resgate. A busca da verdade é irritante, tirando o facto de andar pelos media um fermento de absolvição instantânea da Esquerda, se é que o PS é ou pode ser visto como tal coisa quando no poder. Esquerda ali é só para disfarçar outros desígnios que só o Caimão saberá.

The Beat Goes On

Estado vai pagar mais mil milhões de dívidas, desta vez da Sociedade Lusa de Negócios. Isto é roubo! Parem estes tipos! Chamem a polícia!

Um ladrão não deixa de ser ladrão porque em Portugal a justiça é lenta

Como a memória funciona por associação de ideias, anda muito boa gente a recordar-se  esta semana de dois fenómenos conhecidos: em Portugal a justiça é muito lenta e com figuras públicas endinheiradas prescreve, então no cada vez mais abafado caso BPN ela até parece uma equipa treinado pelo Jesus a partir da Páscoa; sabendo-se também como presidentes do Benfica são inimputáveis até passarem a  ex-presidentes.

Ora vejamos:

Na manhã de 30 de Março deste ano [2010], elementos da Polícia Judiciária e do Departamento Central de Investigação e Acção Penal fizeram buscas a duas casas do presidente do SL Benfica (uma situada em Oeiras, outra em Corroios) assim como à sede do grupo Inland/Promovalor, avança a revista Sábado. [Read more…]

As duas faces da moeda: a “oculta” e a “ocultada”

Dias LoureiroCavaco Silva, há tempos no ‘Expresso’, inspirou-se na Lei de Gresham, de Sir Thomas Gresham (1558), utilizando-a como metáfora para sustentar que os “maus” políticos acabariam de ser expulsos pelos “bons”. Do escrito, depreendia-se que a tese da proscrição se aplicava, então, a Pedro Santana Lopes, hoje Provedor da SCML por escolha de Passos Coelho.

Cavaco, se original no uso da metáfora, foi plagiado, nestas histórias monetárias, pelo ‘Sistema de Justiça Português” que baptizou de ‘Face Oculta’ o processo de investigação e acção judicial, envolvendo o sucateiro Godinho, Armando Vara, os Penedos, pai e filho, e outras figuras conectadas com o PS – o próprio Sócrates, até agora não pronunciado, é alegadamente protagonista de escutas suspeitosas.

Temos, pois, a moeda de ‘Face Oculta’, mas como a circulação da “má moeda” é intensa no espaço do “centrão”, entre a diversidade de operações duvidosas e correntes, existe uma outra, a do caso BPN, à qual, auxiliados pela imaginação dos investigadores e outros agentes do aparelho judicial, damos o nome de ‘Face Ocultada’.

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