
«Assim, fica mais catita!», terá confidenciado Souto de Moura, entusiasmado, a António Mexia. «É para disfarçar. No meio da paisagem, ninguém vai perceber que são postes de electricidade. Uma espécie de pantomina dos elementos visuais».
Isso e o paredão. Com a nova cor escolhida por Souto de Moura, a própria paisagem vai ganhar um novo significado. Eu cá, por motivos óbvios, escolho o azul.


Um pequeno-almoço a saber a azia
O Fabio Coentrão é uma coisa: o camarada Mário de Almeida deu-lhe a volta e o miúdo lá se prestou a aparecer na campanha de Sócrates.
Souto Moura e Siza Vieira não jogam à bola (embora o primeiro tenha construído um dos mais belos estádios do mundo). Têm outra idade, empenhamentos políticos, outra forma de estar na vida.
Sócrates tinha agendado para amanhã um pequeno-almoço com os dois. Tinha, mas mal Siza soube que era uma acção de campanha reforçou o seu apoio à CDU. Souto Moura pelos vistos disse logo que tinha mais que fazer. O pequeno-almoço sumiu-se da agenda de campanha.
Este episódio, somado à idiotice de ir arrebanhar carneiros para o Martim Moniz, um bocadinho menos discreto que nas aldeias do costume com as oferendas habituais, é mais uma prova de como a máquina eleitoral do PS está de rastos. Fim de ciclo, a derrota avizinha-se. Até Almeida Santos já deu por isso.
“Prémio Nobel da Arquitectura” para Souto Moura
Eduardo Souto Moura é o vencedor deste ano do Prémio Pritzker, também conhecido como o prémio “Nobel” da arquitectura.
Souto Moura é, assim, o segundo português a ser galardoado com o prémio mais prestigiado de arquitectura do mundo (o outro é Siza Vieira, galardoado em 1992).
A arquitectura portuguesa, através de alguns dos seus melhores arquitectos, está de entre as que mais se distinguem qualitativamente. Desta vez, e merecidamente, parabéns, Souto Moura.
PS: Uma volta rápida por alguns blogues mostrou-me o que, na blogosfera, vai sendo óbvio: a substimação da obra de Souto Moura e a desvalorização do prémio. Não vou nessa, há muito que gosto sinceramente do trabalho de Souto Moura e do dos bons arquitectos contemporâneos portugueses. Mas não estaríamos em Portugal se a invejinha e a depreciação não começassem a falar alto, não é?
A destruição das cidades
Dizia Paulo Morais há cerca de um ano que “é evidente que as pessoas vão para os shoppings porque eles têm hoje as condições de urbanidade que as cidades já não lhes dão, onde há manutenção, onde há limpeza, onde há segurança, onde há parqueamente, etc., onde há vivencialidade urbana“.
Os excelentes trabalhos de Nuno Castelo-Branco aqui no Aventar e de Rui Valente no As Casas do Porto (de onde “roubei” a imagem que ilustra este post) são dois exemplos concretos do que se passa em Lisboa e no Porto, e de certeza que podiamos acrescentar exemplos de (quase) todas as outras cidades do país.

Os motivos que levaram a esta degradação que são habitualmente referidos são, por um lado a legislação que não apoia a renovação e incentiva a compra de casas novas e por outro a lei das rendas que continua a permitir que haja quem pague uns 5 euros por mês por uma casa.
Convém no entanto referir em relação ao segundo ponto que nem essa lei foi caso único no mundo já que outros países europeus a praticaram, nem ela se aplicou no país todo (só no Porto e em Lisboa) e não é por isso que os centros historicos de Gaia, Matosinhos, para dar dois exemplos que conheço, estão muito melhor que o do Porto.
Também o argumento da legislação, esse entrave que emperra toda a nossa sociedade e que aparentemente só se resolve com mais legislação, fica um pouco fragilizado quando olhamos por exemplo para Guimarães. Que lei especial conseguiram eles para a sua cidade que lhes permitiu uma renovação urbana elogiada por todos?
Acho que nenhuma, o segredo, segundo Souto Moura é que a reabilitação só se consegue com bons técnicos e com uma fortíssima vontade política, como houve por exemplo com a reconstrução do Chiado.








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