Um pequeno-almoço a saber a azia

O Fabio Coentrão é uma coisa: o camarada Mário de Almeida deu-lhe a volta e o miúdo lá se prestou a aparecer na campanha de Sócrates.

Souto Moura e Siza Vieira não jogam à bola (embora o primeiro tenha construído um dos mais belos estádios do mundo). Têm outra idade, empenhamentos políticos, outra forma de estar na vida.

Sócrates tinha agendado para amanhã um pequeno-almoço com os dois. Tinha, mas mal Siza soube que era uma acção de campanha reforçou o seu apoio à CDU. Souto Moura pelos vistos disse logo que tinha mais que fazer. O pequeno-almoço sumiu-se da agenda de campanha.

Este episódio, somado à idiotice de ir arrebanhar carneiros para o Martim Moniz, um bocadinho menos discreto que nas aldeias do costume com as oferendas habituais, é mais uma prova de como a máquina eleitoral do PS está de rastos. Fim de ciclo, a derrota avizinha-se. Até Almeida Santos já deu por isso.

Comments

  1. Rodrigo Costa says:

    João Cardoso,

    Qual a diferença em aparecer ao lado do Sócrates, do Passos Coelho, do Louçã ou do Jerónimo de Sousa?…

    Sem o Partido Comunista, quem seria o Siza Vieira?… O que seria, aliás, sem os partidos comunistas, a maior parte da rapaziada ligadas às artes, à escrita, à arquitectura, que ocupam os lugares de topo. Quem seria Saramago —esse monstro de incoerência—, se a militância não fôsse a justificação para o prémio Nobel, atribuído por uma estrutura consabidamente comunista?…

    Devo dizer-lhe —se não o terei dito noutros comentários— que nunca votei nem voto, nem nunca perfilhei qualquer ideologia partidária, porque, desde antes de 25 de Abril, eu tinha uma ideia da massa de que é feita a Humanidade, que não anda muito longe, desculpe, da merda.

    O Siza Vieira continuaria aprendiz de arquitecto; continuaria árido, sêco, porque não há nada, na sua obra que aluda à essência da arquitectura.

    Antes de Abril, havia os “padrinhos” e os “afilhados”; depois de Abril, há os “afilhados” e os padrinhos”.

    O Siza e o Souto não estiveram disponíveis para este pequeno almoço, mas estarão para outros, porque já se disponibilizaram para a reformulação do estádio do Jamor; o que, como sabe, não é adjudicado sem “pequenos almoços”.

    Quanto ao Fábio Coentrão… está dentro do que pode ser esperado. Falta saber por que é que o Mário de Almeida o terá convencido. Cá para mim, que vivo em Portugal há 58 anos, a vida nem sempre foi fácil, e, desses momentos, ficaram facturas que o Coentrão teria que pagar. Em todos os partidos é assim: quando menos esperam, são chamados a desoras; às vezes, quando as facturas já pareciam esquecidas —ninguém sobe sem que alguém lhes ponha a mão no cu.


    • Rodrigo Costa: a liberdade de expressão inclui o direito ao disparate. Não sei se lá cabe o que diz sobre Siza Vieira, porque ignorar que fala de um arquitecto mundialmente aclamado, pode pertencer a outro capítulo, precisamente o da ignorância.
      Não gosta da obra dele? problema seu. Inter-pares é um dos grandes entre os grandes. Tal como Souto Moura. Queria o quê, o Taveira premiado?

    • Eduardo Viana says:

      Não sabe este senhor o que diz, nem tão pouco o que pensa, então a atribuição de Prémio Nobel é produto de uma instituição comunista? Tanta ignorância patenteada num bocado de prosa, evidência bem porque nos últimos 36 anos da política nacional o Povo Português tem vindo a escolher sempre os mesmos, ou seja os seus próprios coveiros, para governar o nosso País. Vai pastar!

  2. Rodrigo Costa says:

    Caro, João Cardoso,

    Se, no meio disto, há aqui alguém que é ignorante, eu não sou, de certeza; e também tenho a certeza de o não ter considerado. Primeiro, porque não faria sentido; depois, porque não o conheço nem tenho confiança mínima para o ter feito. As afirmações que fiz fi-las porque as posso fazer. E poderia, até, fazê-las suportado na opinião de colegas, ao tempo, da mesma escola do Siza. Não faço, porque gosto de pensar pela minha cabeça e de ser responsávell pelo que digo. Também lhe poderia falar de problemas de ergonomia que são corrigidos por marceneiros, em cadeiras em que ninguém poderia ficar sentado muito tempo… E também poderia evocar a proliferação de informação, com imagens, do que é a essência da arquitectura, onde, de facto, podemos encontrar arquitectos.

    Como é que o Mundo —e que mundo— classifica Siza, não sei nem me interessa, mas, possivelmente, o mesmo que classifica Rothko, como pintor, mas eu não estou à espera da opiniãpo do Mundo para distinguir uma linha quebrada de uma linha recta.

    Quanto ao gosto, dir-lhe-ei, apenas, que o gosto das pessoas educadas privilegia a inteligência. Isto é, pode haver coisas de que não gostemos, mas nas quais reconheçamos inteligência. Portanto, dizer-se que não se gosta… porque não se gosta, será argumentar sem argumento.

    Siza, repito, é, essencialmente, o produto de uma organização política —como outros terão sido e outros serão de outras organizações políticas; porque todos os regimes têm os seus artistas, os seus escritores, os seus cineastas e os seus arquitectos, com o critério subordinado mais à ideologia do que à competência.

    Sobre quem possa fazer a reformulação do Jamor, fará o favor de concordar que não dei palpites, não apontei nomes, embora haja, por aí, rapaziada capaz de de fazer coisas interessantes, possivelmente, até, filiadas em partidos, porque a vida está difícil para quem não vive em concubinato.

    Sem ” pequenos-almoços”, grande parte das figuras de topo, em Portugal, andariam a partir cascalho. Pode dizer que fui eu quem disse.

  3. Rodrigo Costa says:

    Peço desculpa, mas, porque houve umas falhas, o penúltimo parágrafo era, de facto, este

    “Sobre quem possa fazer a reformulação do Jamor, fará o favor de concordar que não dei palpites, não apontei nomes, embora haja, por aí, rapaziada capaz de de fazer coisas interessantes —possivelmente, até, filiadas em partidos, porque a vida está difícil para quem não vive em concubinato—; onde pudesse perceber-se, para além do domínio da matéria, a componente humana. A Arquitectura é isso, o domínio da forma, de acordo com a funcionalidade e o contexto, e onde sobressaia a componente humana… “

  4. Ricardo says:

    Caro Rodrigo Costa, até percebo que o senhor, como ressabiado que é (cheira-se!!), tenha uma fácil tendência para a maledicência, o seu conhecimento, por muito amplo que o possa achar não pode chegar a todo o lado, lamento muito…
    Falar de arquitectura, da sua essência, é uma coisa muito complicada, é um bocadinho mais do que alguns chavões que meteu “à sovela”, agora uma coisa lhe garanto, é descabido, até injusto, desligar a obra do siza vieira da componente humana, se calhar não conhece bem o seu trabalho. Pode apreciá-lo em qualquer parte do planeta !
    Essa das cadeiras e da ergonomia já é um clássico, também conheço outras muito engraçadas… O que fez o senhor por este país ?

  5. Luís Ferreira says:

    O Fábio estava, nitidamente, contra a sua vontade a apoiar o lider do PS.

    O rapaz tem alguns investimentos feitos em Vila do Conde que estão de uma ou outra forma ligados à autarquia e, sem o apoio da Câmara poderão significar apenas dinheiro perdido… Não sou de lançar boatos, mas aqui alguma coisa me cheira mal…

    Abraços.

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  1. […] de “agentes culturais” com fins propagandisticos. Começou com o PSD, dizem vocês. Pois, […]

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