Porto!

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Eu não queria falar sobre o tema. Só quem nunca esteve envolvido na criação de raiz de projectos de marketing territorial se dá ao luxo de falar levianamente. É um trabalho duro, de enorme desgaste e óptimo para ser criticado pelos “bitaiteiros” do costume.

A nova imagem da marca Porto/Cidade não é indiferente. E aqui está um elogio aos seus criadores. Mesmo torcendo o nariz ao ponto final. Luís Paixão Martins, cujos seus sentimentos pela sua Lisboa se equiparam aos nossos sentimentos pelo nosso Porto, aproveitou para escrever sobre o tema puxando a brasa à sua sardinha.

Porque os gostos se discutem, aqui fica o meu: para mim, o Porto é ponto de exclamação e não ponto final. A exclamação das vendedoras do bolhão, dos frequentadores da baixa transformada em “movida Almodóvar”, do cimbalino pedido ao balcão, do Velasquez em dia de bola no Dragão, etc, etc, etc. O ponto de exclamação de sentimentos fortes. De entusiasmo. De arrebatamento. De cólera. Do antes quebrar que torcer.

Porto!

 

(imagem gentilmente palmada ao blog Bibó Porto Carago!

Turistificados

No tempo em que os animais já tinham renunciado à fala mas ainda ninguém tinha inventado a palavra “turistificação”, só havia camones e esses nunca se atreviam a passar aqui na rua. Alguns dos seus ex-pertences, sim, acabavam por ali, vendidos por baixo do balcão de certas lojas, alguma câmara afanada enquanto o camone subia a peúga caída para dentro da sandália, uma bolsa deixada pela senhora de Birmingham que, de tão enternecida com o hábito popular de deixar os guarda-chuvas molhados à porta dos cafés, pensava que também podia deixar a mala enquanto ia ao quarto de banho.

O Zé Isqueiro, que ganhou a alcunha por ser pequenino e de pavio curto, diz que não, que ceguinha seja a falecida mãe mais a irmãzinha que foi para o céu com o sarampo, se alguma vez ele afanou alguma coisa a alguém, que se alembra bem desse tempo, e de quem andava na gatunagem, mas ele não, ele teve sempre medo de ir de cana, e os tempos eram bravos, pois eram, mas ele foi aprendiz de marceneiro, depois foi servir às mesas, fazia serviços de casamento e banquetes, e safou-se, que remédio, mas sempre longe da bófia, que essa quando te deita a mão nunca mais te deslarga. [Read more…]

Os locais das manifestações do 2 de Março: o Povo é quem mais ordena

2 de marco

(40 manifestações, em actualização)

  • Angra do Heroísmo: 15:00, Praça Velha – Evento no Facebook
  • Aveiro:  16:00, Estação CP -> Praça da República – Evento no Facebook [Read more…]

Manifestação 15 de Setembro: cidades para onde estão convocadas

Que se lixe a troika, queremos as nossas vidas.

Lista de manifestações e locais para 15 de Setembro, em actualização (21 23 25 26 manifestações)

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Manuela Ferreira Leite anuncia o fim de Passos Coelho nas manifestações de 15 de Setembro

Manuela Ferreira Leite considera que a manifestação do próximo sábado é uma «legítima reação das pessoas» e revelou que «ainda é cedo» para confirmar se vai estar presente.

«Desde que sejam manifestações pacíficas, eu acho que podem demonstrar aos poderes públicos que as pessoas não aceitam determinado tipo de medidas», afirmou, em entrevista à TVI24.

Depois de Passos Coelho na sexta, e Vítor Gaspar ontem, terem mobilizado para as manifestações de sábado, só faltava Manuela Ferreira Leite (e Cavaco Silva por tabela) juntarem-se à já longa lista  de personalidades da direita inteligente na preparação do velório que se inicia este sábado.

É claro que MFL se está a posicionar para presidir a um governo de iniciativa presidencial (cada vez mais Portugal e Grécia seguem o mesmo percurso). É óbvio que a inteligência e algum bom senso não chegam para mudar de rumo. Mas pelo menos Relvas terá uma oportunidade para ir estudar, livramo-nos de um governo que conseguiu ultrapassar Santana Lopes em imbecilidade pura, e Portugal ficando mais asseado demonstra dar pouco tempo à estupidez e incompetência em estado puro.

15 de Setembro vai estar para Passos Coelho como o 12 de Março esteve para Sócrates. Saindo à rua enquanto povo, espero que com a mesma tranquilidade, lembramos porque somos o único país independente da Ibéria (precisamente num dia em que as manifestações decorrerão por toda a península), com o detalhe de numa ter estado gente do PSD e nesta ser óbvio que vai aparecer gente do PS, e pelos vistos também do mesmo PSD. Não me incomoda absolutamente nada. A política é isto, juntam-se pessoas muito diferentes quando o que está em causa é a salubridade pública. Todos temos nariz, todos sofremos com o mau cheiro.

Já são 26 manifestações em 26 cidades, pode consultar a lista aqui.

Esta força cosmopolita do Verão

Dá gosto passear pelas cidades portugueses durante o mês de Agosto. A riqueza linguística que nos adorna em qualquer passeio, escutada e apreciada em cada conversa que por nós passa ou que cruza no nosso caminho.

Desengane-se quem pense que tal só acontece pelos reinos do Algarve (ou Allgarve… já não sei ao certo), ou na capital do império ou na Invicta. Nada disso. Pelo Minho fervilha esta palete idiomática em qualquer cidade ou vila, com a acrescida particularidade de haver conversas em francês e alemão que são entremeadas com palavrões portugueses.

Isto sim é riqueza cosmopolita, em vernácula manifestação da nossa cultura universalista.

Portugal Arruinado


Portugal está em ruínas. De norte a sul, no litoral e no interior. Sobretudo nas cidades. Sobretudo nas grandes cidades. Desde o dia 14 de Abril, o Nuno Castelo-Branco tem vindo a denunciar diariamente casos flagrantes da sua Lisboa arruinada. Mas porque o Aventar é de todo o país, vamos passar a mostrar também o Porto Arruinado, Coimbra Arruinada, Braga Arruinada, o Algarve Arruinado e por aí fora.
O mercado da reconstrução, na Europa, tem um impacto muito forte no sector da construção civil. Em Portugal, esse mercado é quase insignificante. O que interessa é construir, mais e mais, e deixar cair o que já existe. E assim Portugal vai caindo aos pedaços.

A destruição das cidades

Dizia Paulo Morais há cerca de um ano que “é evidente que as pessoas vão para os shoppings porque eles têm hoje as condições de urbanidade que as cidades já não lhes dão, onde há manutenção, onde há limpeza, onde há segurança, onde há parqueamente, etc., onde há vivencialidade urbana“.

Os excelentes trabalhos de Nuno Castelo-Branco aqui no Aventar e de Rui Valente no As Casas do Porto (de onde “roubei” a imagem que ilustra este post) são dois exemplos concretos do que se passa em Lisboa e no Porto, e de certeza que podiamos acrescentar exemplos de (quase) todas as outras cidades do país.

Os motivos que levaram a esta degradação que são habitualmente referidos são, por um lado a legislação que não apoia a renovação e incentiva a compra de casas novas e por outro a lei das rendas que continua a permitir que haja quem pague uns 5 euros por mês por uma casa.

Convém no entanto referir em relação ao segundo ponto que nem essa lei foi caso único no mundo já que outros países europeus a praticaram, nem ela se aplicou no país todo (só no Porto e em Lisboa) e não é por isso que os centros historicos de Gaia, Matosinhos, para dar dois exemplos que conheço, estão muito melhor que o do Porto.

Também o argumento da legislação, esse entrave que emperra toda a nossa sociedade e que aparentemente só se resolve com mais legislação, fica um pouco fragilizado quando olhamos por exemplo para Guimarães. Que lei especial conseguiram eles para a sua cidade que lhes permitiu uma renovação urbana elogiada por todos?

Acho que nenhuma, o segredo, segundo Souto Moura é que a reabilitação só se consegue com bons técnicos e com uma fortíssima vontade política, como houve por exemplo com a reconstrução do Chiado.