O Evangelho segundo São Mendes (2)

Roberto Ayala sabe o que diz, mas não diz tudo o que sabe. 16 foram as contratações horizontais à la Mendes nas últimas 4 temporadas. Se o Valência descer de divisão, vai ser o princípio do fim.

Postal de Valência #3

‘respirar naturalment’ l’olor de les taronges de València…

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… que é como quem diz, Paula que as laranjeiras de Valência estão já em flor. É verdade que enchem o ar de um perfume avassalador que, naturalmente, respiramos. Há muitas laranjeiras em Valencia e há até uma avenida das laranjeiras, onde crescem as faculdades da gigantesca (mais de 46 000 alunos) Universidade.
Levanto-me cedo. Desço para tomar o pequeno-almoço na cafetaria. Jovens em roupão e em pijama. Homens de fato e gravata. Senhoras bem maquilhadas. Tudo se mistura naturalmente no Colégio Mayor antes das 10 da manhã. Arrumo as coisas na mala e saio para a primavera valenciana. Vou passeando e tirando fotografias. Visito o mercado central, passo na pracinha onde antes de ontem o taxista me disse que se comiam os melhores bolos de abóbora, mas a loja está fechada e há-de estar também fechada quando passo novamente por ali, no regresso, depois das quatro da tarde para ir recolher a mala.
Chego à Praça da Virgem, mas antes encontro a Pujada del Toledà e lembro-me do Mário me ter falado no restaurante português… subo as escadinhas no princípio da ruela e encontro o restaurante imediatamente. Falo um bom bocado com a Maria, uma conversa um pouco triste, que não vos vou contar. Mas a Maria parece simpática, apesar da tristeza. Deixo-a uns bons três quartos de hora depois e atravesso a Praça da Virgem onde já passei tantas vezes, nesta e nas outras visitas. Vou encontrar-me com o Pep, ‘mi primo de Valência’ que é agora assessor do Presidente das Cortes Valencianas, que também conhecerei.

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Postal de Valência #2

‘Res del que passa és comparable a tu’*

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Em Valencia continua a primavera e estou mais viva que nunca. Levanto-me cedo e tomo o pequeno almoço na cafetaria do Colegio Mayor. Há sol no pátio e muita gente jovem que bebe sumos e cafés e conversa por aqui e por ali, em conversas que apanho no ar e a que não presto muita atenção. Ao meio-dia, depois do taxista se ter perdido e me ter querido deixar a 10 minutos a pé da Faculdade de Ciências Sociais e de ter havido uma discussão, que ganhei bem entendido (‘mira, cuando llamas un taxi es para que te lleve de un punto al otro. A mi me dejas en la puerta, vale?’), chego finalmente à porta da faculdade. Entrego uns papeis, encontro os outros membros do tribunal e vamos à tese. A tese da Marina. Muito bem escrita, muito bem estruturada. Como alguém disse: uma tese de verdade. Excelente, portanto, estamos todos de acordo. A defesa demora algumas horas, duas ou três, a partir de uma certa altura perdemos a conta. É muito bom discutir um trabalho (mesmo se como eu, em ‘portunhol’) muito bom, feito com alma, se quiserem, que nestas coisas, sim, também é preciso que a tenhamos. A seguir vamos almoçar. Comemos uma paella fenomenal e quando acabamos são seis e um quarto da tarde. Estamos em Espanha. Não é surpreendente que seja assim, mas penso ‘en mi primo de Valencia’, o Pep, com quem tinha combinado às seis e quarenta e cinco para ‘tomar una copa’ e comer alguma coisa e mando-lhe um sms a dizer que às nove.

Tomo o autocarro de regresso, com a Imaculada. o autocarro não se perde como o taxi e passados poucos minutos deixa-me na Plaza de la Reina. Avanço até à Plaza de la Virgen, como ontem à noite. E meto pelas ruelas que me hão-de levar ao Colegio Mayor. Descanso um bocado, vejo os emails. Realizo que tenho saudades de uma pessoa, de repente. Que é como uma espécie de primavera na minha vida, nestes últimos meses, apesar de tudo o que sei sobre mim – e sobre ela. Uma espécie de primavera. Não tenho jeito para me apaixonar, ou melhor, tenho sim, muito. Não tenho é muito jeito – desde há alguns anos e por razões precisas que eu conheço muito bem, mas que aos outros serão – suponho eu – difíceis de entender – para o que vem a seguir, passada a primavera. E a primavera, como a paixão, é uma estação voraz. Apesar de tudo isto, sinto subitamente saudades dessa pessoa, embora fale com ela muitas vezes por dia. Mas não é o mesmo. A primavera é uma estação voraz, acabei de o dizer.

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Postal de Valencia #1

‘Cuando tenemos un día gris nos apagamos’

Devia ter escrito um postal de Belfast, um pelo menos, ainda há coisa de duas ou três semanas. Não é que não houvesse nada para dizer sobre Belfast, mas praticamente, exceto a bela Queens University e o hotel e os meus colegas, não vi grande coisa. E então não escrevi, mas espero voltar um destes fins de semana maiores àquela cidade da Irlanda do Norte e, então sim, escreverei.

Às vezes parece que não faço mais nada se não andar de um lugar para o outro, entre Aveiro e muitos sítios, dentro e fora de Portugal. Reparo que ultimamente essas viagens, sobretudo as para fora do país, estão cada vez mais pequenas, 2 ou 3 dias no máximo e não dá para muito mais do que trabalhar, jantar e beber um copo com os colegas. Assim mesmo, já sabemos, são viagens de que gosto. Como gosto das outras mais vagarosas. Menos, evidentemente. Que a idade já me pesa e o vagar sabe-me bem. [Read more…]

cláusulas, empresários e yes men

Sporting Lisbon's Pereira looks at the referee after receiving a yellow card during their Europa League play-off soccer match against Brondby at Jose Alvalade stadium in Lisbon

Que João Pereira não é flor que se cheire, já todos sabíamos de ver, e muitos adversários o sentiram nas caneleiras, mais acima ou mais abaixo, em campo. A crer no que vem escrito por aí, exemplarmente na bíblia do desporto, o zero de jogos disputados que leva na presente época, afinal, não é tão inocente como a explicação de Nuno Espírito Santo para o facto: “O Valência tem dois laterais melhores que o João” (sic).

Parece, então, que os contornos são um pouco mais nebulosos. O treinador português dos espanhóis seguiu as ordens do Presidente do clube e baniu o “tuga” de todas as convocatórias. Tout court!

Com efeito, tendo João Pereira disputado 74 jogos, ao 75.º entraria em vigor uma cláusula automática de renovação do seu contrato por mais dois anos, o que os dirigentes valencianos não querem que aconteça.

Meandros à parte, Nuno Espírito Santo é, de há muito, um enfant gâté de Jorge Mendes o super-hiper-empresário dos futebóis por essa Europa fora. E todos sabem que Jorge Mendes é leonino na forma como gere os seus activos.

Então não é que o rapaz português roeu a corda ao todo-poderoso e assinou por Carlos Gonçalves, da Proeleven, com sede na Rua dos Fanqueiros em Lisboa, e que gere, por exemplo, as carreiras de Vilas-Boas, Marco Silva, Marcos Rojo, Wilson Eduardo, Josué e Daniel Carriço?

Se Marco Silva ainda não é treinador do FC Porto, diz-se, foi porque se recusou a mudar de empresário, exactamente de Carlos Gonçalves para Jorge Mendes. E Josué, na época em que Jorge Mendes reentrou em força no FC Porto, foi cirurgicamente emprestado.

jpPor isso, não será também ingénuo o que se diz: João Pereira está na mira do Barcelona, exactamente o clube rival dos maiores centros de interesse de Jorge Mendes em Espanha: Real Madrid e Valência.

Pepe será militante do PSD: Relvas és o senhor que se segue

Este tipo tem a escola toda! “Se mexer, leva!”

Vai daí pensei em arranjar um cartão de militante do PSD ao Pepe. Assim, como assim, já sabe o hino, ainda que na versão com samba.

Quando o Relvas abrir a boca para dizer mais uma parvoíce, manda-se uma mensagem ao bobi e ao tareco e eis que numa entrada de carrinho, a pés juntos, temos o Relvas, no soalho, com as duas pernas partidas ou até quem sabe com uma distensão muscular na ponta do nariz. Com um jeitinho, ainda sobra uma cotovelada para o Coelho.

A vontade de agredir é tanta que, no jogo de ontem contra o Valência, PEPE agrediu um colega do Real Madrid (com  um 7 na camisola). Terá sido o Cristiano Ronaldo a vítima?

Veja com os seus próprios olhos:

[youtube:http://youtu.be/kauFdeh0mRI]

O agredido ainda teve forças para se rir da situação.

Conselho aos de Valença a propósito de bandeiras

Bom Povo de Valença:

Lamento, mas com as bandeiras que estais desfraldando nas janelas não ides lá. Experimentai estas:

Bandeira Civil da Galiza

Bandeira Civil da Galiza

Bandeira de Estado da Galiza

Bandeira dos Nacionalistas Galegos

Bandeira dos Nacionalistas Galegos

E se mesmo assim não resultar, há governantes que não entendem estas coisas dos nossos irmãos galegos, com esta vereis abertos dois SAP’s, uma maternidade e um abrigo nuclear do tamanho da vossa fortaleza, paga Madrid:

http://www.rtve.es/swf/v2/RTVEPlayer.swf?assetID=152052_es_videos&location=embed

Faltam 417 dias para o Fim do Mundo:

Nada como começar o dia a relaxar. Quando se sabe que José Penedos vai regressar e que os apoios sociais vão ser congelados, das duas uma: ou fugimos para o outro lado da fronteira ou mergulhamos em boas mãos. Olhem, na primeira hipótese temos como exemplo o Mourinho que anda outra vez feliz.

Mas o melhor, mesmo, é fugir para o virtual e esquecer o real. Uma táctica muito portuguesa…