Esquizofrenia: no terraço do hotel de luxo, junto à piscina em pastilha azul turquesa, enquanto bebem champagne de Champagne em flutes e comem canapés de caviar Petrossian servidos por imigrantes ilegais, os governantes mandam lançar os foguetes, e sorriem muito com dentes branquíssimos, e no céu os foguetes desenham um espectacular relógio com contagem decrescente que só pára em Maio próximo. Os governantes brindam: já está quase! Lá em baixo, na escuridão do túnel da austeridade branca e fina como um estilete, o povo, cheio de cortes por todo o lado, anda aos caixotes, e bebe Camilo Alves do tetrapak, e olha para cima e o que vê? Os governantes a fumar charutos (parece-me que são Davidoffs, mas sem certeza, cá de baixo não se consegue perceber) e a mandar flyers com os números e as palavras acordizadas da execução orçamental de 2013.
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[…] de ler (através de ligação, neste excelente texto da Sarah) a Síntese. Por qualquer motivo que me escapa, lida a Síntese, lembrei-me, não de um, […]
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[…] pensar que és the man e congratulo-me (como muitos mais) com o teu anúncio: cá te esperávamos, um bocado desanimados e já a preparar-nos para beber Camilo Alves, mas sempre acreditando que podia […]






Eu cá bebo água da torneira e detesto charutos seja lá de que tipo forem. Caviar não sei se alguma vez provei, se foi aquilo que comi num casamento pagava era para não comer.
E eu cá não bebo Camilo Alves, pelo menos por enquanto 🙂
Estando de acordo com o texto, corrijo os charutos: são Montecriste e Cohiba, puros habanos.
Saúdo o fim do interregno dos seus posts.
Saúdo-o também eu a si Adelino, obrigada