LOL para todos

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A chamada telefónica estava a meio. Um dos interlocutores, ao meu lado, percebendo que tinha acabado de dizer um disparate no meio da conversa, sorri e diz “LOL”. Uma simples palavra, dirigida a quem estava do outro lado da comunicação. LOL. Assim mesmo, em voz alta. Como se estivesse a comunicar através de programas de mensagens instantâneas na Internet ou através de SMS.

O “LOL”, assim dito, tornou-se estranho. Todos aqueles que utilizam as ditas aplicações num ou noutro momento já utilizaram o LOL (do inglês ‘Laughing Out Loud’, que se pode traduzir por ‘rir às gargalhadas’). Mas assim, de viva voz, soa estranho. Perante a reacção de estranheza dos colegas, vem a explicação: “Sou jovem…”.

Como se todos os jovens falassem assim, pensei mais tarde. Não falam, mas não andam longe. Mais hoje que no passado, usa-se e abusa-se das abreviaturas. É a lei do mínimo esforço. Mesmo que algumas delas não façam sentido. Para dizerem ‘porque’ escrevem ‘pk’, quando poderiam escrever ‘pq’. O ‘que’ vê-se transformado num espantoso ‘k’ e não num simples ‘q’. É uma letrinha apenas, na mesma, então pk – perdão, porquê -, esta mudança? Para já não falar dos imensos ‘x’ que encontramos nestas trocas de mensagens. Algumas são tão fechadas no seu significado que os não iniciados nestas técnicas ficam à nora, sem perceber patavina do que lá está.

O vocabulário está mais estreito mas também mais reduzido. Nas conversas comuns há cada vez menos palavras diferentes a serem usadas.

Há cerca de um ano, o "Diário XII", de Miguel Torga, foi integralmente convertido para "linguagem SMS" por alunas de Comunicação Social do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT), em Coimbra, estando disponível na Internet. Ao contrário do que se possa pensar, esta é uma leitura interessante. Quem sabe pode até ajudar a obra de Torga a chegar a mais jovens.

Este género de escrita não é uma tendência, veio para ficar. No ano passado ficou a saber-se que os jovens alemães até aos 16 anos preferem ‘conversar’ por sms que de viva voz. Até já a utilizam nos testes escolares, para desespero de alguns professores.

Há a história daquelas duas jovens que, no meio do ruído do trânsito, teclavam furiosamente nos respectivos telefones, conversando uma com a outra desta forma para que o pai de uma delas, que conduzia o automóvel, não soubesse o que diziam. Há concursos para ver quem tecla (ou tc) mais depressa. E o caso daquele jovem que não parava de mexer os dedos no interior do bolso do casaco. Escrevia de forma tranquila uma mensagem de sms. Não precisava de tirar o telefone, de ver as teclas, nada, sabia onde elas estavam. De cor e salteado.

Ao contrário de muitas pessoas, sobretudo menos adeptas destas modernices, os linguistas não ficam preocupados com estas variações do português. São naturais e decorrem do uso da língua, dizem. Se assim não fosse, farmácia ainda se escreveria com ‘ph’, assinalam outros. Mais do que por decreto, como um qualquer acordo ortográfico definido por políticos e especialistas em linguística, a língua evolui e transforma-se pelos seus utilizadores, por todo um povo.

Como diz o outro, habituem-se.

Comments

  1. Ricardo Santos Pinto says:

    lol


  2. lol para ti também.
    Sei que já o leste e até comentaste, mas sobre isso, só me posso repetir

    http://atributos-1.blogspot.com/2010/01/como-se-fora-um-conto-acordo.html

    de resto, como bem dizes:

    Habituem-se!

    Abraço

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