Honduras: grandiosa despedida do companheiro Manuel Zelaya

Terras de sol e não poder ver de frente o sol…
Terra de homens e não poder ver de frente o homem.
(Seferis)


Ontem, mais de 350 mil membros da Resistência marchámos em Tegucigalpa até ao fim da pista do Aeroporto Toncontín, no sítio onde Isis Obed Murillo, o nosso primeiro mártir, morreu naquele fatídico 5 de Julho de 2009.

Antes da saída do companheiro Manuel Zelaya, a actividade cultural organizada por Artistas em Resistência, fez mais uma demonstração da vitalidade com que assumimos a luta.

O momento da descolagem do avião foi comovedor, um inesquecível marco histórico pelas centenas de reacções que provocou, palavras de ordem, lágrimas, promessas de vencer e de refundar um novo país, no meio da despedida do primeiro presidente desterrado, em pleno século XXI, na América Latina.

E como demonstração, o acto simbólico da passagem da faixa presidencial para três representantes da Resistência: o jovem David Montecinos, Dionisia, a «Avó da Resistência» e Juan Barahona, dirigente da FNRP (Frente Nacional de Resistência Popular). A ex-ministra do Trabalho, Mayra Mejía, foi a encarregada de lhes entregar a faixa.

Enquanto o Estádio Nacional se enchia de militares, as ruas de Tegucigalpa voltaram a sentir o peso da Resistência Hondurenha, cada vez mais fortalecida e decidida.

O nosso caminho para a Constituinte ganha mais força!

Até à Vitória,
SEMPRE!

( Texto de Fabricio Estrada, fotos de Léster Rodríguez e de Mayra Oyuela)

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Não desistam! A democracia é o único sistema que vale a pena, apesar de todos os outros…


  2. A vergonha das vergonhas. Perfeitamente inserida na nova estratégia golpista dos EUA na América Latina. Como diz Miguel Urbano Rodrigues, “Os EUA, recorrendo a processos diferentes dos tradicionais, conseguiu o que pretendia: afastar um presidente progressista, democraticamente eleito, e substitui-lo por gente da sua inteira confiaça”. É esta a democracia dos EUA, para quem ainda não deu por ela. Os EUA identificam como ameaça a luta pela dignidade que invadiu a América Latina. Venezuela, bolívia, Equador, Uruguai, Nicarágua, El Salvador e Paraguai, ponham-se a pau que o monstro ruge noite e dia à vossa volta. E mesmo não tendo pressa, já começou a cravar as garras. Atolados em guerras perdidas, chupando o sangue a milhões de mortos que vão deixando pelo chão, não aprendem. É uma doença genética, a doença da barbárie, esta necessidade e esta voracidade de dilacerar povos soberanos e amontoar o mundo de cadáveres.

  3. maria monteiro says:

    Como é referido no fim do artigo Miguel Urbano Rodrigues refere que “A nova estratégia intervencionista da Casa Branca para o Sul do Hemisfério é mais intervencionista e perigosa do que a de George Bush. Do Rio Grande à Patagónia os povos começam a tomar consciência dessa ameaça” Boa prática de quem foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz
    Que a comunidade internacional não se cale perante estas estratégias americanas


  4. A comunidade internacional, Maria, não vale um chavo!

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