Merda de artista e outras merdas

Em resposta a este post.

Eis um pequeno vídeo da recente exposição de Anish Kapoor, o primeiro artista vivo a ter uma exposição individual na Royal Academy de Londres. Para o assunto em causa repara nas imagens entre o espaço temporal 1:12 e 1:19 ( mas não deixes de ver o vídeo todo ). Alexandra Lucas Coelho, no Ypsilon, dá uma ajuda: “De resto, entre críticos, curadores e inspiradores, todos aludem a falos, vulvas, vaginas, orifícios, penetrações, intestinos e matéria fecal.”

E que me dizes a isto, especialmente sabendo que “Hirst registou um novo recorde para um leilão dedicado a um único artista, cujo anterior detentor era Pablo Picasso” ? -citação retirada daqui.

Na imagem: Vaca serrada ao meio e conservada em formol, de  Damien Hirst

Dizia eu no meu comentário, por outras palavras, que a afirmação, por parte do artista, de um objecto ou atitude como sendo arte, o transforma imediatamente em tal ( sim, eu sei que é uma afirmação polémica ). Se não acreditas, o que me dizes desta pergunta de Antony Gormley em cuja biografia podes encontrar dados como estes: ” In 1994 he was awarded the Turner Prize and in 1999 he won the South Bank Prize for Visual Art. In 1997 Gormley was made an Order of the British Empire (OBE) for his services to sculpture and in 2003 he became a Royal Academician.” ?

na imagem: Antony Gormley convida-o a ser uma obra de arte.

E, para finalizar, Ricardo ( porque alguma vez teria que terminar, poderia ter começado, por exemplo, no quadrado branco sobre fundo branco (1915) de Malevich até hoje, para validar a minha afirmação ) diz-me lá se há grande diferença entre um cagalhão e quem o produz, sendo que ambos são matéria orgânica tratável pela arte.

PS1: À excepção de Antony Gormley, os outros não fazem parte da minha lista de artistas preferidos – mas não os ignoro nem menosprezo a sua importância. Acontece que respondem, julgo que bem, à pergunta que me dirigiste.

PS2: Deixa lá esse rapazinho que me dás como exemplo. Não duvido que seja boa pessoa, “bom artista” entre os amigos lá da rua dele e bem intencionado ( na sua boa-fé deve julgar que está a inovar ). Como se vê, o comentário do JJC não deixa de ser verdade.

Na Imagem: Piero Manzoni
Merda d”Artista
1961
€120,000 ($162,206)
Sotheby”s Milan
May 22, 2007

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Em Londres vi a arte que consiste em ter uma coluna e lá em cima artistas pagos que se revesam.Incluindo estarem deitados a dormir. Só não percebo é porque não me candidatei…julgo ser a foto de cima.


  2. O logro que é a maior fatia da Arte Contemporânea.

  3. Pedro says:

    Caro Adão: Longe de mim pretender impôr visões sobre a arte a quem quer que seja e muito menos a um pintor.
    Quero dizer, com toda a simpatia, que a arte sempre foi um logro. Desde já por ser inútil – se o não fosse seria arquitectura, design, cantaria, etc. Depois por ser representação – primeiro representação do real, mais tarde como representação de imagens imaginárias (veja-se a pintura religiosa, por ex. com anjos, inferno, auras, aparições, etc) incorporadas na representação do real, após o advento da fotografia e com o desaparecimento da necessidade de representar o real passou a representar ideias, imaginários, pontos de vista, jogos de cor e perspectiva ou apenas manchas e abstracções, como o Adão bem sabe.
    A inutilidade da arte faz dela, como alguém disse, um luxo do espírito. Alguns segmentos da arte comtemporânea – pois só assim se pode falar do fenómeno nos dias de hoje – passaram a privilegiar os conceitos, como os verdadeiros luxos do espírito.
    Logros, num certo sentido, portanto. Arte.

  4. Pedro says:

    Esqueci-me de acrescentar um ponto que me parece importante: Claro que a história da arte está cheia de embustes ( no sentido negativo ). Mas há alguma actividade humana que não esteja?

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