O bailinho de Sócrates

Esta espécie de crise madeirense andava a dar-me comichão atrás da orelha. Sócrates e Teixeira dos Santos defendendo heroicamente o fim da sangria desatada que tem sido o financiamento do Carnaval de Jardim, contra todos, da esquerda à direita? Por reflexo pavloviano via-me obrigado a dar-lhes razão. Isto perante a informação que detinha. Ontem li este texto de Francisco Louçã no Facebook:

Há dois detalhes que pouca gente conhece acerca desta crise política artificial que Sócrates quer criar com a lei das finanças regionais:

1) O PS votou na Madeira, ao lado do PSD, CDS e PCP (só o Bloco não a aprovou), a lei que agora considera que é inaceitável e que poderia provocar a demissão do governo. A lei era mesmo inaceitável (com o voto do PS), porque levava a disparar a despesa e o défice, beneficiando o incumpridor (por exemplo, se o défice era ilegal, a dívida seria transferida para o país inteiro no mesmo montante da ilegalidade… Alberto João Jardim ganharia duas vezes). O Bloco conseguiu impedir esse disparate, retirar mais de 150 milhões desse despesismo, impor regras e conseguir transparência.

2) O Governo, que agora contesta esta lei (que o PS aprovou na Madeira), deu 79 milhões de euros ao governo regional da Madeira em aumento de dívida, em Dezembro deste ano. Foi Sócrates quem decidiu essa benesse, contra o parecer do ministro Teixeira dos Santos, que terá mesmo pedido a demissão. O governo que deu 79 milhões de euros debaixo da mesa não está disposto a impor uma lei que de controlo das contas e da dívida.

Assim se percebe como esta crise é artificial.

E a comichão passou-me num instante.

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