Sócrates, Manuela Moura Guedes, Eduardo Moniz e os sapos

Entendamo-nos: Eu achava o programa de “informação” apresentado às sextas-feiras por Manuela Moura Guedes abjecto. Por isso não o via.

O cidadão José Socrates e seus acólitos eram livres de achar o mesmo que eu ou, até, pior. Desligavam a televisão e não viam. Sabendo-se insultados faziam o que faz um cidadão: queixavam-se a quem de direito, os tribunais.

O primeiro-ministro José Sócrates espero que não tivesse tempo para perder com o programa porque estava ocupado com assuntos do país, portanto não o via. Sabendo-se insultado fazia o que faz um cidadão a quem acontece ser primeiro-ministro. Como não tem tempo a perder com minudências, manda processar o programa. Ou não, se quiser passar a imagem de quem convive bem com as críticas. Toma a decisão – espera-se que um primeiro-ministro tome decisões – de apresentar ou não apresentar queixa e age em conformidade.

O cidadão-primeiro-ministro José Sócrates quis o melhor de dois mundos. Passar a imagem de quem convive bem com a crítica e acabar com ela como se fosse primeiro-ministro-cidadão do Irão.

Eu, olhando os personagens, não me sinto bem com nenhum. Mas, neste caso, estou com Moniz e Manuela Moura Guedes. Informo o cidadão José Sócrates que engoli um sapo para escrever esta última frase. Peço ao cidadão José Sócrates que informe o primeiro-ministro José Sócrates de que engolir sapos faz parte do cargo.

Não gostando de sapos resta a demissão.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Está muito bem escrito. A última questão em Portugal é a falta de credibilidade, Ninguem acredita em ninguem, e Sócrates contribiuiu para isso como ninguem…

  2. Maria Santos says:

    O que importa exactamente é aquilo que eu penso e não o que os média me tentam impingir. Deduzo, pelo comentário sobre o assunto Moniz/Sócrates que seria obrigatório tomar partido por um dos opositores. O que acontece é que as responsabilidades do 1º Ministro são largamente superiores à de Moniz e este último não tem qualquer legitimidade para pedir o afastamento de Sócrates. Era o que nos faltava se todo e qualquer ressabiado viesse pedir a queda de um ministro só porque não lhe fez a vontade. O casal Moniz/Guedes já tem idade para não fazer birras. Todos sabemos que estão a soldo de interesses privados cujo único propósito é rapar os últimos cêntimos de um país à beira de um abismo. E fazem isso, dizem eles, em nome do interesse do país. Queremos é ver-nos livres destes e doutros parasitas.

  3. Pedro says:

    Maria, eu também não acho que um primeiro ministro deva demitir-se só porque alguém o pede. O que eu digo é que um primeiro ministro tem que conviver com a liberdade de expressão e de imprensa e, por isso, engolir alguns sapos. Quem não esteja disposto a isso, não pode ser primeiro-ministro.

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