As minhas memórias e a segunda morte de Allende

Derradeiro discurso de Allende, Rádio Magalhães, as 14 horas, antes da sua morte

Bem sei que estamos no mês de Abril e que a primavera devia estar em pleno esplendor, com árvores carregados de frutos ou de promessas de deliciosas laranjas, amêndoas, maçãs e outras que nem me queria lembrar para não parar a escrita e ficar doente de tanta doçura. Promessas de frutos que podem ou não acabar em flor. Entre Chile e Portugal, as épocas estão cruzadas: estamos em Outono no Chile e em

Primavera em Portugal. Apesar de estes cruzamentos, nós parecemos estar em Outono pelos debates que temos e no Chile, em Primavera, por causa do alto PIB.

Aliás, são épocas que me fazem lembrar problemas políticos de sangue e arena. Sangue, porque na Primavera do Chile foi assassinado o Presidente da República, Salvador Allende, enquanto em Portugal se pudessem acabar com o nosso Primeiro-ministro, acabado estaria. José Sócrates, como Allende no Chile, têm feito o impossível para mater a Nação como deve ser: alta produtividade, baixa divida. No entanto, estamos a viver uma situação impossível: faz já vinte anos, que a história económica de Portugal, entrou em falência. O país entrou para a Comunidade Europeia, como todos sabemos e como tenho referido noutros textos. Infelizmente, o dinheiro que correspondia a Portugal, não foi investido, foi gasto. Falta de poupança realizada bem antes do nosso actual Primeiro-ministro entrar nas aventuras de vida política. No entanto, é acusado que os seus projectos de Economia e Crescimento, vão a arruinar ao país. Como? Se o nossa nação já estava em falência. O que Sócrates fez, uma tentativa para salvar o deficit que temos desde faz muitos anos. Como Allende no Chile: confiscou todas as riquezas em mãos estrangeiras, nacionalizou tudo o que era chileno, o que acabou por o levar à morte, como tenho comentado em outros ensaios.

Uma entrevista realizada ontem a noite, por dois aprendizes de feiticeiros quanto a entrevistas, tentaram encurralar o nosso Primeiro-ministro, que nem tempo tinha para explicar o pretendido. A conversa fechou-se no Programa de Economia e Crescimento, uma excelente ideia para tirar o país da falência, como tem acontecido na maior parte dos países da Europa, excepto na Alemanha, que parecem ser, como diz Sócrates, o país proprietário dos outros países e das suas dívidas. Dá conselhos que nada adiantam para os outros países, bem ao contrário: o encontro do nosso líder socialista com a Chanceler Alemã Angela  Merkel do Partido da Democracia Cristã, o que tem causado a desgraça do nosso PM. Bem sabemos que moramos e vivemos num país cristão, que sem Fátima não existiria. Crentes ou não, Fátima, como tenho definido antes, é o altar da pátria, mas com minúscula, porque quem comanda não é a denominada Nossa Senhora, é o Primeiro-Ministro, mas até um limite. Os Partido que o encurralaram e o levaram a demitir-se do seu cargo, excepto os de esquerda, são todos católicos cristãos. Os não cristãos, têm outra bulha com ele. Penso eu por causa de entrar en acordos com Merkel, mulher cristã, do desgosto da nossa esquerda.

Os jornais comentam tudo, nem é preciso acrescentar mais.

Mas o que me causa um tremendo desgosto, foi a entrevista solicitada para o Canal de TV 1. Apenas olhar para essa cara cheia de raiva dos entrevistadores, especialmente a rapariga cujo nome oculto, é para morrer de tédio e de desgosto. Em menos de 30 minutos, foi julgado na praça pública, nem tempo teve de ripostar: os jornalistas até lutavam entre eles para ver qual seria o melhor para julgar. É a moderna juventude, que nem respeito guarda pelas hierarquias, apenas querem lucrar com a melhor entrevista. O tiro saiu pela culatra. Foi a pior entrevista que tenho visto para um PM.

As negativas aos PEC, responder quase todos os dias à Assembleia que nem alternativas tinha para propor e nos salvar da falência, na que Sócrates, como todos, sabe que estamos, quase um buraco sem saída. Um Allende tirou ao Chile do buraco. Sócrates não foi capaz.

Allende era um respeitoso da crença dos outros e acompanhava o povo e o exército na comemoração de Padroeira Jurada do Chile, desde 1818. Sócrates, acompanha os Papas e o Santuário de Fátima por cortesia.

A entrevista referida causou-me, assim como os jornais diários, um imenso nojo que me faz pensar que estes ataques a um líder solitário, é como a segunda morte do meu querido Presidente, Salvador Allende, em formatos diferentes: Allende não mentia e foi assassinado. Sócrates pode querer enganar, mas é morto pela Assembleia e a televisão. Será que é a morte de um líder abandonado? Será o seu comportamento como a segunda morte de Allende?  Será que é possível comparar dois líderes em aperto político e económico, mas em formato diferente? Todo socialista mal comportado, é mais uma morte do melhor político que teve a História, pelos menos, no Chile.

Saibamos assim o que é um bom político e o exemplo de dar a vida pelo povo, e outro que dá para pensar….

Bem sei que todos opinam que é um terreno pesado e delicado de falar. Mas, se não comparamos, como saber qual o trigo e qual o joio…

Raúl Iturra

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