O mistério das 3 PPP

Hoje, mesmo a meio de um fim de semana invulgarmente longo, soube-se que o balanço das contas do engenheiro que mais fez pelo défice voltou a agravar-se. O INE fez saber que as  contas públicas têm agora um défice de 9.1% do PIB.

A justificação é enrolada mas tem um aspecto curioso. Diz o INE que dos contratos analisados,  “três deles (dois dos quais correspondendo a contratos renegociados de ex-SCUT) não têm a natureza de contratos PPP em que o investimento realizado é registado no activo do parceiro privado.”

Duas ex-SCUT? Quais? E qual é o terceiro contrato? Procurei no INE e na comunicação social mas não encontrei resposta. Devo ser eu que sou picuínhas.

E o coelhinho, pá?

A intolerância pica o ponto

Ainda a propósito de uma tarde de tolerância de ponto, referi o patrão dos patrões, António Simões, um homem que veio do grupo Mello esse grande beneficiário das parcerias público-privadas em particular na área da saúde. À porta do FMI não teve pejo em fazer queixinha, que não podia ser, era uma vergonha, devia estar tudo a trabalhar, etc. etc.

Apesar das críticas públicas à iniciativa do Governo, enquanto empresário António Saraiva foi ainda mais longe ao dar tolerância de ponto aos seus funcionários que ontem não trabalharam durante todo o dia. Confrontado pelo PÚBLICO, o patrão dos patrões acabou por confirmar que tinha dispensado todos os seus funcionários. “Dei tolerância de ponto, porque acabo por ter ganhos em termos energéticos e de transportes. Se não fosse assim, não teria dado”, justificou, para acrescentar: “A actividade privada fará de acordo com a avaliação empresarial; a actividade pública tem responsabilidades”.

São estes os nossos gestores de topo. É esta a coerência dos que vivem encostados ao estado, dele e dos seus funcionários tudo exigindo. Em troca, em média um terço das empresas portuguesas declara ter tido prejuízo, e dois terços não pagam IRC. É por causa desta gente que estamos como estamos. O resto são mentiras.

Fernando Nobre, Bandex e a vantagem financeira

O que se passa com Soares?

Mário Soares, inegável raposa velha, não dando ponto sem nó, lançou no panorama político estas pérolas, numa entrevista ao jornal i:

Se é possível atribuir culpas, de quem foi a culpa de termos chegado aqui, à necessidade de pedir um empréstimo ao FMI outra vez?

Para responder com isenção a essa pergunta, dir-lhe-ei que as culpas são repartidas. Não interessa nada agora afirmar que as culpas são de uns ou de outros. (…)

Porque é que Sócrates e Passos Coelho não se entendem?

(…) Custa-me a compreender isso. (…) É verdade, acho que [Passos Coelho] é uma pessoa com quem se pode falar e acho que é necessário falar com ele e, se possível, chegar a acordo (…).

A ideia de pedir um compromisso aos partidos foi sua?
Não, a ideia foi de várias pessoas. Reuniram-se espontaneamente porque estavam ansiosas quanto ao que podia acontecer. Naquele dia, de quarta para quinta-feira, em que chegou a temer-se que houvesse uma corrida aos bancos para levantar o dinheiro, as pessoas começaram a ficar aflitas, os banqueiros em primeiro lugar, mas não só, as pessoas mais variadas, de todas as condições e de todos os partidos. Houve então uma meia dúzia de pessoas que se puseram de acordo para fazer um apelo aos responsáveis dos partidos, para se entenderem entre si, sem se injuriarem nem atribuir reciprocamente as culpas. (…)

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Passos Coelho tem dupla personalidade

De acordo com o DN, Mário Soares terá afirmado ao i que Passos Coelho é “bem-intensionado”. No i podemos ler que, afinal, Passos Coelho é “bem-intencionado”. São discordâncias como estas que deixam o leitor confuso, sobretudo se for um leitor que acredita que os jornalistas devem saber português.

Entretanto, Mário Soares lá vai amassando o barro do centrão (no DN, escreve-se sentrão). Numa coisa, concordam os diários: Passos Coelho é alguém com quem se pode falar. Resta saber se é alguém que saiba ouvir.

Estado da Educação: um balanço

No Público de ontem, é possível ler-se um balanço sobre a Educação. Há contributos de gente de todos os partidos representados na Assembleia, para além de declarações de Ana Maria Bettencourt, Mário Nogueira e Paulo Guinote, entre outros.

Ainda não li tudo, mas deixo aqui alguns comentários àquilo que o deputado Bravo Nico, do PS, considera terem sido as grandes mudanças:

A maior requalificação de sempre no parque escolar, materializada através da construção de centenas de Centros Escolares (que substituíram a rede atomizada e inorgânica das antigas escolas primárias) e da completa requalificação do universo de Escolas Secundárias.

O outro lado da questão é o acentuar da desertificação do interior, para além da escuridão que são os negócios da Parque Escolar.

Também de relevar o significativo investimento na infra-estrutura tecnológica nas escolas e nos equipamentos de aprendizagem (caso do Magalhães);

Temos, aqui, o habitual exercício de provincianismo que confunde manobras de relações públicas (distribuição acéfala de tecnologia) com melhorias educativas. Qual será o destino dos Magalhães?

A aposta no ensino profissional, ao nível do ensino secundário, aproximando Portugal dos índices da OCDE;

Seria importante analisar seriamente de que modo o ensino profissional se transforma, por vezes, numa manobra de criar sucesso artificialmente.

O alargamento da escolaridade obrigatória para os 12 anos e a universalização do pré-escolar para as crianças de 5 anos;

O alargamento da escolaridade obrigatória constitui mais uma manobra de propaganda. Será posta no terreno à custa de muita cosmética estatística. [Read more…]

comida de lixo

caixote de lixo

A indignidade causada ao povo, pelos depositários da nossa Soberania.   

COMIDA DE LIXO

É um caixote de lixo. É o prato desses que nada têm para comer. É o sítio onde todo o povo que não tem dinheiro procura a sua alimentação, pessoas que, ainda que tivessem alimentos, não têm dispensas onde os guardar. É o caixote de lixo. O armário do desamparado. Comida podre que ajuda a manter a vida em solidariedade com os solitários sem trabalho, sem amparo, sem cunha para procurar alternativas de criar bens ou lugares para trabalhar e ganhar a sua vida. Lugares tão divididos entre a população, que ninguém tem oportunidade de uma vaga para laborar. [Read more…]

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