O povo unido ficava menos f*

Malevich, Suprematismo em 8 rectângulos
Malevich, Suprematismo em 8 rectângulos

Percebemos que o país bateu no fundo quando assistimos a uma aproximação entre BE e PCP. Não porque essa aproximação seja uma má notícia, muito pelo contrário, mas porque o simples diálogo entre os únicos partidos parlamentares que não têm qualquer responsabilidade governativa, distin-guindo-se por todos os seus deputados não ganharem nem mais um euro do que ganhavam antes de irem para a AR, demonstra que aqueles que fazem política por causas, e não por causa dos seus interesses pessoais, se entenderam na necessidade de se mostrarem como alternativa, aliás a única alternativa possível à dupla José Dupont & Pedro Dupond que se pretendem candidatos ao poder com estatuto de exclusividade.

Por maior que seja a pressão dos seus próprios eleitores não acredito numa coligação eleitoral (cujos benefícios Ricardo Alves demonstrou). Já um programa comum de governo, por muito minimal que fosse, era um progresso assinalável, e que poderia ter benefícios concretos. Em muitos distritos (pelo menos Aveiro, Beja, Coimbra, Faro, Portalegre, Porto, Viseu, Setúbal e Viana do Castelo) uma deslocação de votos para o partido mais bem colocado traduzir-se-ia em mais deputados de esquerda. Não falo em desistências formais, mas há muitas formas de em campanha essa deslocação se proporcionar.

A reacção da direita a estas aproximações, como sempre primária e assustada, demonstra que o objectivo de garantir 25% dos deputados, única forma de salvar a constituição, não é impossível. Precisa é de ser muito bem explicado aos abstencionistas, e de que estas aproximações sigam no sentido da unidade dos partidos que não são iguais aos outros.

*odido

Sócrates sucede José

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Esta imagem faz parte da promoção que a RTP está a fazer à entrevista que hoje à noite Sócrates dará ao canal público. De quem será o grafismo? Da RTP ou preparado pelos profissionais de “comunicação” do PM? Deve-se a pergunta a constatar que o “S” vem antes do “J”. Sócrates sucede José.

Aproveito para deixar o que antevejo para esta entrevista. Veremos um político queixar-se do que a oposição lhe fez (e ao país, talvez), perfeitamente na linha da linha de discurso já definida, sem que os jornalistas confrontem o PM com o crescimento linear dos problemas. Veremos um candidato acusar a oposição de ter criado problemas ao país por não lhe aprovar o PEC IV mas surja as perguntas “Se o caos vinha aí, porque não engoliu o sapo e não se demitiu? Porque é que não colocou à frente o interesse de Portugal?”.

Benfica: o tamanho é importante

O Futebol Clube do Porto, tal como tem acontecido nos últimos trinta anos, foi a melhor equipa e, consequentemente, alcançou mais um título de campeão nacional. Parabéns ao campeão!

É em momentos como este que todos – vencedores e derrotados – têm uma oportunidade de ouro para demonstrar grandeza, respeitando quem perde e elogiando quem ganha.

Como cidadão desejoso de viver num país civilizado, gostaria que o desporto, de uma maneira geral, fosse uma exibição de virtudes, mesmo sabendo que isso não é fácil, devido à mistura de elementos tão voláteis como a paixão ou a adrenalina. Em vez disso, o desporto é mais uma área em que impera o chico-espertismo, a estupidez tribal e a pequenez.

O que se passou no Estádio da Luz, ontem, no final do jogo, foi uma demonstração de pequenez e qualquer instituição, como qualquer pessoa, será sempre do tamanho das suas atitudes. O Benfica, clube de que sou adepto, encolheu mais um bocado e confirmou o desejo de se manter entre os piores. Já se sabe que aparecerão muitos benfiquistas a defender o indefensável, fazendo referências a comportamentos similares por parte do adversário de ontem e poderemos ouvir os nossos adversários a contrapor com outras histórias parecidas passadas anteontem, numa actualização vertiginosa da fábula do lobo e do cordeiro.

É certo que, se o futebol fosse uma ilha – ou, pelo menos, uma península – rodeada de grandeza, a preocupação seria menor. O problema é outro: o futebol é, ao mesmo tempo, causa e consequência de muito do que temos de pior. O país é do tamanho do futebol e o Benfica é do tamanho do país.

Corrida às eleições: nós e Tencha de Allende

Horténsia Bussi de Allende
Horténsia Bussi de Allende

CORRIDA ÀS LEGISLATIVAS. UM EXEMPLO DE CALMA.

OIÇAM, PEDRO PASSOS COELHO E JOSÉ MANUEL SÓCRATES

Uma Breve e Querida Homenagem de exemplo de calma. Estamos em eleições, todo o mundo corre, agita-se, fala mal dos contrários, louvam os seus candidatos e nem se lembram da lei, lo que nunca foi o caso com a Tencha, que entrego como exemplo de paz e confiança!

Hortensia Bussi Soto de Allende nasceu a 22 de Julho de 1914 e faleceu em Junho, 18, 2009) Formou-se na Universidade do Chile, em Santiago do Chile em História e Geografia. Para pagar os seus estudos, trabalhou como Bibliotecária do Gabinete Nacional de Estadísticas.

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Aleluia!

 

Dúvida? Não. Mas, luz, realidade
e sonho que, na luta, amadurece.
– O de tornar maior esta cidade.
Eis o desejo que traduz a prece.

Só quem não sente o ardor da juventude
poderá vê-la, de olhos descuidados.
Porto – palavra exacta. Nunca ilude.
Renasce, nela, a ala dos namorados!

Deram tudo por nós estes atletas.
Seu trajo tem a cor das próprias veias
e a brancura das asas dos poetas…
Ó fé de que andam nossas almas cheias!

Não há derrotas quando é firme o passo.
Ninguém fale em perder! Ninguém recua…
E a mocidade invicta em cada abraço
a si mais nos estreita. A pátria é sua.

E, de hora a hora, cresce o baluarte!
Lembro a torre dos Clérigos, às vezes…
Um anjo dá sinal quando ele parte…
São sempre heróis! São sempre portugueses!

E, azul e branca, essa bandeira avança…
Azul, branca, indomável, imortal.
Como não pôr no Porto uma esperança
se “daqui houve nome Portugal”?

Pedro Homem de Mello