Mais consenso ainda?

Parece que anda por aí um apelo ao consenso, que é preciso que os principais partidos políticos se entendam e que os partidos menos principais se mantenham nas franjas, até porque são imprestáveis para a governação, ao contrário dos que têm governado nos últimos trinta anos, sempre tão prestáveis, como se pode avaliar pelo estado do Estado.

Mas será possível haver maior consenso do que aquele que tem sido praticado pelos partidos que têm ocupado o poder? Todos gastaram mais do que podiam, todos transformaram o Estado numa plataforma de negócios privados com dinheiros públicos, todos vêem o poder como uma agência de empregos para a multidão de lambedores de botas criados pelas juventudes partidárias. São estes mesmos partidos que vivem neste consenso há anos que, agora, vão resolver os problemas que criaram?

O país está em crise por causa do consenso. Abaixo o consenso!

História e estórias

Gosto muito dos romances de Vasco Pulido Valente. Nunca percebi muito bem porque insistem as editoras em catalogá-los de livros de História (uma ciência que tem como primeira premissa citarem-se sempre as fontes), mas o pessoal do marketing tem destas coisas.

Também sou leitor assíduo das colunas de humor que vai mantendo nos jornais.

Tudo isto a despropósito da piada de hoje no Público, que o Nuno Ramos de Almeida e o Ricardo Noronha já desmontaram.

As generalizações são perigosas, mas se a VPV acrescentarmos Rui Ramos e Maria Filomena Mónica, todos muito expeditos na arte de confundir opinião com ciência, e muito distraídos quanto às fontezinhas (Filomena Mónica um pouco menos, convenhamos), entenderão porque tenho pelos historiadores doutorados em Inglaterra a mesma consideração que terei por um doutorado em História no Burkina Faso.

Ana Maria Bettencourt: outro membro da coligação negativa contra a Educação

 

Em entrevista ao Público de ontem (não disponível na Internet), Ana Maria Bettencourt, presidente do Conselho Nacional de Educação, reaparece para voltar a dizer o que já disse várias vezes. Entre outras coisas, diz que não pode haver tanto abandono e tanta reprovação, que as escolas devem detectar e apoiar com celeridade os alunos com problemas e que “não se pode contar com as famílias”.

Relativamente aos dois primeiros pontos, nada a opor. O problema é que isso exige recursos humanos suficientes, o que não acontece em escolas com falta de psicólogos e de assistentes sociais, com falta de tempo para o trabalho individual dos professores, com um estatuto do aluno que serve para mascarar o abandono escolar, com a diminuição do número de funcionários não docentes, com o amontoamento de escolas em mega-agrupamentos, entre muitos outros aspectos. Um Conselho Nacional de Educação teria de chamar a atenção do governo para todas estas questões, mas, para isso, teria de ser um organismo independente e não uma instituição que serve para produzir estudos e conclusões que sustentem as políticas educativas desse mesmo governo.

Depois, já não é a primeira vez que Ana Maria Bettencourt aparece a desvalorizar a importância das famílias no sucesso escolar dos alunos, caminhando ao contrário da ideia de que é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança. A senhora, servil como habitualmente, pretende acentuar a ideia de que os governos devem reduzir ao mínimo políticas sociais, como já tive ocasião de afirmar aqui.

Entretanto, nesta reportagem, ficamos a saber que o sucesso dos alunos apoiados pela EPIS (uma instituição de contornos suspeitos, é certo) está também ligado à mediação que é feita entre professores, alunos e famílias. Estranhamente, um dos parceiros da EPIS é o Ministério da Educação. Em que ficamos? Contamos com as famílias ou não?

Ode aos insubstituíveis

Jaime Gama disse: “Não há pessoas insubstituíveis no PS”. Como é óbvio, Gama falava dele próprio…

O congresso para aquecer para o próximo

Em Matosinhos há dois congressos: o do palco e o da bancada. No palco, a união em torno do líder. Na bancada, há a convicção de um novo congresso dentre de três meses – depois das eleições, portanto.

Inspirado pela Islândia

Com um beijo me trais ou a bênção ao próximo?

“Um dos mais talentosos e mais capazes políticos portugueses”. A frase foi de José Sócrates. O destinatário Francisco Assis.

Ó, Zé!

Há sempre um lado popular latente nos congresso do qual eu gosto muito. Lá fora há quem beba “finos”, cá dentro António Vitorino grita ‘Ó, Zé!’. O mesmo Zé que é há seis anos é primeiro-ministro.

O azeite vem sempre cá acima, ou a prova dos nove:

Porque não apoiei a candidatura de Manuel Alegre à presidência:

Alegre defende que diálogo de esquerda não pode excluir o PS

Porque é que, vai para uma década, insisti com os meus camaradas no BE que a luta contra a co-incineração conduzida por Boaventura Sousa Santos estava derrotada à partida, e procurar esquerda no mesmo BSS era uma perda de tempo:

“Um Compromisso Nacional” recolhe apoios de peso

Também me engano, muitas vezes não tenho razão, mas da esquerda em Coimbra ainda sei umas coisas.

Apagão em Matosinhos

Por aqui também faltou a luz, mesmo antes do almoço. Não foram accionados os sistemas de rega, mas como o congresso em Matosinhos toda a gente desconfia do Marco António Costa.

Jorge Gabriel do PS

José Sócrates tem feito o papel de apresentador do congresso. Num clima próprio de globos de ouro, apresentou Francisco Assis como cabeça de lista pelo Porto e agora acaba de lançar Ferro Rodrigues, novamente, para o estrelato do parlamento.

O realizador que queria agitar consciências

Morreu Sidney Lumet, 86 anos. O realizador que preferia as ruas de Nova Iorque às alamedas de Hollywood. Deixou, para a história, alguns filmes que ficam para a história do cinema. Como “12 Homens em Fúria”, “Serpico”, “Um dia de Cão” e “Escândalo na TV” (Network).

Sidney-Lumet

Admitia que o objectivo do cinema era entreter, mas o tipo de filmes em que acredita ia mais longe. “Obriga o espectador a examinar um factor ou outro da sua própria consciência. Estimula o pensamento e faz fluir a mente”.

“12 Homens em Fúria” foi o seu primeiro filme e o primeiro sucesso. Marcou muitas das histórias que se seguiram sobre o funcionamento da justiça e dos tribunais nos EUA. O maior dos seus filmes, apesar da marca de “Serpico” e “Um dia de cão”, foi mesmo Network (1976), que abordava o universo da televisão e de um apresentador que apontava o dedo, de forma inclemente, à hipocrisia da sociedade dos EUA.

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A partir de Matosinhos, um, dois, três

Este é o meu primeiro texto no Aventar e estou operacional a partir de Matosinhos onde sou testemunha do congresso do PS. Ao mesmo tempo que escrevo este post, a sala está ao rubro: um vídeo com as figuras mais marcantes do PS passa ao som de That’s What Friends are For de Dionne Warwick. Detalhe: apareceram, pelo menos, duas imagens e meia de Manuel Alegre.

Os pais não contam comigo

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Conferência Proferida no Instituto Irene Lisboa, Coimbra.

Pequena nota introdutória.

Estamos a viver um momento de depressão económica, com crise política, encontros e desencontros entre poderes, bem como entramos em falência e foi preciso pedir dinheiro emprestado aos fundos criados para estes problemas, contra a vontade do PS e do seu líder, o Primeiro-ministro.

Entretanto, há um julgamento de professores por causa da sua avaliação, sem regra nenhuma.

Quem se lembra das crianças e dos seus objectivos, esquecidos pelo caos político, que nos abala. Tinha esta conferência guardada, lembrei-me e pensei que era adequado para o momento que vivemos e para o futuro da criança.

1. A criança.

Parece-me, como ponto de partida, ser bom definir o que é uma criança. Especialmente, porque a frase que intitula este texto foi proferida por uma criança. [Read more…]

Sócrates e a escola pública a caminho da privatização

Quanto à educação, Sócrates concentrou-se no combate em torno do contratos de associação com os privados, no enorme investimento que terá feito nas escolas e nas propostas do PSD para dar ao ensino privado um papel não apenas complementar, mas de parte integrante do sistema público. (…) Sendo justo, este é o único exemplo de que Sócrates tem autoridade para falar. É verdade que, apesar dos enormes erros que cometeu na relação com os professores, investiu na rede escolar pública e tentou moralizar a mesada que o Estado dava a escolas privadas.

Isto é não é verdade Daniel Oliveira. O que Sócrates fez na escola pública foi prepará-la para a municipalização e posterior privatização. Nomeou como ministra uma especialista em sociologia das profissões com a única missão de transformar as escolas em meras empresas: a pseudo-avaliação dos professores, e sobretudo a actual lei de gestão escolar transformaram as escolas num “pronto a privatizar” sedutor. Os mega-agrupamentos fazem delas negócios apetecíveis.

Quanto aos contratos de associação deixa-me rir: até este ano lectivo, ou seja durante 5 anos, aumentaram todos os patrocínios aos colégios, ou seja à Igreja e ao grupo GPS. Houve uma pequena redução agora, perfeitamente ridícula, continuando-se a sustentar colégios no centro de uma cidade com escolas públicas às moscas onde os professores são obrigados à oração matinal, e as notas são critério da admissão dos alunos.

O investimento na rede escolar passou por encerrar escolas que encerram aldeias, por uma Parque Escolar que passa a proprietária dos edifícios e entregou o grosso dos trabalhos aos amigos do costume.

E nem falemos das Novas Oportunidades (por acaso também um negócio com que alguns se encheram), ou da propaganda magalhães (uma boa iniciativa se os professores tivessem tido formação para os utilizar, mas que se ficou por uma mera campanha à Valentim Loureiro).

O programa Sócrates para a educação reduziu-se a um único objectivo: privatizar por aí. Pode calhar a outro o golpe final, o trabalho de casa está feito.

Por uma vez estamos de acordo

Sócrates faz ataque ao PSD e apela ao voto útil à esquerda

Sim, voto útil à esquerda. Contra a direita, CDS, PSD e sobretudo contra o inútil PS que nos tem governado. Já chega de lambedores das botas dos banqueiros, gente agachada perante a Merkel, vendedores do país em suaves privatizações mensais. Já chega de ataques à escola pública, ao SNS, aos mínimos direitos laborais. Já chega de pagarmos todos os BPN´s, os submarinos, as parcerias público-privadas. Já chega.

Voto útil à esquerda, sim: do outro lado estão 3 alunos da mesma escola: a JSD. Nenhum é diferente entre si no essencial: são os 3 iguais mesmo com as suas pequenas diferenças cosméticas particulares.

O Vale do Tua

O vale e a Linha do Tua no período pré-filosófico. Só falta aqui é betão

A degradação das contas públicas

Os nossos amigos escritores de guiões políticos saíram-se com esta:

Está a falar (…) daquele político [Sócrates] que recebeu em herança um país destroçado pelos governos PSD/CDS-PP e que, após colocar o défice abaixo do limite imposto no PEC (pela primeira vez em Portugal), levou em cima com a maior crise financeira e económica dos últimos 80 anos.

Há dois aspectos a considerar. Primeiro basta reparar, no gráfico seguinte, que desde 1975 e salvo um breve período, a dívida pública não parou de crescer a pique. Houve ali aquele patamar de 1985 a 2000, correspondendo aos rios de dinheiro que vieram da “Europa”, mas de 2000 em diante voltou-se ao mesmo, que foi gastar mais do que se tinha. Ora, Sócrates em 2005, 2006 e 2007, quando não havia crise financeira ou económica alguma, o que é que fez? Simples, continuo a gastar mais do que tinha. Portanto, levar com a maior crise dos últimos 80 anos teve o impacto que teve porque (entre outras más opções) o endividamento foi descontrolado. Claro que é mais conveniente passar a culpa para os “outros”.

Dívida Pública em percentagem do PIB 1850-2011

Dívida Pública em percentagem do PIB 1850-2011 –  Gráfico parte do livro “Portugal na Hora da Verdade”, de Álvaro Santos Pereira, a sair dentro de duas semanas.

Em segundo lugar, há que esclarecer essa história do histórico défice baixo.

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Hortensia Bussi Soto de Allende, exemplo de política

salvadorallende1.jpgEstamos em campanha para renovar a Assembleia legislativa de Portugal. A data ainda está longe, mas há exemplos ma vida que devemos entender para nunca imitar, como o assassínio do Presidente Allende, a elite da povoação que  incentivou esta morte e a de muitos outros e o exílio eterno de um milhão de chilenos, entre esses, eu. [Read more…]

Que PS é este?

Sócrates tem sido só o PM “socialista” de cariz neoliberal sem precedentes no seu partido.  Num pequeno país de economia frágil, ultrapassou largamente as derivas de Tony Blair, o grande autor do ‘New Labour’. As políticas de Sócrates, em 6 anos, deixam para a posteridade muitas  mazelas, de que destaco:

  • a duplicação do endividamento externo do País;
  • a submissão absoluta aos interesses dos grandes empreiteiros e banca através da expansão de negócios de Parcerias Público-Privadas;
  • a revogação e a criação de leis laborais muito penalizantes para os trabalhadores – com uma tal intensidade que nem Bagão Félix se atreveu a utilizar;
  • a eliminação de direitos dos cidadãos em matéria de acesso a cuidados de saúde e outros benefícios assistenciais;
  • a extinção de prestações sociais históricas, como o ‘abono de família’;
  • o record das mais altas taxas de desemprego da democracia pós-25 de Abril;
  • negociatas e trapalhadas a torto e a direito, umas vezes com a chamada do tio Monteiro à boca de cena, outras com a exposição de ‘boys’ do tipo Rui Pedro Soares.

Todavia, a despeito de  curriculum e desempenho sórdidos, Sócrates galvanizou, em euforia, a plateia do Congresso com golpes de baixa política e um apelo de voto útil à esquerda. À esquerda? Que descaramento!

Da demagogia e do talento de Sócrates para o topete, já conhecíamos o suficiente. Dos patéticos sorrisos do veteraníssimo Almeida Santos, também. Da capacidade ‘político-plasticina’ de Jorge Lacão, idem. O que, de facto, me impressionou foi o acéfalo entusiasmo dos militantes que, em delírio e sem ponta de consciência política ou mesmo de respeito por outros candidatos, caucionaram, sem reservas, a nefasta liderança do “engenheiro” que, pelo menos, para a respectiva ordem profissional é falso. Tanto como para a política, acrescento eu.    [Read more…]

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