Com Santiago Carrillo e La Pasionária, outro galo cantava em Portugal – uma homenagem para nuestros hermanos

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Dolores Ibárruri em 1978

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Santiago Carrillo

Apenas cinco dias antes

Longe de mim menosprezar a Álvaro Cunhal, a Miguel Portas, a meu pessoal amigo Francisco Louçã. Longe de mim! Mas, quando ficamos habituados desde muito novos a ouvir sobre Isidora Dolores Ibárrubi Gómez, como se for o diabo em pessoa e Santiago Carrillo a sua contraparte, ficamos surpreendidos, já adultos, em saber que eram dois seres humanos que lutaram junto com tantos para obter uma República em Espanha, após renuncia ao trono de Alfonso XIII de Borbón e Orleáns, avô do Rei atual, surpreende-nos a luta empreendida por eles para ganhar a liberdade que o Rei não concedia com o pagamento de Impostos e taxas de juro elevadas, foros pelas terras que possuíam os trabalhadores do campo de outros, como os da minha família a aristocrata Carretero-Molano.

A minha família, confesso, membros da Corte Espanhola, podia pagar e lucros que podiam ganhar com o trabalho de outros. Notários e engenheiros do rei, viviam sempre na corte e as suas mulheres, quando eram jovens filhas, Damas de Companhia da Rainha em Sevilha e as suas filhas também. É uma confissão que faço em homenagem aos meus correligionários marxistas. Descendentes de condes, três de nós, filhos passam a categoria de deserdados. Somos proletariados intelectuais.

Eles eram do PCE, desde sempre. La Pasionária, viúva de um operário do carvão de Astúrias, nascida no país vasco, quem teve que lutar para sustentar a família e militar por um partido a que se afiliara em 1918 Ibárruri casa-se aos 21 anos de idade com Julián Ruiz, com a oposição de seus pais que desaprovavam as ideias socialistas do futuro genro, e no mesmo ano nasce sua primeira filha Esther, que morre muito pequena. No mesmo ano começa sua militância comunista. Em 1918 escreve seu primeiro artigo assinando com o pseudônimo de La Pasionaria, que a acompanharia a vida toda. Desde esse dia não para de dizer discursos que inflamam a população de ideias de república. Infelizmente, a República não medra e teve que fugir de Espanha e procurar asilo na antiga União Soviética para ela e filhos. A minha fonte é a minha da infância. Era denominada pela monárquica e falangista senhora mãe nossa, a puta de Espanha. Voltou a sua Pátria após a morte do ditador, em 1977 e continuou com as suas lutas. Quando o Congresso ficou organizado em 1980, ou Cortes de Espanha, foi eleita presidenta do Senado, para o qual se tinha candidatado e ganhou com uma imensidão de votos em 1989. Por ser a parlamentária com mais idade, ainda lembro, foi votada Presidente das Cortes. Com passo dígino e senhorial cruzara a sala toda para dizer que, justamente pela sua idade, no podia aceitar tão lato cargo. Era um louvor para ela, mas anos depois nem podia ir as sessões. Faleceu com 94 anos. Nem que, se houver divindade, ela me tiver inspirado para sempre apoiar a tão digna senhora, denegrida injustamente pelas Damas de Companhia da Rainha de Espanha da nossa família. Teve funerais com honras de Estado. A conheci em Madrid, mas não tive a fortaleza de me chegar ao pé dela para a cumprimentar, como fiz, na minha infância com Gabriela Mistral. Aina não tinha consciência política que começara aos meus 15 anos. Quando fudei o primeiro sindicato dos operários do nosso senhor pai. O Engenheiro terra tenente.

Lembranças espoletadas pela morte a 18 de Setembro, de Santiago Carrillo, o último histórico do PCE, ativo até dois dias antes da sua morte. Eu fiquei no socialismo, o nosso expulso irmão é membro do Concelho nas terras do Chile e a terceira, pensa ser muito velha já para tornara sarilhos que, em tempos do Allende, que nós levara a Chile para votar por ele, nos atrapalharam, a ela e a mi, a um campo de concentração. Conheci a Santiago Carrillo na Espanha livre, sem cabelo tingido de louro e a morar em bairros afastados, ou aldeias, ou na França, para não ser apresado pela polícia segreda do ditador. Concorreu às urnas até esta última legislatura. A uta pela liberdade tinha-lhe dado saúde e resistência para qualquer achaque, mas a idade o atrapalho. Nunca deixara de orientar ao seu partido.

Mais nada pode-se dizer. Lamento que a fórmula contra a morte e a eterna juventude, que brilhavam nas caras enrugadas de Dolores e Santiago, ainda não exista.

É o único tributo que empresto a dois lutadores  da liberdade que nem quatro cavaleiros da Apocalipses puderam com eles.

Bem sei que Pablo Neruda fretou dois barcos de fugidos da fracassada II República Espanhola, por ordem do Presidente da República desses anos, Don Pedro Aguirre Cerda. No cais de Valparaíso, a nossa aristocrata família esperava por eles. Para os roubar. Os republicanos, largaram a sua familiaridade com os reis da Espanha e com o Ditador e esperavam por eles com a bandeira da República. Ninguém teve dúvidas, foram todos com os republicanos, esses duzentos fugidos dos campos de concentração franceses. A herdeira das Damas de Companhia ficou apenas com os seus do monárquico clube espanhol, em quanto os outros ião com o republicano centro espanhol.

Esta é a minha homenagem a Santiago Carrillo e a Dolores, cuja paixão inflamara e mim, o nosso irmão e a nossa temida irmã, o fogo do marxismo materialista histórico: o irmão, do PCh, sobrinhos também, e eu no PSCh e PSS.

Um panteão para tão lutadoras pessoas, que nos alastraram com o seu exemplo ao clube dos sem título condal, ao proletariado intelectual, em quanto a família, muito bem, muito obrigado. Não choram connosco estas percas para as nossas lutas.

Vivam os republicanos ainda vivos e louvor aos falecidos na luta pela vida digna e livre. Especialmente Carrillo, peça charneira entre franquistas e socialistas, como a história tem registado.

Raúl Iturra

21 de Setembro de 2012.

lautaro@netcabo.pt

Comments


  1. Si, mas… sobretudo quanto ao título: não trocava o nosso PREC pela Transição Espanhola. De todo. E o galo que canta agoaa, em espanha, também está bastante rouco.

  2. ANTONIO SAMEIRO says:

    e os 2.500 fuzilamentos sumários em madrid.O CRIME É CURIAL SE FOR CANHOTO.
    NATALIA CORREIA EM EPISTOLA AOS LAMITAS

  3. leopardo says:

    defensores da ditadura comunista são lutadores da liberdade! Isto quando Estaline dominava a URSS e a enchia de gulags. Bando de loucos.

    • ANTONIO SAMEIRO says:

      UM TAL GARÇON A TENTAR JULGAR UNS,TENTOU ESQUECER OS CRIMES DE OUTRO BANDO.ISSO É QUE É GRAVE.O RESTO É HISTÓRIA!

  4. Raul Iturra says:

    Agradeço os comentários. Houve um tempo em Portugal em que todos eram comunistas, o partido que mais defendia da ditadura. Sejamos claros: eu falo de uma mulher lutadora que a minha família desprezava! Era Democratas Cristãos e monárquicos. É a minha defesa. Sejamos claros: é um louvor a duas personalidades que defenderam a República. Eu, sou PS, mas respeito e admiro s que defendem o povo!
    Cumprimentos
    RI
    Nota: claro que sim! A de Estaline foi uma ditadura que nem Carrillo em La Pasionária defendiam
    lautaro@netcabo.pt

  5. Raul Iturra says:

    PS: La Pasionária é para admirar, parece-me. Era lutadora até o seu derradeiro dia e escrevia imenso. Era a decana do Senado-de las Cortes Espanholas- Quanto ao galo, nós somos Portogallo, e estamos rouco como a Espanha da minha passada família, que me abandonara num campo de concentração quando fui desde a Grã-Bretanha ao Chile de Allende. Não é possível negar a participação de Carrillo na unificação de Portugal e os texto de Dolores que o apoiavam. Foi uma dos três que no abandonara o seu assento quando El Tejerazo de 1984 queria voltar à Espanha para trás e derrubar o Rei e a democracia. Sentou-se ao pé do Primeiro Ministro Suárez, e La Pasonária. Desde esse dia, Carrillo ajudou a Suárez a formar o seu partido DC. Não estou feliz de que a Espanha, a Grécia, a Irlanda e nós, cantemos rouco. Se os leitores repararem bem, este é um texto contra o nosso Governo, desde o PR até o PM. Uso a História para criticar como marxista materialista histórico que sou. É o meu grito de Dolores, a paroquia do frade Hidalgo que colaborou, em 1810, com a liberdade do México, foi quem lançara o país numa luta pela independência, como Carrillo, Dolores Ibárruri e Suárez, já livres de Árias, o PM de Franco para vigiar um Rey que, se não fosse pela Rainha Sofia e o seu pai, o filho de Alfonso XIII, Conde de Barcelona que esteve ao telefone o dia todo com Espanha e o seu filho para o convencer de não abandonar o cargo- se se lembram bem, ele apenas falou à noite-se não fosse por estes três, a Espanha tornava ao Franquismo com um Árias como ditador e uma monarquia no exílio. Os três Senadores que não tiveram medo e don Juan de Borbón y Orleáns, com a Rainha Sofia de Hannover, apoiaram ao jovem Rey e salvaram a Pátria. É preciso saber história antes de comentar. Com todo, espero mais comentários. Para comentar, é preciso por a ideologia de parte!
    Raúl Iturra
    lautaro@netcabo.pt

  6. ANTONIO SAMEIRO says:

    ou não leu com atenção ou então não percebeu.ler por favor stanley p.payne-union sovietica,comunosmo y revolucion en españa-1931-1939,pag 236 e seguintes.chamam a paracuellos de jarama el katin español.cumprimentos

    • Maquiavel says:

      Olha, dá um tiros nos cornos e vai ter com o teu amado Franco!

      • ANTONIO SAMEIRO says:

        como sempre quem não é por mim é contra mim.por saber que de ambos os bandos houve criminosos,manda a melhor honestidade denunciar todas as atrocidades, o que não quer dizer que aprecie o caudillo.quanto ao tiro nos cornos não posso dar porque estou a fazer ginastica nos do teu pai.

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