Tempo de moderação

Em Novembro, mal o comércio começou a expor decorações de Natal, apareceu na internet um leia-e-passe alertando para a conveniência de as pessoas não desatarem a comprar presentes para a família e amigos porque, dizia o lembrete, tudo isso é fabricado na China. Sugeria-se, de modo empenhado, que se desse a preferência a dias de férias, na neve ou nas Caraíbas, a   tratamentos dentários, dietéticos ou outros, a estadias em spas, a cursos de ioga e ginásios, a bilhetes para espectáculos, a jantares em lugares agradáveis, a entradas em programas de museus, a livros e discos.  Insistia-se no facto de aos familiares e amigos serem mais úteis estes presentes do que  objectos que logo enfastiam e se põem de lado. O objectivo era claro: defender a economia canadiana das sinuosas práticas do capitalismo selvagem, esse que se dá como Deus e os anjos com o comunismo chinês, explorando ambos a mão de obra barata e rebentando com o comércio de qualidade que existe no Canadá e um pouco por toda a parte.  Aviso legítimo mas, ainda assim, próprio de país rico no que se refere às sugestões de presentes.

Depois, outro leia-e-passe apareceu aconselhando à sobriedade, demonstrando que é preciso manter o espírito de Natal, o amor da família e do próximo em geral, a alegria que se alimenta de valores espirituais e não de esbanjamentos que confrangem. Ora isto, em país habitado por imigrantes, só pode vir dos canadianos puros e duros, anglo-saxónicos e frugais, modestos e avessos a ostentação. Não são unhas de fome, são educados a não estragarem e esbanjarem. Eles têm razão.

Compreende-se que imigrantes vindos de países carenciados fiquem deslumbrados com a fartura e desatem a comprar sem tino nem destino. Mas o que se compra tem de se pagar e, quase sempre, paga-se com cartão de crédito. Afoga-se uma família inteira, durante o ano, porque o banco não espera e muito menos perdoa. E, acima de tudo, perde-se a alegria simples de estarem todos juntos, a rir, a conversar, a cantar, a dançar. O entusiasmo de irem juntos aos locais onde grupos de homens e mulheres, trajados à século XVIII ou XIX, entoam as cantigas que os seus antepassados trouxeram da Europa, assim ensinando aos mais pequenos o valor da herança cultural. O encanto de irem aos bosques buscar a verdura, as pedras, os pedaços de madeira com que podem montar o presépio, e também a árvore de Natal, ficando os pequenos a saber o que significa tudo aquilo. Aprendendo o valor do brinquedo que receberam e que os acompanhará pelo ano fora.  Fazer do brinquedo de Natal um amigo divertido e não uma coisa entre um amontoado delas, numa saturação.

O Natal é demasiado bom e belo para que o estraguemos com inutilidades.  Que podem ser obscenas, insultuosas, se tivermos em conta aqueles que, por falta de trabalho, estão desamparados e sem nada.

Desejo-lhe, leitor, um Natal de esperança, de renascida coragem, para que o ano a vir seja de afirmação e paz.

Comments

  1. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Sim, até me dá vontade de rir tanta virtude canadiana – ainda este ano foi expulsa uma família de 7 membros que lá estavam há muitos anos e com flhos lá nascidos – ninguém se lembra de tanta virtude – por acaso gostei de visitar o Canada Toronto onde tenho amigos e fui a um congresso a Vancouver – visitei a 1ª capital Vitória e um lindo Parque Buchard Gardens e toda a Ilha de Vancouver – e assisti a uma manifestação de Indios a quem o Canadá invadiu espaço milenar de viver para explorar petróleo e nada deram em troca ++ etc – quero lá saber do Canadá e de tanta virtude – estou a ouvir cítara por um indu Brhramam com 90 anos +++ etc – Muito do Canadá foi construído e civilizado pelos emigrantes portugueses – .mas não têm nem memória nem respeito como têm os japoneses que não esquecem a 1ª comunicação com portugueses e armas de fogo que não conheciam e até proporcionaram a unificação de tanta “casta” à bala e hoje são um país unificaso sem andar à porrada uns aos outros e os japoneses sabem isso e recordam e celebram – Cnadá ?? o melhor que têm são as cataratas do Niagara onde estive – pois é issso mesmo que estão a pensar – estou a tornar-me quase xenófoba – quase – mas lá chegarei até perceber que grau de humanismo tem cada país sobretudo os “mais grandes” que crescem devido ao trabalho duro dos “pequenos” e depois despedem os “proletários”- por acaso ainda tenho amigo que para lá emigrou há 30 anos e em casa de quem estive em Toronto e está berm empregado no aeroporto e outra amiga – a NINI de Torress Vedras e trabalhava no aeroporto também – mas “perdí-a” porque foi não sei para onde- Gostei muito de Vancouver e dos seus monumentais Parques, um deles desenhado por FredericK Olmstead, que também fez o Central Park

  2. maria celeste d'oliveira ramos says:

    E lá conheci tabém algo muito belo – o 1º parque marítimo de protecção das focas – o National Rimm Pacific Park e as focas quase entravam para o barco de tal forma já estão familiarizadas com os turistas – adorei – num local com 4 estações climáticas por dia – fui a um congresso claro(frontier problems) – mas não sei e tenho pena uma serigrafia feita por Indios que é linda e claro que comprei um Totem que continua lindo e me faz lambrar por onde andei a voar

  3. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Gala de Natal da TVi no Casino Estoril para reverter para a “missão sorriso” – a década da Missão Sorriso – parceria com o Continemte e já têm 215 mil euros – a solidariedade dos portugueses mais uma vez – Cavaco e Passos Coelho escusam de se preocupar

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