Adília Lopes

Ontem, enquanto fazia umas pesquisas na internet para algo que queria escrever no Facebook (sim, eu sou uma daquelas que usam o Facebook com bastante assiduidade, sendo até frequentemente o alvo das graçolas dos amigos LOL, :-), <3), cruzei-me com uma tese brasileira interessantíssima (estes estudos são sempre brasileiros, só os brasileiros publicam tanto na net, sem receios de roubos ou apropriações) onde se fala de Adília Lopes e da sua escrita. Claro que pesquisa leva a pesquisa, que isto de surfar na net para pesquisas é viciante, e acabei por encontrar vários poemas conhecidos e outros desconhecidos.
Descobri também alguns blogues e sites totalmente desconhecidos e escritos interessantes sobre esta poetisa. Claro que, logo ali, não pude controlar o impulso de Facebookar alguns dos poemas. E claro que imediatamente comecei a gizar este post. Porque depois de me reencontrar com Adília, vai acontecer como sempre acontece quando a reencontro: vou andar uns dias obcecada sem conseguir pensar noutra coisa que não seja a poesia aparentemente simples de Adília Lopes.

Admiro-a, sim.

É a antítese da escritora que faz sucesso. Não é bonitinha (por acaso, até a acho bonita), não se produz para as capas das revistas ou programas de televisão (foi precisamente num programa de televisão, creio que do Herman José, que primeiro tive contacto com a sua poesia tão simples e tão carregada de vida), não debita frases bem elaboradas cheias de nada. Aparece como uma pessoa simples, humana, uma genuína mortal com dúvidas e certezas sobre o que a rodeia, com grandes mágoas. Uma  mortal que convive com gatos e baratas. A propósito disto, recordo um texto de RAP. Não parece uma pessoa pomposa, uma daquelas poetisas ou escritoras afectadas, de imenso nariz arrebitado.

É uma MULHER. Como eu, como as minhas amigas, como certamente as mulheres que me lerão, como todas as mulheres do mundo. Repara, tal como cada uma de nós nos pormenores. Sente, tal como muitas de nós, a necessidade de ser elogiada. Agradece, tal como muitas de nós, aos homens que lhe disseram piropos, mesmo que foleiros. Ressente-se, tal como muitas de nós, da crueldade que outros, talvez mais beneficiados pela beleza, evidenciam.

A grande diferença, o seu toque de genialidade, é que Adília diz aquilo que muitas de nós fomos ensinadas a calar. E di–lo com uma simplicidade que entontece e vicia.

Comments

  1. O Jose Cagalhões Magalhães agora censura comentarios says:

    Confesso que tenho sentimentos mistos com os escritos da Adília Lopes, que vão desde o êxtase epifânico ao escárnio de desprezo.
    Sempre sentimentos muito fortes como só os génios revolucionários sabem despertar.

    Também passei por um período obcecado felizmente anterior aos blogs e wikipedias.

    Adorei os Penicos de Prata.
    Obrigado.

    http://youtu.be/o5-PMX83I1Y

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