Cavaco, o entalador, fala ao país

baralhar e voltar a darComo se percebeu desde logo, o PS nunca aceitaria um acordo com o governo. Obviamente. Aceitar seria um tremendo tiro nos dois pés e, além disso, traduzir-se-ia na partilha de todos os insucessos que tem sido a governação do governo PSD-CDS. Também ao PSD não agradava que se estabelecesse um acordo que, na prática, equivaleria a ficar num governo de gestão durante um ano. E o CDS viu o seu líder fazer um ping-pong em tempo muito mais curto do que o habitual em Portas. Cavaco entalou-os a todos.

Cavaco, nessa altura, resolveu passar da inactividade política para o primeiro plano, condicionando em absoluto o cenário da política nacional. Com o esperado não acordo, prestou um enorme favor ao PSD ao empurrar o PS para um cenário de perde-perde. Perderia por não negociar, perderia por negociar um acordo e perde, como se vê, por negociar e negar um acordo.

Voluntariamente ou não, a acção de Cavaco fortaleceu o governo e é seguro dizer que  não foi um jogador imparcial. Baralhou as cartas, deu e hoje o jogo ficou na mesma, ao ponto do Presidente da República nem sequer se ter demitido.

Comments

  1. Lá virá sua excelência do inútil cavaco , cínico , falso , traiçoeiro interesseiro ,
    padrinho da corrupção da Banca , com mais uma conversa da treta .

    Ele que me pague o que deve , fora os favores que lhe fiz para ser eleito no
    tempo do sinistro cavaquismo , como nunca se fizeram e que nunca me lar-
    gavam para fazer as suas campanhas .

    Fiquei na MISÉRIA , fui vítima de PERSEGUIÇÃO , que ainda hoje continua ,nem responde às minhas cartas , quando lhe relato a minha SITUAÇÃO e lhe pergunto
    por contas .

    É um tipo serissíssimo , o grande economista que deixou o País de rastos , com
    milhões de desgraçados na exclusão , que ele prometeu acabar e quanto saiba
    ainda não tirou um , dessa triste ” exclusividade ” –

  2. JgMenos says:

    É tónica dominante nos comentaristas: quem dos players ganhou/perdeu/empatou?
    Do país não se fala nunca.
    O comentário é político e naturalmente fala de política, esse passatempo favorito de multidões que se dizem a elite do país, e que tem por regra primeira a competição entre as equipas em presença.
    É para a ‘inteligência’ o que o futebol é para as ‘massas’: passatempo de todo o tempo com picos emocionantes nos respectivos campeonatos.

  3. Zero says:

    O PS podia ter aceite o acordo e partilhar as decisoes dificeis e o descontentamento social com o PSD e CDS em vez disso preferiu não o fazer e arcar sozinho com elas quando for para o governo. A sede de tacho já é tanta que ja nao existe racionalidade possivel. Quanto á decisão do PR nao sei quanto tempo mais durará este governo, tem aqui uma segunda oportunidade para tomar as decisões dificeis que adiou, mas vai acabar por se queimar na mesma tal como qualquer partido que fosse se houvesse eleições neste momento.

  4. José António says:

    Jorge, análise muito bem feita que eu partilho na íntegra consigo.
    No entanto acrescentaria que o imbróglio em que nos encontramos centra-se, a meu ver, na distribuição dos sacrifícios, em que a maioria do povo que em nada contribui para esta situação (ou contribuiu indirectamente votando ciclicamente nos actores que alternadamente vêm ocupando o poder) se vê obrigado a ficar cada vez mais pobre e com menos Estado, e uma minoria a que corresponde a alta finança que vem recebendo do Estado rendas altíssimas, blindadas pela mesma lei que a uns tira tudo o que se quiser e a outros não tira nada.
    Se não houver a força e o bom senso para alterar este desequilíbrio – e aqui é que radica a alternativa às actuais políticas liberais do poder – fica em causa a democracia e a própria paz social… sem esquecer o necessário exemplo de contenção que governo terá de dar nesse sentido, o que até ao momento foi no sentido contrário, de um esbanjamento desbragado para alimentar uma infindável lista de nomeações de boys e um sem número de luxos indecorosos, escandalosos, escabrosos.

  5. Os gajos do PS são manhosos. Eles fazem parte da muleta do governo, mas não se querem chegar à frente para não se queimarem, não são parvos de todo.

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