Os Bloguesíadas

Despropósito autopropositivo: Não me falte pachorra para dar à luz uma viva, nova a merecida DesEpopeia de um desPortugal inglório, porra que afinal é, apesar do que foi ou possa ter sido. E ao mesmo tempo enaltecer grandiloquente os feitos da bloga que vai mudando a face do País político mais escrutinado, batido e sovado, fustigando a velha geração de rapaces profissionais da política sem mais vida que a política, vergônteas tortas sem profissão e sem trabalho, ancorados nos negócios de milhões só para eles de que ninguém, especialmente o País Profundo, sente o cheiro. Veremos se introduzirei na minha betesga desÉpica em dez desCantos e faço igualmente grandiloquente não só a vontade de chorar, mas também a noção de que isto, sem a palavra ferina da bloga, seria infinitamente pior. Camões, o portuense, será o meu exclusivo interlocutor, muso, santo, aparição, profeta finado, alma gigantesca a abraçar com as pernas a miséria mesma com lhe pagaram o amor pátrio, enquanto deambulava perdido, atónito, pelas vesgas vielas caolhas de Lisboa, à espera da tença e da morte. Sou outro Camões a imprecar o primeiro, íntimo dele,desterrado como ele da migalha mínima, perante o deserto da vil tristeza.

Canto I

Estância I

Inveja, meu velho Camões, fez-se afinal húmus e sementeira do Povo que cantaste, último lastro que arrasou as tuas armas e os teus barões assinalados, inveja irmã da sanha ávida do ganho que um punhado de cabrões atoleimados, contra o Povo e contra o Povo, perpetrou à pala da democracia. Uns pelo saque Chupcialista. Outros pela cobrança confiscatória liberal e literal sobre quem não saqueou, Povo corneado duas vezes. O que partiu da tua ocidental praia Lusitana, por mares nunca de antes navegados desnavegou. E o que passou ainda além da Taprobana, em perigos e guerras esforçados, mais, muito mais do que prometia a força humana, e entre gente remota edificou Novo Reino, que tanto sublimou, ficou aquém, muito aquém do cantável, entre a penumbrosa névoa da Hora e o esvaimento das gentes que daqui se vão para mais longe, morrer longe.

Comments


  1. Se houvesse um imposto sobre os egos pretenciosos, estávamos safos.

    • joshua says:

      Mariana, é evidente que sou pretensioso. Ser pretensioso é consciente e faz parte da minha produção, do meu estilo. Mas necessito de ser ainda mais pretensioso.

      Pretensioso como Dali, como Mozart, como Warhol, como Pessoa, percebe? Não tenho nada. Não tenho conseguido nada na vida, a não ser ter alguma parcela de razão antes do tempo. Nada como a minha pretensão para não me sentir tão sozinho. Nada como o seu desprezo para me sentir ainda mais compelido à mais desabrida e acrescida pretensão.


      • Todos temos alguma parcela de razão antes de tempo alguma vez na vida. Isso não chega. O seu problema é que você escreve bem, muito bem mesmo, mas o conteúdo é Liliane Marise, versão extrema direita envergonhada, nacionalista salazarista monárquica. Uma tristeza.

        • joshua says:

          Mas eu tenho amigos de extrema esquerda adoráveis que escrevem adoravelmente do republicanismo e do socialismo. Gosto deles e do que eles escrevem. E ainda por cima damo-nos bem. a Mariana tem um dilema simples a resolver, caso contrário nunca relerá com prazer a «Mensagem» pessoana ou «Os Lusíadas», para não falar em quantos clássicos viveram sob o Regime Monárquico enquanto foi vivo.

  2. sinaizdefumo says:

    Épá ó sô Joshua, num gostei. Leva um medíocre e num diga que vai daqui. “O … problema é que você escreve bem, muito bem mesmo” mas desta vez só a caligrafia se safou, munto certinha se’senhor. Num estava num dos seus dias? O muso num apraceu? Esperasse…

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.