O Dia Seguinte…

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O jornalista Miguel Carvalho fez uma reportagem sobre a cidade do Porto (Como o Porto conquistou o Mundo) para a revista Visão. Já aguardava ansioso pela dita desde julho/agosto, altura em que entrevistou Melchior Moreira (Turismo do Porto e Norte de Portugal) na esplanada do Porto Cruz e no restaurante do Hotel Carris.

 

As minhas expectativas eram, confesso, elevadas. O Porto está mesmo na moda, o Miguel Carvalho conhece bem a cidade (é um tripeiro) e basta percorrer as ruas do Porto para perceber a quantidade enorme de turistas. Gostei, gostei bastante. E fiquei a saber que me falta conhecer tanto desta minha cidade. Tanto!

 

O problema será “o dia seguinte”.

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Mudar o mundo todo, uma pessoa de cada vez

A utopia é um elemento essencial da nossa identidade porque no dia em que  o sonho deixar de estar presente, o caminho para o amanhã desaparece também. No entanto, a utopia tem que ser um sonho que se materializa nas práticas diárias, nas opções que vamos fazendo a cada momento.

Malala é uma menina que faz a sua parte e que procurava, na sua comunidade, fazer a diferença.

“Um aluno, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. A educação é a única solução. Educação primeiro”

Esta VERDADE apresentada por Malala na ONU leva-me para um terreno absolutamente oposto ao de Nuno Crato e dos seus seguidores. A aposta na Educação é um valor entendido até nos territórios mais deprimidos do nosso planeta, enquanto por cá um grupo de boys parece comprometido com o fim da escola pública. A jovem Paquistanesa além da defesa da Educação enquanto valor global, apresenta como urgente a formação das mulheres. [Read more…]

a virgem deixou-se de merdas e agora só viaja em executiva…

A virgem maria (a tal que apareceu brilhando escarrapachada numa azinheira na Cova da Iria…), deixou-se de merdas e trocou a azinheira por um lugar em classe executiva num voo da TAP.

‘Viajar de azinheira não dá jeito nenhum’ – revelou a virgem à nossa redação – sem condições atmosféricas favoráveis e sem o brutal sol do meio-dia é impossível fazê-lo, já para não falar da porcaria das folhas que são tão pequenas que se espetam em todo o lado’, continuou a senhora de fátima. A virgem viaja de madrugada, no próximo sábado até ao aeroporto de Fiumicino, em Roma, onde (juntamente com a sua coroa e uma comitiva de nove padres, incluindo o reitor do santuário de Fátima) tomará, seguidamente um helicóptero para percorrer os cerca de 32 km entre o aeroporto e a cidade do Vaticano. Aqui irá participar, a pedido do papa, na jornada mariana do ano da fé.

‘Pronto, sei lá, tá a ver? – disse-nos a virgem em conversa ocorrida esta manhã – é verdade que eu podia tomar um autocarro, mas dentro de uma caixa, com a coroa noutra caixa e os nove padres não seria uma tarefa fácil e o trânsito em Roma, àquela hora, mesmo a um fim de semana é impossível, não sei se já esteve em Roma alguma vez? Eu fui lá uma vez, de azinheira, mas pronto, era nova e com a mochila às costas ainda foi pior que das outras viagens de azinheira. Mas vou gostar de rever a cidade, sabe? E conhecer o Chico, que parece tão bom rapaz e isso. E, depois pronto, como já poupo dinheiro na viagem de Lisboa a Roma (porque o senhor reitor achou por bem não fretar um avião propositadamente e então vou num voo comercial…) posso perfeitamente tomar o helicóptero, tá a ver?’. 

A virgem regressa no domingo à noite ao santuário de Fátima, pelos mesmos meios. Entretanto, católicos do mundo inteiro, regozijai-vos, o dinheiro da santa madre igreja, a mesma que almeja ajudar os pobres e isso, é gasto, sei lá, tá a ver? nestas modernices. se o raio da mulher não podia viajar de azinheira?

Derrota Técnica, Sucesso em Seco

Arménio FóssilPor imperativos de bom senso e mínimos de segurança, a propalada manif-marcha do próximo dia 19 de Outubro não poderá decorrer na Ponte Salazar-25 de Abril.

Não será, mas já é um sucesso. Não acontecerá, mas já é uma vitória. Após pareceres negativos de duas entidades, Conselho de Segurança da Ponte Salazar-25 de Abril e PSP, a manif na Ponte foi interditada. Inconvenientes técnicos ditam o fim da fantasia, da pose em grande, coisa que não se coloca à alternativa, a pista n.º 1 do Aeroporto da Portela, com a anuência de todas as entidades, incluindo o Observatório de Aves em instalações aeroportuárias e os caçadores de gambuzinos.

Entretanto, o secretário-geral da CGTP-PCP, Fóssil Espingardante Camarada Arménio, considera virtuais os pareceres negativos do Conselho de Segurança da Ponte e da PSP: não os recebeu nem por carta, telex, telegrama, ou e-mail, nada. Já o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, garante que dois pareceres contrários é muita areia para as pretensões desafiadoras da CGTP-PCP e que os comunicados técnicos negativos já foram devidamente remetidos ao PCP-CGTP, tendo mesmo as câmaras municipais de Lisboa e de Almada manifestado a sua completa incompetência para quaisquer pronunciamentos pela autorização ou não da realização da marcha pontifícia que-era-para-ser.

A comunicação social veiculou a novidade mas, segundo Fóssil Camarada Espingardante Arménio, isso não chega. Nada lhe chegou às mãos. Importante é que alternativas existem: a Pista n.º 1 da Portela. O problema deixou de ser rodoviário. Passou a aéreo. Os aviões podem esperar.

Estado social, por Daniel Oliveira

É então que os privados ficarão finalmente sozinhos a tratar destes apetecíveis e inesgotáveis negócios.”
Fica a sugestão de leitura para os amantes de Passos Coelho que habitam cá no corner.

Novo Aforro 5%

O Governo criou novos certificados do aforro com taxas de juros no quarto e quinto ano após a subscrição, acrescido de prémio adicional consoante crescimento do PIB.

Convicção Goldman

EDPDe venda.

Alice Munro é Prémio Nobel da Literatura

Confesso que sei muito pouco sobre a autora.

Ainda o Fóssil Espingardar em Minoria

Portugal é um País extraordinário que consegue ter um Governo moribundo há dois anos e uma Esquerda Fóssil, Mumificada há quarenta com um manifesto problema de hiperventilação psíquica: exagera nos seus choques e dores de ilharga, está sempre à espera de um pretexto para se zangar e as lentes que usa para a realidade são as do eterno farisaísmo, inflexível, lapidário, aflito por partir para grandes batalhas campais contra moinhos de vento, aparecendo sempre em minoria.

Prefiro ter paciência com um suposto fascismo europrotector prosseguido pelo BCE e pelos Governos de Estados Intervencionados da União que o aplicam, apertando o gasganete aos sectores públicos na Irlanda, Grécia e Portugal, carreando um enorme sofrimento social a essas sociedades. Prefiro aturar essa estratégia. Desconheço qualquer outra. Prefiro suportar a maligna salvação dos bancos europeus e da banca europeia à custa de milhões desses contribuintes, desempregados cada vez mais endémicos, como eu, ou pensionistas vulneráveis como os meus pais, porque sei que um dia esse holocausto reverterá em benefício dos sobreviventes e máximos sacrificados de hoje, ressarcidos os que se viram na iminência de prejuízos volumosos e investimentos comprometidos pela insolvabilidade bancária de 2008, cujas perdas fariam colapsar a confiança mundial hoje muito delicada nos seus equilíbrios. A impaciência, escrevia recorrentemente Kafka, é o pecado capital da Humanidade. Quando lhe cedemos, sobrevém o pior. A Esquerda é impaciente e apressada nos seus juízos. Rasga as vestes, como se a inexorável Senectudocracia Europeia não suscitasse novos roubos reequilibradores do sistema nunca dantes necessários, a par da lenta coragem dos Governos para, em nome dos contribuintes e dos cidadãos prejudicados, atacar a chicha dos sectores protegidos. [Read more…]

Passos e as 20 perguntas

Pergunta no Facebook: “Alguém sabe dizer se o Passos ganhou o carro no concurso apresentado pelo Carlos Daniel?”

O Jornal de Angola

O primeiro jornal que os meus olhos viram foi o Província de Angola, que pontualmente entrava na casa dos meus pais. Parece que havia outro, o Diário de Luanda, tido e mantido pela União Nacional, mas esse não entrava lá em casa. Nem percebo porquê, porque devia ser feito por gente excepcional, a avaliar pelo trajecto de vários redactores. Um deles, Luís Fontoura, hoje figura de proa do PSD e da Maçonaria. Enfim, embirrações que eu não cheguei a entender. Eu fazia o ensino primário na Escola Sousa Coutinho, mesmo em frente da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, onde fui baptizada. Por estar gravemente doente na altura de entrar na escola só o pude fazer um ano depois, mas aprendi as letras e a juntá-las, em casa, nos livros do Hans Christian Andersen e no Província de Angola. A pouco e pouco, fui tendo o prazer de ler a página infantil que era leira lavrada por Lília da Fonseca. Muitos anos depois, já na universidade e ganhando o meu sustento com uma pequena agência literária de exilados espanhóis nos Estados Unidos, herança benfazeja que me foi deixada pela poetisa angolana Alda Lara, eu haveria de conviver com Lília da Fonseca que tanta paixão punha na literatura infantil e no militantismo de esquerda.

Mas quando eu andava de bibe, o Província de Angola, o mais antigo jornal da África a sul do Saara, era propriedade da família Correia de Freitas. Jornal prestigiado, bem escrito, sério e, ao contrário doutros em Portugal, muito mais avesso à autocensura e sempre às turras com os coronéis da dita. Refilava. O seu último proprietário e director foi Ruy Correia de Freitas, engenheiro de máquinas por Londres, um gentleman de grande aprumo moral e bondade. A exemplo de todos nós dessa geração, o Ruy também queria a independência, mas negociada, pelo diálogo, educadamente, como um filho que passa a viver por si mesmo, mas se dá bem com os pais. Uma independência sem ódio nem guerra, para prosperidade dos seus povos. Como nada disto agradava aos serventuários da União Soviética, quando Angola foi entregue ao MPLA, unilateralmente, o Ruy Correia de Freitas só teve tempo de meter a mulher e a filha na sua avioneta e partir para a África do Sul. Dali foi ao Brasil e ao Canadá, mas acabou por viver (e morrer) em Portugal, na maior modéstia mas sempre com imensa dignidade. Foi a “descolonização exemplar” – coisa que é dita por quem a fez mal. [Read more…]

O estranho caso do Embaixador mal informado

Tenho para mim que o desempenho de altos cargos constitui uma responsabilidade e não propriamente um privilégio. É por isso que um ministro, um deputado ou um diplomata devem ter um cuidado acrescido quando tomam decisões, quando dão opiniões ou quando resolvem prestar esclarecimentos.

Mário Vilalva, Embaixador do Brasil em Portugal, tendo constatado que “em Portugal há algumas resistências ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”, resolveu “proceder a um esclarecimento dos factos.” No entanto, decerto por estar mal informado, em lugar de esclarecer, publicou mistificações.

Aconselhá-lo-ia, antes de mais, a ler a carta aberta que lhe dirigiu Luís Canau. Encontrará aí informação abundante, esclarecida e, portanto, esclarecedora.

Tendo, ainda, em conta que o embaixador brasileiro parece acreditar que o chamado acordo ortográfico poderá contribuir para interligar “os nossos mercados editoriais sem custos adicionais” e que “livros, materiais didáticos e programas de educação à distância poderão ser reproduzidos sem os custos de adaptação do idioma a públicos diferentes”, atrevo-me a recomendar-lhe a leitura de dois textos publicados no Aventar: O mundo encantado das edições únicas e Editora Leya confirma inutilidade do acordo ortográfico.

A uniformização ortográfica e o consequente unicórnio das edições únicas correspondem a mitos que urge erradicar de vez. Esperamos contar com a ajuda do representante do Brasil em Portugal para que isso aconteça, agora que os factos ficaram esclarecidos.