Sobre as pensões

Prefiro contratar um seguro de vida, que pode ser capitalizado ao longo dos anos, mas sempre de forma voluntária, com regras claras e montantes definidos, ao poder discricionário do Estado, que obriga os clientes cidadãos a contribuir para um sistema de segurança social, construído em pirâmide, onde as receitas podem ser manipuladas ao sabor do governo de turno. O problema mais uma vez é o excessivo poder do Estado, que dá e tira quando lhe convém.

Tirar às viúvas para dar aos privados

cavaco_campanha

Quando se ultrapassa a meta da mais elementar decência, ou seja quando,  por exemplo, se assaltam as pensões de sobrevivência, é natural que os defensores do governo venha o último argumento: acabava-se com a RTP e já não havia necessidade de roubar quem mais precisa.  Eu compreendo a obsessão com a RTP, televisão fora do controle directo de um capitalista é sempre um perigo para a propaganda do regime (eles dizem que vivemos num regime socialista, mas não vou agora discutir o consumo de drogas pesadas).

Assim como assim, e se falamos de 200 milhões de euros, podiam ter-se lembrado dos contratos de associação com colégios privados, que nos custam essa quantia anual. Também podíamos ir à saúde, e fazer umas continhas sobre o que nos custam as PPP no ramo, já para não falar dos subsídios à medicina privada, tipo ADSE, ou indo mesmo mais longe os que se sustentam em seguros de saúde porque o estado não cumpre o seu dever.

Desse a RTP lucro a um qualquer grupo GPS e deixavam-na na paz do senhor. Ámen.

CTT

Há vários países interessados em nacionalizar os CTT. Portugal não se inclui nesse grupo.

Difícil de entender…

A ver se percebo.

O anunciado corte nas pensões de viuvez dificilmente será aprovado pelo Tribunal constitucional. Certo? Assim sendo, quem é o autor da ideia? Mais, a poupança em causa nem o será. É mais um corte com efeitos de tal forma negativos na economia que em vez de ajudar na receita vai aumentar a despesa a médio prazo. Certo? Pelo que li (e vale o que vale) estamos a falar de 100 milhões de euros. Uma gota no oceano, como bem explicou Marcelo Rebelo de Sousa.

Sinceramente, não consigo perceber. Nem o alcance nem a frieza.

Ronaldo Herbalife

ronado-get-a-lifeGet-a-Life by Cristiano Ronaldo,  Bucareste – Roménia, 2013.

Roubar dinheiro aos mais pobres

Serve exactamente para quê?

Para poupar?

Vejamos – alguém que ganhe 1000 euros ou menos, no nosso país, tem dois destinos para o seu dinheiro: a economia, por via do consumo e uma ou outra aplicação bancária, quase sempre um pequeno depósito a prazo.

Percebo tanto de economia como o Major de timing para homenagens, mas parece-me que o nosso país precisa de ambos como de pão para a boca: de dinheiro na economia e de poupanças.

Assim, o motinhas e o aldrabão, só conseguem uma coisa quando tiram dinheiro aos titulares de pensões de sobrevivência: afundar ainda mais o país. É verdade que poupam uns tostões (milhões), mas como a economia vai piorar o resultado será, como se tem visto nos últimos dois anos, sempre um desastre.

Em jeito de conclusão: mais portugueses ficarão abaixo do limiar da pobreza e o país cada vez pior. E estes imbecis que não conseguem parar de escavar.

Um não, dois!

Bem atravessados!

 

Estacionamento ilegal para autocarros de Lisboa duas horas e meia por dia

Parece, à primeira vista, bastante peregrina a possibilidade de o estacionamento dos autocarros lisboetas ser considerado ilegal durante duas horas e meia por dia. Contudo, será mesmo disso que se trata:

Estacionamento ilegal para autocarros de Lisboa duas horas e meia por dia.

Não? Não, nem por isso.

Felizmente, como o Público não foi atrás do mito da “unidade essencial“, a mensagem não sofreu os danos colaterais causados pela base IX do Acordo Ortográfico de 1990.

Sim, há esperança.

pára autocarros

Eureka

César das Neves descobriu o capitalismo de compadres. Só lhe falta perceber o capitalismo.

Danos colaterais

Ah pois é, Banksy anda por Nova Iorque, em residência artística, Ontem saiu este video de combate.

Viva o Rei! Abaixo a Intolerância!

Sou simpatizante da causa monárquica. Não gosto do tom provocador do meu amigo João José Cardoso. Mas gosto mais do João José Cardoso do que estou disponível para me escandalizar com o que pense. Não sou comunista nem posso ser anti-comunista.

Ao JJC é preciso respeitá-lo, amá-lo, compreendê-lo e opor-se-lhe com génio e inteligência, especialmente num âmbito muito dado às lógicas branco/preto, maus/bons, quente/frio por que certa cultura de pensar fez o seu trajecto secular.

É preciso também que tenhamos aquela tolerância editorial e aquela paciência benevolente por que se pautou a Monarquia Constitucional na maior parte do tempo e a República inicial destruiu, forjada em sangue, em jacobinice, caos, balbúrdia, acotovelamento ávido do mando, pensamento único, a baixeza indigna dos assassínios, das purgas, sangue e mais sangue, até ao cansaço-acalmia de uma Ditadura da qual alguns depois se queixaram, quando precisamente abriram caminho a ela pela morte estéril e equivocada de um Chefe de Estado. Digam-me um só exemplo de utilidade e benefício humanitário ou democrático de um tal tipo de assassínio.

Notoriamente o País pagou caro o regicídio, a desgraça desse assassínio covarde e inútil. Não será, porém, a revolução, mas a aclamação que mudará as lógicas pervertidas do actual Regime em Portugal com as suas elites viciosas. Não será talvez uma tarefa para esta geração, mas para cem ou mais anos de persuasão, comportamento exemplar, argumentos racionais e de bom senso.

Insaciabilidade

Diz-me quem te apoia… De que está à espera Machete para sair do Governo e ir gozar à vontadinha da sua reforma milionária e a sua insaciabilidade prebendística?!

Relações SM

merkel_mutti
Foto: Jens Wolf

Merkel representa uma mulher que sobrevive e predomina nas actuais sociedades: a mamã castigadora (os alemães chamam-lhe Mutti – reparem como há tantas na imagem) que transfere para os filhos, regra geral na mais inacreditável inconsciência, as culpas que carrega – as dela, e as dos pais e avós. «Mas pensar em Merkel como essa mãe é totalmente desadequado à descrição de uma personalidade política», escreve-se hoje  no Der Tagesspiegel. «A distância entre a mãe que cuida e a castradora de homens corresponde mais coisa menos coisa ao que separa uma santa de uma meretriz. Mas até mesmo a imagem da castradora é desadequada para compreender quem é Merkel. Trata-se tão simplesmente do fruto da imaginação masculina… Pois se nos dispuséssemos de uma vez por todas a fazer uma leitura de Merkel na sua qualidade de política e não de mulher (entenda-se do estereótipo feminino), poderíamos enfim ocupar-nos da sua política – com benefício para a Alemanha e para a Europa.»

Nós, portugueses e restantes povos do Sul (a que se acrescentam os irlandeses), somos os seus enteados: burros que nem portas, que aceitam todas essas culpas e culpabilizações, enquanto os alemães e os franceses nos censuram, acusando-nos de sermos esbanjadores, preguiçosos, irresponsáveis, como crianças que se recusassem a crescer, e muito embora o dinheiro que hoje falta para financiar a nossa soberania e independência se tenha essencialmente perdido na corrupção mais abjecta. Uma sorte para os alemães e para os franceses, como bem explicou Harald Schumann.

E no entanto, e como sempre (é um padrão humano, que diz muito sobre o subdesenvolvimento da consciência humana) há uma relação de amor entre o carrasco (o sádico) e a vítima (o masoquista). E não saímos das relações de poder. Manda quem pode, obedece quem quer (Salazar dizia que obedecia quem devia, lá está).

Rui Moreira, Tango e Governabilidade

Os partidos, os partidos, e os partidos. As lições aos partidos. A moralização dos partidos. É espantoso que o dr. Rui Moreira, nesta entrevista, revele demasiada permeabilidade a uma aliança com o Partido Socialista, vendo nela uma solução natural para a câmara do Porto, o que na verdade equivale a tresdizer [tresleitura dos eleitores!] o que se disse dos partidos e das dinâmicas partidárias no poder local ao longo de toda a campanha.

Para que serviu o terror caça-hereges do dr. Lobo Xavier, o pudor eremita do dr. Pacheco Pereira e os pruridos preferencialistas do dr. Costa, tudo e todos contra a putativa perigosíssima eleição do dr. Menezes, se a eleição do dr. Rui Moreira, ao que parece, já redunda nisto, nesta forma de capitulação?! Dentre todo o tipo de alianças possíveis arquitectáveis para a governabilidade do Porto, alugar agora a barriga aflita de independente inexperiente ao PS de Pizarro para que o PS cresça, lidere, federe, no Porto, não lembrava ao careca. Na prática, quem dança o Tango com o PS, leva um pontapé no cu, não tarda, secundarizando-se naturalmente.

Depois de ter ganho a autarquia sem maioria absoluta, o independente Rui Moreira, apoiado por um certo CDS e um certo PSD enrustido, entrega afinal a sua independência, o seu projecto, as suas ideias, à caução determinante de um partido, o PS?! Se um tango não se dança sozinho, ao dr. Moreira já não importa a governabilidade proporcionada por quem votou nele, por quem confiou nele e por quem o pode apoiar nas causas e batalhas da cidade?! Será preciso chamar o António, que por acaso se chama Manuel Francisco Pizarro de Sampaio e Castro?!

Não percebo como é que os eleitores do PSD-Porto interpretarão esta rendição. Nem percebo o que os eleitores do CDS-Porto ganham com isto. Do que tenho a certeza é que o tal ethos do Porto que aparentemente rechaçou Menezes, os seus porcos assados, as suas bailarinas pimba e os seus interesses nebulosos, também não suporta fraqueza ou demasiado azar na rifa. Como será, dr. Moreira?! Se não é político, vai ter de se tornar num, quer queira quer não queira.

TSU das viúvas

A Dona Maria vive ali perto e limpa escadas. Também passa a ferro na casa dos Professores. O António é o marido e ganha o salário mínimo numa empresa da baixa.

Algures ali pelo fim da juventude, no arranque da década dos quarenta, o coração não aguentou e a Dona Maria ficou sozinha com as duas filhas, uma delas na Faculdade. Continuou a passar a ferro, a limpar escadas e outras coisas mais. O dinheiro, sempre muito esticado, foi chegando. Os bifes eram para as meninas porque a Dona Maria não tinha fome e a sopa até lhe chegava.

A pensão de sobrevivência foi parte importante da vida da família do António, depois da sua morte. Sem ela, a Filha não teria acabado o curso e se calhar nem poderia escrever no Aventar.

É por estas e por outras que não aguento esta gente que nos governa e lutarei com todas as minhas forças para que morram com um pinheiro bem atravessado no recto!