Camaradas, parece que isto é azia, pá…*

Adoro, que adoro, volto a repetir: adoro, os meus camaradas que argumentam sistematicamente com ‘quem não participa activamente nas campanhas’ não percebe nada e deve estar de boquinha bem caladinha e não dizer nada de nada acerca de coisa nenhuma. É uma vergonha pá, não participar nas campanhas e isso e depois andar para aí a dizer isto e aquilo, pá. Porque eles, os ‘verdadeiros adesivos’ (ai, aderentes… adesivos… pá… coiso, pronto) é que sabem, porque colaram cartazes e tiveram de falar com as pessoas e tal durante umas semanas e pronto. Eles é que sabem tudo sobre todas as coisas, portanto, e eles é que compreendem sempre tudo muito bem, aliás, reformulo, compreendem tudo muito melhor, compreendem tudo, mesmo tudo, ponto, muito melhor e muito mais além do que o resto das pessoas que, basicamente, são estúpidas e desinteressadas e coiso. O facto de essas outras pessoas fazerem o seu trabalho de adesivos (quer dizer, aderentes… autocolantes… ai… adesivos… coiso, pronto) noutros contextos (e não, não estou a falar do facebook), que o fazem, não interessa nada. 

O facto de haver muitas maneiras de militar (ai, pá, coiso, ser adesivo, autocolante… pá, pronto, isso…) num partido, incluindo querer discutir esse mesmo partido séria e transparentemente… isso não interessa nada…

Queéqueessamerdainteressamesmo?

O facto de se esbarrar constantemente em discursos dos ‘verdadeiros, dos que-sabem-mesmo-tudo-acerca-de-todas-as-coisas-porque-carregam-os-baldes-da-cola-e-tal-como-se-os-outros-nunca-os-tivessem-carregado-na-vida) que constantemente argumentam com a sua infinita sabedoria de pacotilha, de chapa 4 dos discursos já gastos, esfarrapados, em que já ninguém (pronto, ok, 5 ou 6 adesivos, dos novos e assim mesmo…) embarca… isso não interessa nada. Nem isso nem o desagradável que é para mim, por exemplo, como adesiva-aderente-autocolante-coiso-isso-pá-pronto, ter passado os últimos dois dias a tentar responder (e a conseguir mais ou menos, com alguma elevação e coiso, vá, que eu apesar de não participar activamente no carrego dos baldes de cola, não sou estúpida, nem nunca fui, ainda que possa fingir que sou, à vontade, se quiserem e se eu quiser, principalmente) a montes de gente que me pergunta: ‘oh pá, então e o teu bloco, pá, que é que vos aconteceu?’ 

Na verdade eu consigo responder-lhes, e garanto que não uso a chuva, nem a comunicação social, nem a abstenção, nem a austeridade. Mas gostava, como aderente-adesiva-militante e como alguém que faz a sua aderência como pode e sabe e quer e paga quotas, que me respondessem a mim, sinceramente, transparentemente, sem a chuva, a abstenção, a comunicação social… ou isso: ‘oh pá, então e o bloco, pá, o que é que nos aconteceu?’. E não relativamente ao último mês, mas relativamente, digamos, à última década. gostava mesmo. Talvez a minha aderência fosse maior. De certeza, camaradas, que a minha militância seria infinitamente maior. A minha e a de bastantes outros.

 

*Sou militante (aderente-adesivo-autocolante-coiso-pá-isso) do Bloco de Esquerda e disseram-me agora mesmo que o que eu tenho é azia. Desculpem lá vir para aqui descarregar a bílis e tal.

Coisas

Vamos lá ver se compreendemos uma coisa básica sobre Oeiras.

O facto de Oeiras ser o Concelho com maior número de licenciados não significa que todo o Concelho seja licenciado ou que todos os licenciados tenham votado no Isaltino/Paulo Vistas ou mesmo que os licenciados sejam uma maioria na população do Concelho.

Segundo, se devemos responsabilizar as pessoas que votaram no Paulo Vistas – e ainda bem que o fazemos – devemos pensar bem nesta coisa de colocar um homem que foi presidente da Câmara de Santarém durante anos como candidato à presidência da Câmara de Oeiras. É a mesma lógica Seara/Costa. Não faz sentido. A estratégia não resulta. O que não significa que as pessoas que votam em Vistas não deviam ter vergonha mas vergonha também devia ter o PSD que depois de 40 anos de Democracia devia ter um bocadinho mais de respeito pelos eleitores.

House of Turds

HouseOfTurds

Há pouco, julgava estar a folhear a publicação com a capa mais divertida da semana – excepto, talvez, a da edição de ontem do Jornal da Madeira –, quando, entretanto, me deparei com esta, que teve o condão de atrair a atenção do Language Log e de Paul Krugman. A história, em português europeu, é contada pelo Público. O senhor que faz de Kevin Spacey chama-se John Boehner. Ah! Sim, “House of Turds”. Em inglês, ‘turd’ significa isto (o UD, como sempre, vai ao osso); em português, sim, está bem, pode ser.

Ao Triunfal Bonzo Buda Costa

António CostaPassou a pastilha democrática das eleições autárquicas, com as suas ilusões e as suas esperanças. Não houve uma imensa participação cívica. Houve a mesma participação cívica baixa, ainda para menos, uma humilhante abstenção, entre emigrados, mortos e alheados: percebe-se que se há óleo lubrificador dos sufrágios ele escorre somente na engrenagem passional dos clubes-partidos da política, do seu velho ping-pong, e percebe-se que somente um refugo de dependentes e familiares das migalhas políticas se movimenta, espessa minoria que vota neles. Mesmo os falsos e semi-falsos independentes, amuados ou dissidentes do Partido que os preteriu.

Indiferente à História Recente, o Povo, mais quinhentos mil que no PSD, votou no PS. Votar PS é votar com a mesma inteligência e sentido de acerto com que Roberto, ex-guarda-redes do Sport Lisboa e Benfica, defendia a gloriosa baliza pífia aquilina. Lisboa, enfim, sorvedouro ímpar e supremo a todos os títulos, votou massivamente no Bonzo Buda Costa, alguém que anda a excitar a necessidade de excitação de todas as Esquerdas e a fazer sombra a Seguro: pela mesma razão por que se votou no Bonzo Costa não se podia votar no Bode Expiatório Menezes. É só fazer as contas. [Read more…]

Sondagens em Gaia

Os resultados das eleições em Vila Nova de Gaia fazem-me voltar à temática das sondagens.

Na página 8 do pasquim que se vendeu ao Menezes, um comentador, supostamente perito em sondagens, escreve:

“dois casos da A.M. do Porto – Gaia e Matosinhos. Em ambos os resultados eleitorais foram diferentes dos estudos. Em Gaia, o PS disparou para cima e o independente para baixo (…). A rever com atenção.

Isto, depois de ter justificado, na introdução do comentário que

“Os estudos efectuados a 5, 10, 20 ou mais dias antes das eleições são indicações ou tendências.

Até aqui, batatinhas. Mas, vejamos o que foi apontado pelas últimas sondagens divulgadas pelo JN – e já nem vou a outras que por aí foram faladas:

– Em junho, no JN: PS – 32,2%, Guilherme Aguiar – 30,7%, PSD / CDS – 22,7%;

– Em setembro, no JN: Guilherme Aguiar – 29,3%, PS – 29%, PSD / CDS – 25,1%.

Esta foi a sondagem publicada a 4 dias das eleições, sr. Comentador.

Também em Setembro, na RTP (Sondagem da Católica) – PS – 32% ; Guilherme Aguiar – 26%, PSD/CDS – 21%.

Pois bem, o Eduardo Vitor Rodrigues acaba por ganhar as eleições com 38,15%. Ou seja, na última sondagem do pasquim EVR tinha menos dez pontos. A Católica aproxima-se, mas fica longe…

O falso independente do PSD foi levado ao colo no braço esquerdo pelo pasquim, que uma vez por outra também recebia no regaço o candidato oficial. Tentou, até ao limite, mostrar que a coisa estava dividida, que todos podiam lá chegar

O PS ganha em Gaia com 38,15%, o PSD / CDS fica em segundo com 19,97% e o candidato oficioso em terceiro com 19,74%.

Isto é, o PS tem, sozinho, quase tantos votos como os outros dois juntos (diferença de 2161 votos) – era esta a proximidade prevista nas sondagens?

Não deveria a Direcção do Jornal de Notícias tirar consequências do papel que tiveram nestas eleições? Não considera a Direcção do Jornal de Notícias que a derrota em Gaia e, em especial, no Porto é também uma derrota editorial? Afinal os candidatos apoiados perderam, não?

Abstenção, brancos, nulos e representatividade

Almada, CDU: abstenção=59,5% brancos=4,6% e nulos=4,1%
Arcos de Valdevez, PSD: abstenção=49,1%, brancos=4,2% e nulos=1,8%
Aveiro, PSD/CDS: abstenção=51%, brancos=5,3% e nulos=2,8%
Braga, PSD/CDS: abstenção=40,1%, brancos=3,2% e nulos=1,8%
Bragança, PSD: abstenção=45,4%, brancos=2,7% e nulos=2,4%
Calheta (Madeira), PSD: abstenção=47%, brancos=0,8% e nulos=3,2%
Castelo Branco, PS: abstenção=49,3%, brancos=4,2% e nulos=3,1%
Chaves, PSD: abstenção=46,2%, brancos=3,7% e nulos=2,9%
Coimbra, PS: abstenção=50,6%, brancos=5,4% e nulos=2,8%
Elvas, PS: abstenção=52%, brancos=2,9% e nulos=2,4%
Évora, CDU: abstenção=50,3%, brancos=3,8% e nulos=2,3%
Faro, PSD/CDS: abstenção=56,3% brancos=5,6% e nulos=3,4%
Fundão, PSD: abstenção=45%, brancos=4,9% e nulos=2,7%
Guarda, PSD/CDS: abstenção=40,5%, brancos=3,6% e nulos=4,6%
Ílhavo, PSD: abstenção=59,9%, brancos=6,7% e nulos=3,7%
Leiria, PS: abstenção=50,2%, brancos=8,4% e nulos=5,1%
Lisboa, PS: abstenção=54,9%, brancos=4% e nulos=2,9%
Mafra, PSD: abstenção=50,3%, brancos=6,6% e nulos=3,9%
Moimenta da Beira, PS: abstenção=45%, brancos=4,3% e nulos=2,7%
Montijo, PS: abstenção=60%, brancos=5% e nulos=3,2%
Olhão, PS: abstenção=58,4%, brancos=5,4% e nulos=2,8%
Ponta Delgada, PSD: abstenção=54,1%, brancos=2,1% e nulos=1,2%
Porto, Indep. R.Moreira: abstenção=47,4%, brancos=2,5% e nulos=1,9%
Santarém, PSD: abstenção=48%, brancos=4,8% e nulos=3%
Setúbal, CDU: abstenção=61,3%, brancos=4,6% e nulos=3,2%
Viana do Castelo, PS: abstenção=46,7%, brancos=5,1% e nulos=2,8%
Vila Real, PS: abstenção=40,8%, brancos=2,5% e nulos=2,1%
Viseu, PSD: abstenção=52%, brancos=5,4% e nulos=4%
Fonte da amostra: Público

Autárquicas em Matosinhos – uma história triste

manualmesasDesde os 18 anos – já lá vão 12 – que faço parte das mesas de voto da Freguesia de Leça da Palmeira. Neste ano, fruto da condição de candidato à União de Freguesias de Matosinhos-Leça da Palmeira, para onde fui eleito, não pude fazer parte dos membros das assembleias de voto, embora tenha passado o dia na Escola Secundária da Boa Nova, com passagem pela Augusto Gomes, em Matosinhos. Mas foi em Leça da Palmeira que presenciei acontecimentos inacreditáveis, a poucos meses do 40.º aniversário da democracia. O resto foi chegando ao conhecimento da candidatura da CDU durante o dia. [Read more…]

Treinos

300913a

Uma história simples

supernova kepler

Era uma vez um político que queria ser eleito, tendo-o conseguido prometendo mundos e fundos, os quais trouxeram votos de quem não se importou em saber se os fundos existiam para os prometidos mundos.

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Atendimento a Cliente MEO*

*metáfora?