O Pré-Conceito Tuga


Nas franças e nas américas somos mais que isto, mas também somos isto.
Não há pobo como o nosso, manso, manso, manso…

Brincar às greves

cultura lúdicaHá movimentações sindicais no sentido de convocar uma greve para o dia 8 de Novembro. Um dia de greve.

Se estivéssemos a lidar com um governo desconhecido ou sério, concedo que pudesse fazer sentido usar a greve de um dia como uma espécie de tiro de aviso. O problema é que se trata de gente contumaz, gente que vai impor, pela terceira vez seguida, um orçamento de Estado criminoso, porque se baseia em mentiras e em insensibilidade, como está amplamente demonstrado.

O João José lembrou, hoje, outros tempos em que protestar era muito mais perigoso ou simplesmente perigoso. O Ricardo critica a atitude da CGTP, ao desistir de fazer a manifestação na Ponte 25 de Abril. Concordando com ambos, acrescento a minha crítica recorrente às greves de brincar. [Read more…]

Este orçamento não liberta!

João Galamba diz na cara daqueles tipos o que eu lhes diria:

Autofagia no orçamento de estado 2014

Orçamento de Estado 2104Clicar para ampliar

Postas as coisas de uma forma simplista, entre pagar os juros da dívida e recolher e administrar os impostos gasta-se 30% da receita. 33.6 mil milhões de  euros para um estado que se come a si mesmo.

Não havia aqui mesmo nada a fazer antes de se ir aos ordenados de 600 euros, às pensões para as quais antecipadamente se pagou, à despesa com a saúde e com a educação e aos carros dos particulares?

Mas fazer diferente implicaria planear e reestruturar, em vez de, simplesmente, carregar nos do costume. Enfim, seria preciso governar.

A Escola, a crise e a fome no dia Mundial da alimentação

Hoje, um pouco por todas as escolas do país comemorou-se o Dia Mundial da Alimentação.cocas

Diziam-me que os putos insistem em ir para as aulas sem pequeno-almoço  e decidi, por isso, aproveitar a aula de hoje para trabalhar a questão. Lá perdi umas horitas a procurar os conteúdos certos, nomeadamente, um vídeo e um jogo, recursos sempre eficazes nestas matérias… E lá fui.

A caminho da escola, no meio do trânsito, pensei em fazer algo mais – um cocas do pequeno almoço. Lá fui a correr comprar o papel colorido e …

Com tudo isto acabei por perder muito mais tempo a preparar a aula do que a …

Quando me cruzei com uma colega – daquelas que eu gostaria que fosse professora dos meus filhos – que me falou nos cortes, ainda ironizou quando lhe falei da actividade que tinha desenvolvido.

“és de bom tempo” (…) “o que eles querem é isso, que a gente continue a trabalhar para os alunos”

Caramba!

Fiquei a pensar no que ela me disse, no corte de mais de 25% que Passos e Coelho fizeram, como governantes, na Educação. Em todas as maldades que Nuno Crato tem feito e até no crescimento orçamental para apoiar o ensino privado.

Tens razão!

Está na altura de desistir!

Destruição Geral do Estado

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Em sentido contrário, as transferências para o Ensino Particular e Cooperativo sobem de 238 milhões em 2013 para 240 milhões em 2014.

No Público de hoje.

Fazias melhor que o Passos, bem sei

José Sócrates garantiu que é “o chefe democrático que a direita sempre quis ter

Já sobre democracia, estais quase um para o outro, depende das circunstâncias.

A fome de uns é a fome de todos

Foto: Carla Olas

Passei o mês de Agosto a ir ao hospital todos os dias. E em cada um desses dias veio um enfermeiro ou auxiliar ter comigo à porta do refeitório para lembrar-me que eu não podia entrar ali. Eu ia de braço dado com o meu pai e só queria garantir que ele chegava inteiro à cadeira, e preparar-lhe a comida, como se faz com as crianças, tirar as espinhas do peixe, descascar-lhe a laranja. Com bons modos, mas sem deixar margem para protestos ou pedidos especiais, apareceu sempre alguém para mandar-me sair porque só os doentes podem entrar no refeitório, as visitas estão proibidas de fazê-lo. A proibição justifica-se por razões de organização interna, espaço, ruído, etc. A razão principal só se sabe ao fim de alguns dias a passear pelos corredores: enquanto puderam entrar no refeitório, era frequente as visitas comerem as refeições destinadas aos doentes. Sentavam-se ao lado dos pais, avós, irmãos, maridos ou mulheres e iam debicando do seu prato, ou ficando com a parte de leão. [Read more…]

Ontem

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Esta noite haverá lágrimas entre quatro paredes, réstias de sonhos e ilusões caídos ao chão. Esta noite haverá gritos mudos, choros convulsos, dramas e incertezas levadas para o travesseiro, noite dentro, País fora. Esta noite Portugal recuou décadas.

 

Posso até nem subscrever tudo o que o Miguel escreveu neste seu post. Posso até considerar que existe uma outra angústia que aqui não vi plasmada. A angústia de não ver quem corporize uma verdadeira alternativa. E alternativa não é similar a alternadeira. Mesmo que se possam confundir. Posso tudo e mais alguma coisa. Até posso ser um soldado disciplinado e leal, desde que o seja aos princípios, aos valores e, igualmente, à minha consciência.

Só não posso ignorar. Não posso ignorar que quando acabei de ler concordei com quase tudo. Não posso ignorar mesmo à luz do que defendi e defendo. Não posso ignorar que já não acredito. Eu ontem, de forma egoísta, preferi não ver/ouvir as notícias e ignorar, sim ignorar, a palavra mais escrita neste meu comentário, os directos, os comentários, a treta toda pós-adro. Fazer de conta? Não. Apenas e só continuar o meu trabalho. Enquanto posso, enquanto me deixam, enquanto me apetecer.

Já me cansei de gritar que estão a matar o doente com a cura. Já me cansei de pensar no “porquê?”. Já me cansei desta cegueira de quem não é cego. Como diz o Miguel, ou pelo menos como entendi que o disse, nem é pelo “cortar, cortar, cortar”. É, sobretudo, pelo matar do sonho.

 

Soares tem razão – cadeia com os aldrabões!

Baptista- Bastos no DN coloca a intervenção pública de Mário Soares onde ela tem que estar: Mário Soares afirmou o que soarestodos pensam.Quer dizer, todos não, porque aqui no Aventar há quem esteja do lado de quem rouba: uns, por vergonha, estão calados até à próxima Greve, outros argumentam por caminhos muito pouco recomendáveis.

Soares não é um santo e cometeu muitos erros, porque só opinadores encartados é que não cometem erros porque nunca fizeram nada – o Marcelo é o melhor exemplo.

Mas, como bem lembra BB, Soares diz sobre Cavaco e sobre Marcelo o que sempre disse e que está em linha com a verdade. E, mais significativo, aponta a Argentina como uma possibilidade. Lá, na América do Sul, perceberam ao fim de muito tempo (demasiado!) que o FMI não sabia o caminho e meteram os ladrões num avião de volta aos states. [Read more…]

Saque electrizante

As razões mencionadas pela ERSE para explicar o aumento tarifário de 2014 incluem ainda os elevados custos do preço do petróleo no mercado internacional, que se reflectem no gás natural; a diminuição do consumo de energia eléctrica, que põe menos consumidores a pagarem os custos fixos do sistema; a quebra em 50% no preço do mercado das licenças de emissão de dióxido de carbono, o que baixou o valor das receitas geradas pela venda em leilão de licenças de emissão de gases com efeito de estufa; os custos com a produção em regime especial que incluem sobretudo os subsídios à eólica e hídrica e à co-geração a gás natural, sendo que as condições meteorológicas favoráveis do primeiro semestre de 2013 levaram à produção de mais energia renovável do que a prevista e, por isso, a um aumento dos custos. [PÚBLICO]

Recordemos-nos das razões que foram apontadas para agora termos geradores eólicos em cada quintal, num completo desordenamento, como é típico neste país que não planeia: baixar a dependência energética do exterior e baixar os custos da energia. E no entanto, o que vemos é maior produção de energia renovável ser justificação para aumentar a tarifa.

E o argumento de menos consumo levar  aos custos fixos serem pagos por menos consumidores? Não me digam que os portugueses estão a voltar ao tempo do candeeiro a petróleo!

Electricidade a aumentar 2.8% para uma taxa de inflação de inflação prevista de 1.3%. Grandes liberalizações de mercado estas.

Nostalgia sindical

E de súbito deu-me para recordar a CGT (sem P). O combate dos trabalhadores portugueses enquanto ela durou não era para meninos, ou sindicalistas de profissão e carreira: muitos foram presos, deportados, assassinados. Mas não vergavam: iam à luta, e assim se foram conquistando pequenas vitórias, alguns direitos.

a_batalha_manif_13fev1925Outros tempos. Subitamente senti saudades da velha CGT anarco-sindicalista. Muito portuguesa, a saudade em Alcântara.

a batalha