Pode uma Nação ser mais Humilhada?

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Depois de saber disto, pode, podem fazer-nos tudo, que aquele conas tudo aceita.

O SAPO pede desculpas pelo fato

Lamentável, é verdade, mas previsível.

Colonos do Comentário Singular

Muitos dos que exercitam o comentês político-económico encartado e colonizam TV, Rádios e jornais por estes dias, e que são sempre os mesmos, estarão a dizer exactamente o mesmo que disseram nas vascas do Orçamento de Estado em decurso. Provavelmente com mais razão e mais razões. O que disseram do OE2013? Disseram o que disseram e era tenebroso. Quem os ouvisse, ouviria da sua inexequibilidade completa. Assim falou Ferreira Leite. Assim falou Pacheco Pereira. Assim rouquejou Constança Cunha e Sá e outros, muitos outros, que dizem sempre a mesma coisa e sobretudo o que muitos e muitas querem ouvir, não ouvindo mais nada senão o mesmo prato opinativo de bacalhau de cada dia. Para o comentês, os Orçamentos sob a Troyka, apesar das circunstâncias e das condicionantes, nunca têm atenuantes. E são negros. Assim os declarou e declara de fio a pavio, negros, a ala socratista: dessa gente e dos seus sofismas nunca saiu nem sairá uma só nota positiva, uma só nota de esperança. Por que não fazem terapia?! [Read more…]

O Orçamento do Estado para 2014 é um embuste

OE2014

© Rodrigo Gatinho (http://bit.ly/H7yURH)

Depois do descalabro dos dois Orçamentos do Estado (OE) anteriores (2012 e 2013), só uma generosa dose de repugnância impedirá qualquer cidadão português alfabetizado de conter uma sonora gargalhada, perante o aviso “texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico”, inscrito num documento oficial do Governo português, neste caso, no Relatório do OE2014 — a propósito, valerá a pena repetir que “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 é o nome da coisa”?

Em Portugal, não nos esqueçamos, quem determina a ortografia a aplicar “no sistema educativo”, “ao Governo” e “a todos os serviços, organismos e entidades na dependência do Governo” não somos nós, aqui muito sossegados e entretidos a ler este texto: quem determina a ortografia é o Governo — confesso que cada vez mais me parece judicioso deixar de se confiar ao Governo a determinação de uma ortografia a aplicar seja onde e a quem for, tendo em conta a crónica inaptidão, reiteradamente demonstrada pela autoridade, para aplicar aquilo que tão assertiva e sobranceiramente se dispõe a determinar.

Só quem andar profundamente distraído poderá aceitar que um texto como o deste Relatório – com “medidas de carácter fiscal” e “medidas transversais de caráter fiscal“, “medidas sectoriais” e “medidas setoriais” ou “expectativa de manutenção das taxas de juro” e “expetativa do valor futuro” – foi redigido “ao abrigo” de um instrumento que regula uma ortografia.

Apesar de tudo aquilo que tenho visto por aí, confesso a minha perplexidade perante fenómenos como o do “fato de ser intenção da tutela” (sim, na página 163 do Relatório).

Só quem sofrer de distracção crónica poderá acreditar que um texto com, apesar de tudo, excelentes exemplos de palavras em ortografia portuguesa europeia, como direcção, acçãoprotecção, reflectem, activo, subfacturação, Janeiroelectrónica, colecta, respectiva, Junhocolectivos, afectas, Julhodirectos, indirectos ou efectiva, se encontra “escrito ao abrigo do…”. Esperem, perdi-me. Ao abrigo de quê?

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

1.ª Variação Positiva

Ao crescer 0,1% face ao mesmo período do ano passado, o indicador da actividade económica interrompeu um ciclo de 29 meses de queda.

Atravessar a ponte

Pode chover, mas quero acreditar que o S. Pedro vai estar do lado certo da história.ponte_infante

Pode acontecer também, que algum medricas como eu, tenha medo das alturas.

Pode também haver uma ou outra pessoa que concorde com o roubo que o governo está a fazer a quem trabalha e até a quem já deixou de trabalhar.

Pode até existir uma ou outra pessoa que não consiga observar grande eficácia neste tipo de lutas.

Pode tudo!

Mas, amanhã de tarde, como por vezes acontece nas nossas vidas, há dois lados. O lado de lá e o lado de cá. A pé, pela Ponte do Infante vamos procurar unir dois lados com uma Marcha de energia positiva que aponta caminhos diferentes – não estamos, claro, todos a dizer as mesmas coisas. Para alguns a solução está num pinheiro, para outros teria que ser a floresta toda.

Para mim é simples: nasci depois do 25 de Abril e tenho consciências plena que o povo conseguiu construir um país melhor para mim e para os meus. Da luta, muitas vezes na rua, nasceu um país com um fantástico sistema nacional de saúde, com uma Escola Pública, cheia de defeitos, mas das mais eficazes da Europa, uma Segurança Social de todos e para todos.

A direita no poder e quem a apoia não suportam que os pobres possam ser gente. Não admitem que os pobres possam ser tratados nos mesmos hospitais, tenham acesso à mesma escola pública, tenham a mesma dignidade na reforma.

Não admitem que os pobres possam atravessar a ponte da ascensão social. E, caros amigos, é APENAS isto que está em cima da mesa: um ajuste com as conquistas dos meus pais!

Por eles, mas fundamentalmente pelos meus filhos, vou atravessar a ponte.

Luísa, a Maternal, e a Sevícia Nacional

Maria Luís Albuquerque XperiaOntem, já era tarde, o sono pesava, pude ver a brevíssima entrevista de José Gomes Ferreira à Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. O entrevistador esteve bem, como sempre, simpático, directo, capaz da pergunta incómoda. A Ministra mostrou-se leve, simpática, natural, directa, assertiva. Maternal. Gostei da pessoa e a pessoa passou bem, tanto mais que aquela mulher, trucidada e combatida ao longo do Verão pela culpa desculpista e UltraSwapista do PS, não é uma máquina de propaganda do PSD nem faz um discurso redondo. É só uma técnica, uma mãe, uma de nós. Como qualquer mãe, faz o que tem a fazer e fá-lo no máximo das suas capacidades. [Read more…]

José Saramago e o pato do dia

1379421_10152012433262474_1087805151_nDepois do pato com laranja, a nouvelle cuisine ortográfica inventou uma receita: o “pato com o diabo”. Não me espantaria que tivesse origem na criação de patos de silêncio, esses simpáticos palmípedes anunciados ao mundo graças aos bons ofícios do chamado acordo ortográfico. [Read more…]

Uma deputada “da Escola”

A Paula é uma camarada aqui de Gaia, no melhor sentido que a palavra pode ter. É uma mulher de muitas lutas, das lutas todas. Faz falta na sua escola e faz falta aos seus alunos. Ainda bem que continua on fire, desta vez como deputada no Parlamento.

Obrigado por levares a realidade das nossas escolas, a realidade da nossa terra até Nuno Crato. E até o teu nervosismo tão natural mostra que não és profissional da coisa, és uma de nós!

Políticos sem vergonha

Sublinhando que o buraco do BPN estimado naquela altura era de 600 milhões de euros, muito longe dos milhares de milhões que hoje já são conhecidos, Sócrates considerou “mais prudente fazer a nacionalização”. [Expresso]

Posto assim, a mensagem implícita é “o buraco era pequeno”. Se era pequeno, não poderia haver risco sistémico nem seria necessário “assegurar a estabilidade do sistema bancário português“, tal como defendeu Constâncio numa comissão de inquérito parlamentar. Por outro lado, se não era possível estimar a dimensão do buraco do BPN, não se devia ter nacionalizado o banco num tempo recorde de apenas alguns dias. Com garantias do BPN não afectar contas do défice até 2013 e com afirmações como  o “Estado não gastou nem envolveu dinheiro dos contribuintes” no BPN e no BPP.

Concordo com Soares sobre os cachopos que nos governam merecerem serem julgados. Idem quanto ao repto sobre Cavaco. Mas quem o faz acusando os outros, sem olhar para a sua casa, não merece o meu respeito. O governo que tornou em público o que era um problema privado, possivelmente o maior desfalque do pós-25 de Abril, merece igual julgamento. Não é coisa de somenos. Estamos a falar de uma decisão que empurrou o país decididamente para o lodo onde estamos. Foi o prenúncio da operação salvar a banca.

É precisa muita lata um andar a pintar narrativas em entrevistas e outro vir com o síndrome de Frei Tomás. Uns e outros não passam de políticos sem vergonha na cara.