Despedimentos

~~Red-Eyed Tree Frog, Mother and Babies ~ 4 baby tree frogs sit on their mother's head~~Pois, dois jovens treinadores, Costinha e Xavier, despedidos em tão pouco tempo de Liga 2013-2014 pode até ser normal, mas deixa-me meio amargurado. É a minha geração. Com quarenta e três anos, mais batido e macerado que hoje um surfista radical no mar da Nazaré, a gente espelha-se cada vez mais nos que falham e falhar parece a regra. Morrer de trabalhos. Matar-nos com eles. Perder os sentidos com a violência da onda.

Por muito embalados que estejamos num dado foco dos nossos dias, os resultados desse esforço e a leitura alheia dele podem ser os piores possíveis, especialmente daqueles de quem mais alento, correcção, compreensão, esperávamos e nunca vieram a tempo a não ser para a pior palavra do Universo. Uma palavra de rejeição. Definitiva.

«Acalma-te um bocado!» Não é fácil. Um homem mexe-se e não sai do sítio ou o sítio é o mesmo tapete que lhe retiram várias vezes em dez anos por circunstâncias políticas, económicas, familiares, as piores possíveis e, por azar, não por inteiro pessoais, mas colectivas.

Aqueles dois, se calhar, falharam não no futebol jogado, posto a jogar, mas só nos resultados dele. Nada de grave, mas tenho pena. Andamos todos à procura do sucesso e do ser amados por atalhos, becos e vielas. Eu sei que persigo, experimento e ensaio, na escrita, as coisas intensas, incomuns, inauditas, as palavras brutas, as emoções secas, as coisas sublimes, comporto-me, finjo, sinto, ajo, como Poeta, fundamentalmente, e, às tantas, esvai-se-me a vida e o melhor dela apenas porque falhei. O alvo. De tanto tentar. Que é a coisa mais humana que há.

Mas não me despeço de nada. Não posso. Não quero. Tenho de voltar a tentar. Tenho de dar-me uma oportunidade todos os dias.