Despedimentos

~~Red-Eyed Tree Frog, Mother and Babies ~ 4 baby tree frogs sit on their mother's head~~Pois, dois jovens treinadores, Costinha e Xavier, despedidos em tão pouco tempo de Liga 2013-2014 pode até ser normal, mas deixa-me meio amargurado. É a minha geração. Com quarenta e três anos, mais batido e macerado que hoje um surfista radical no mar da Nazaré, a gente espelha-se cada vez mais nos que falham e falhar parece a regra. Morrer de trabalhos. Matar-nos com eles. Perder os sentidos com a violência da onda. [Read more…]

Acto de Fuga

Acabei de ler uma passagem de Últimas Notícias do Sul de Luis Sepúlveda que mostra como os escritores são óptimos agentes turísticos!! Garentem-nos viagens a baixo preço, de grande qualidade e a lugares paradisíacos, mas sem sair de casa!
Quando lemos ou escrevemos realizamos um ato de fuga, a mais pura e legítima das evasões. Dela saímos mais fortes, renovados e talvez melhores. No fundo, apesar de tantas teorias literárias, os escritores são como aqueles personagens do cinema mudo que escondiam uma lima num bolo e, assim, o preso conseguia cortar as grades da cela. Proporcionamos fugas temporais.
Que sirva este livro (ou outro) como uma boa dica para este verão!

«Ler é sexy»

Este é o nome dado a uma iniciativa do Bairro dos Livros que decorreu no passado dia 12 de Maio. Os livros “considerados sexy” tiveram desconto, segundo consta.

Os promotores da iniciativa, procurando captar leitores, juntaram o adjetivo «sexy» a uma ação que não dá prazer à maioria das pessoas…

Lembrei-me desta iniciativa a propósito da crónica de Manuel António Pina publicada ontem na revista Notícias Magazine. O escritor escreve a certa altura:

Ler é um acto de amor. Se o leitor não for um amante, se o escritor for um proxeneta, os livros entregar-se-ão sem paixão e sem ternura (…). Um dos piores crimes praticados contra os livros é obrigarmo-nos a lê-los. (…) devorar livros sem gostar de literatura nem de livros (…) imagino-os, pobres livros!, transidos e inseguros, desnudados sem pudor por mãos cobiçosas e incapazes de medo ou enternecimento diante do rumor das palavras). [Read more…]

ser escritor

para ser escitor a disciplina é a base do que se quer dizer em palavras

…para o meu amigo Carlos Loures… 

Parece-me que as pessoas pensam que ser escritor é a alegria da vida. Sentar-se numa cadeira ora com caneta e papel, ora com máquina de escrever ou, ainda, com um computador. Pode ser escritor quem viva da sua obra literária, ou escrevedor, quem escreve mal, verbo que roubo ao meu amigo e colega da Universidade de Cambridge, Jorge ou Mario Vargas Llosa.

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A escrita

(adão cruz)

 

(Texto de Marcos Cruz)

A escrita 

 Uns dias bem, outros mal. Quão mentiroso é o horizonte! Quão aliciante e persuasivo se nos mostra naqueles dias, quão angustiante e negro se nos revela nestes. A paz é das montanhas e dos vales, dos medos e dos amores, ela habita toda a forma. Para ser minha também, falta que eu com ela aprenda essa adaptabilidade, essa renúncia infinita. Sentir, eis a questão. Sentir tudo. Abrir o peito às flores e às balas, deixar que o destino penetre a carne e a queime de toda a sensação, permitir que o corpo seja o altar onde a dor e o prazer juram e geram amor eterno. Fazer a parte que me compete, usar bem o meu testemunho, abrir caminho para quem vem depois. Viver no paradoxo como se fosse chão firme, que o é, afinal. [Read more…]

O acordo pode ser mais ou menos?

Esta questão coloca-se muitas vezes na nossa vida corrente. Mantenho a minha vida confortável, o cantinho, os livros, os filmes, as viagens, enfim, o que conheço, ou largo tudo e vou atrás de uma paixão ?

No acordo, deixo-me estar a fazer o que conheço, mal ou bem, assim-assim, escrevo como sempre escrevi ou largo essa segurança e lanço-me na aventura de conhecer, analisar, escolher, descobrir?

Peço desculpa por não estar no tom solene que o assunto exige, mas a verdade é que cá para mim, este acordo serve, mais ou menos, para pôr algum padrão, alguma ordem, nas muitas e diversas formas que a vida, a real das pessoas, foi introduzindo na escrita e na fala e que vai continuar a pôr, quer os senhores doutores queiram ou não.

Mas se há palavras que apetece mesmo mudar, torná-las mais simples, há outras que não dá jeito nenhum andar a mudá-las. Por exemplo, Baptista! Dá mesmo vontade fazer desaparecer de vez com o “p” e tornar a coisa num Batista, bem mais legível. Mas, ao contrário, o que se fará com “facto” ? Passa a “fato” ? Eu apontei esse “fato” como importante para a discussão ! Qual, o azul?

Pelas razões apontadas ando muito desorientado e ansioso à espera dos conselhos ( o concelho também muda? estão a ver a confusão) dos “experts” (pecado! ) “connaisseurs ” (pior), académicos para me dizerem o que o povo deverá falar e escrever.

E voltando à imagem inicial, não é possível manter os cantinhos todos e arranjar uma namorada ?

Isto é, um acordo mais ou menos?