Da digressão e ‘swing’ na AR chegamos à “CES gatada”

mla_10-01-2013

A ‘Comissão de Inquérito’ da AR sobre os ‘swaps’, até agora, teve efeitos nulos, i.e., exactamente iguais às múltiplas sessões realizadas no Parlamento a propósito de outras matérias. O caso BPN, que me lembre, é o mais eloquente – até Oliveira e Costa (é só um, nada de confusões!), de pulseira e o menos solto dos envolvidos, diz-se na imprensa, não é localizado na residência por portadores de mandados. Chegam a tocar cerca de duas dezenas de vezes à campainha, esta fica roufenha e do homem nem voz afogada pelo duche ecoa.

Todavia, em respeito pelo conceito do contraditório coerente, a D. Elvira da mercearia, o Snr. Martins dos jornais e o Diogo, ‘laranja’ do coração e jovem quadro de uma financeira próxima, encontram e cumprimentam diariamente Oliveira e Costa – não é cumprimento de dois em um, atenção, mas sim individual e com respeito solene.

À Albuquerque já chamei ‘swinger dos swaps’. Sem desculpa para o anterior governo, a agora Ministra das Finanças, por falta de acção, foi cúmplice no prolongamento por dois anos de contratos de ‘swaps’. Parte dos custos de certos financiamentos indexados a parâmetros ‘tóxicos’ são também da sua responsabilidade, embora em ‘swing’ verbal, dançado na Comissão de Inquérito, tenha recusado culpas, contrariando o desempenho próprio na Refer, de que resultaram 40 milhões de encargos com os citados ‘swaps’ tóxicos.

O mais diletante do governo sem rumo nem norte que tem o País nas mãos é, em minha opinião, a representação tipo circense; sustenta-se no saracoteio (o irrevogável passa subitamente a revogável), no doutoramento insípido (um maduro anémico) e nos saltos desajeitados de mais uns quantos, de quem sobressai a amanuense financeira e seu séquito; estes últimos, ao que diz o ‘Público’, erraram grosseira e significativamente as contas da alteração de escalões do CES.

O citado jornal, ao referir-se aos números adiantados por Marques Guedes, demonstra que o governo calculou uma receita sobreavaliada da CES de 228 milhões de euros, quando o valor certo é de 120,7 milhões. Há, portanto, uma diferença para menos de 107 milhões nas previsões do governo.

Se assim é, a quem será que a Albuquerque vai surripiar os 107 milhões em falta? Por enquanto, possivelmente nem a própria sabe. Uma amanuense feita ministra tem dificuldades acrescidas de decisão; e então, se acertar o défice nem Gaspar conseguiu, ajudemos a criatura e calemo-nos, dizendo: Silêncio! A ‘swinger dos swaps’ está a meditar sobre mais reformados e pensionistas a quem deve os parcos ganhos cortar. 

Comments

  1. nightwishpt says:

    “As comissões de inquérito têm uma função: averiguar do cumprimento da Constituição e das leis e apreciar os atos do Governo e da Administração. É uma função central do parlamento. E isso consegue-se em dois momentos: no período de inquérito, público e aberto à comunicação social, e na aprovação dum relatório final. Na realidade, o essencial acontece na primeira fase. Muitos dos jornalistas e comentadores que desprezam estas comissões foram, nos últimos anos, buscar-lhes imenso material para o seu trabalho. Muito do que ficaram a saber sobre o BPN, sobre as PPP e até sobre os SWAP foi graças a estes inquéritos públicos. E se o público em geral não é capaz de fazer o seu próprio juízo sobre as responsabilidades de cada um nestes três casos, quer dizer que ou não se interessou ou a comunicação social falhou na sua função de informar, o que passa sempre por traduzir para uma linguagem acessível o que é complexo por natureza.”

    Daniel Oliveira

    • Carlos Fonseca says:

      Não estou nada em desacordo com a teoria do Daniel Oliveira. Todavia, sempre com o estafado argumento da judicialização da política, mesmo quando se tratam de crimes, caso BPN, em que há matéria e suspeitos em abundância, sabemo-lo pela Comissão de Inquérito, os processos judiciais ficam emperrados até à caducidade em muitos casos.
      A informação ao povo é proveitosa, mas a maior utilidade seria que houvesse das estruturas da justiça acção consonante e consequente. E não há.
      Não sou adversário das C.I. da AR, mas acho-as insuficientes nos resultados para os que se revelam nitidamente suspeitos.

      • nightwishpt says:

        Sem dúvida, mas isso compete à polícia (que está mais interessada em defender o regime já que os deixa dar porrada à vontade) e a comunicação social ( que já foi toda comprada).

  2. portela says:

    Fonseca, cancelar os swaps, morder na mão que deu, dá, ou dará, comida? E depois como é?
    Tá a ver o Asnô? Tá garantido.
    .

    • portela says:

      Aqui está a razão, pela qual, para este governo, o silêncio é de ouro.
      .
      “A arte dos impostos consiste depenar o ganso, para obter o maior número de penas, com o menor barulho possível”
      .
      ” o colega francês da doutora Albuquerque.
      .

      • Carlos Fonseca says:

        Portela, as penas de raras que já são nem protegem do frio.

        • portela says:

          “Então vamos embora
          que esperar não é saber
          quem sabe faz a hora
          e não espera acontecer”
          .
          “Vandré

          • Carlos Fonseca says:

            Olhe, então vamos sem caminho nem destino marcados.

          • portela says:

            Ponto nº1 – Ninguém pode, nem deve, pagar acima das suas possibilidades, tendo em vista que cumpriu uma carreira contributiva de quarenta anos e recebe uma pensão de 80 % do vencimento. Este princípio ou é válido para TODOS ou caso contrário, não é válido para ninguém.
            ..
            Ponto nº2 – Há um destino que está a ser traçado por mão criminosa. Os visados são aqueles que ganharam o pão com o suor do seu rosto.

          • portela says:

            Contribuição – Entidade Profissional – 23,75%
            Contribuição – Trabalhador – 11%
            Total – 34,75%

          • portela says:

            O Plano A não funciona e o Plano B também não.
            .
            O Coelho e o Criador, o profano e o sagrado. Quanto ao primeiro estamos conversados; condenados ao inferno. Quanto ao segundo sabemos que milhões e milhões de pessoas lhe imploram; “dai-nos senhor o pão nosso de cada dia”. A resposta está na Bíblia; “ganharás o pão com o suor do teu rosto”. Isto depois de sabermos que houve uma determinação prévia; “crescei e multiplicai-vos”.
            .
            Então, não há aqui uma contradição, se os bens são escassos, isto não há aqui um risco de extinção, não é uma armadilha malthusiana, ou será coelhana?
            .

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