Delírios da social-democracia do avental

mozart-montenegro

Apesar de residirmos todos no mesmo país, a cúpula social-democrata parece viver numa realidade distante daquela em que vive a esmagadora maioria dos restantes portugueses. Ou então, à semelhança do seu líder, são viciados na mentira. Na passada Sexta-feira, ouvi declarações do maçon que lidera a bancada parlamentar social-democrata – “eu sei que a vida quotidiana das pessoas não está melhor, mas não tenho dúvidas que a vida do país está muito melhor do que em 2011” – que não consegui interpretar, lacuna que penso decorrer da minha incapacidade de dissociar a vida dos habitantes de um país da vida do próprio país. Se calhar, como disse e bem o meu amigo Nabais, “este país não é para pessoas“.

Eu até acredito que o país dos sociais-democratas esteja muito melhor do que eu 2011. Afinal de contas, desde que o PSD chegou ao poder, o indicador do rendimento médio dos seus militantes aumentou de forma considerável, fundamentalmente alicerçado no alargamento da sua rede clientelista. Com tantos boys a serem recompensados pela “lealdade” ao chefe com cargos tão bem remunerados, não podem restar dúvidas de que a vida do país deles está bem melhor do que eu 2011 quando essas mordomias estavam mais concentradas no sector tachista socialista.

No meu limitado raio de alcance, quando olho para Portugal vejo a emigração a crescer de forma permanente, vejo o Estado Social em processo acelerado de degradação, vejo o empobrecimento aumentar, vejo uma taxa de desemprego assustadora, ainda que atenuada pelo efeito da emigração em massa e outros factores sazonais, vejo o sistema de ensino a apodrecer à mesma velocidade que os financiamentos deste Governo às GPS’s desta vida vão aumentando e, cereja em cima do bolo, vejo números ontem veiculados pela imprensa nacional dando conta de dados do Banco de Portugal e das instituições que compõem a Troika que indicam que a dívida pública atingiu um máximo histórico sem paralelo de 129% do PIB no final de 2013.

Assim sendo, e excluindo o alargamento do sector tachista laranja, a que se refere Luís Montenegro quando fala nesse país cuja vida está muito melhor do que em 2011? Ora o maçónico senhor começa pela narrativa oficial: em 2011 vivíamos uma vida ilusória, o país não tinha dinheiro para financiar a economia e os juros eram o dobro do que são agora. Agora, com uma dívida maior e um país mais empobrecido, parece que já estamos em melhores condições de financiamento. E depois temos os juros que, de uma forma geral estão a descer em toda a Europa desde o inicio do ano e Portugal, o bom aluno, nem sequer lidera essa queda: é o puto reguila do fundo da sala que segue na frente.

Depois da narrativa de embalar jotinhas, Montenegro refere ainda que em 2013 houve menos 30% de insolvências do que em 2012. O que o senhor deputado se esqueceu de referir foi que, em 2012, já com a sua tropa no poder, o número de empresas insolventes aumentou cerca de 41%, o que correspondeu a cerca de 2742 empresas a fechar portas. Assim sendo, e usando os números do social-democrata que apontam para uma redução de 30% de insolvências em 2013 face a 2012, tal significa que a cifra terá rondado as 2006 empresas. Quer isto dizer que, depois de terem contribuído para o fecho de mais 2742 empresa, conseguiram, em 2013, contribuir para o fecho de “apenas” mais 2006. Um daqueles milagres económicos que não podem ser ignorados.

O exercício da retórica à la Relvas prossegue com delírios como a criação de 128 mil empregos em 2013, dado imediatamente desmentido pelo jornalista que refere terem sido apenas 30 mil, 25 mil dos quais na “leve” máquina do Estado (quantos jotas estarão aqui pelo meio???), fundamentalmente estágios e programas ocupacionais. Perante o desmontar da sua mentira básica, Montenegro tenta contornar a questão afirmando “mas isso não havia no passado? As pessoas não reclamavam isso?”. O que as pessoas reclamam é que não façam delas parvas caro senhor do avental. Onde estão esses empregos? No mesmo lugar que os 150 mil do Sócrates?

Mas o momento mais hilariante fica guardado para o fim. Perante a referência do jornalista à “clivagem ideológica” entre Passos e Manuela Ferreira Leite – “não há cola que ligue MFL a Passos Coelho” – Luis Montenegro responde dizendo que não aceita que tal seja dito e que não vê, entre os dois, uma grande diferença na visão que têm do país. O que não deixa de ser irónico quando Miguel Pinto Luz, o “passista (seja lá o que isso for) que preside ao PSD/Lisboa, abriu o congresso e, em nome do aparelho, afirmou que o PSD não está “na TVI às quintas” (apesar de, aparentemente, estar no mesmo canal ao Domingo à noite). Pena o líder do aparelho ser cobarde demais para dizer aquilo que pensa. Muitos anos a lamber botas na jota dá nisto…

Comments

  1. Nascimento says:

    Gostav que o BONOBO , cagasse na cara ,desse F. da P…..


    • o acasalamento seria também uma excelente opção. Claro que a espécie exótica que dali sairia não seria muito diferente de algumas que já por ai andam…

  2. JgMenos says:

    Se a dívida aumenta é porque a austeridade é de menos e o Estado de mais; mas para os treteiros é só tema para a construção de silogismos.
    Sendo a bancarrota o limite conhecido da dívida, e porque estou com paciência para aturar lerdos, dou por exemplo que a perna amputada faz o gangrenado ficar melhor!

  3. Fernanda says:

    A frase é simples: uma coisa é o país e outra coisa são as pessoas. Ou seja, as pessoas são uma chatice e se não fossem as pessoas, o país estava ainda melhor. Fossem as pessoas bens transaccionáveis, e as pessoas já eram. O país, esse, já se transaccionou. De maneira que isto é tudo como a alegoria da caverna de Plutão. O país não existe, e as pessoaas não existem. O que existe são os governantes que fazem congressos. E existe o prof Marcelo e mais o Marques Mendes para darem a ideia que isto é real. E existe o Relvas que andava por aí e que voltou a existir. No topo, existe um presidente da república que não existindo, às vezes existe, embora não pareça.
    Quem existe mesmo são os que detêm cada vez mais fortunas e, para esses, o país é real.

    E agora 1 cafézinho que isto é um bocado complicado e se se pensar mais, desistimos ou pensamos, logo não existimos.

  4. cavernoso plutão says:

    Mozart misturado?Por mor da maçonaria?Oh senhores tenham piedade!Deixou-nos boa música,não governou nem se governou com impostos.Tende piedade.

  5. Rui Moringa says:

    Desprezo por este circo maçónico ou de outro qualquer fradeco tipo opus dei ou coisa do diabo que os carregue.

    Não há honra nem verdade.
    Há egoísmo, vaidade, luxúria e miragem do poder.
    Siga a “festa”.


  6. Pois é há muita gente de “aventalinho” e muito religiosos de opus day bay day year by year e ainda outros que “andam por aí” que nem saíam da toca e estão a dar “de comer a quem tem fome” misericordiosamente


  7. Hoje não vi nenhuma imagem nem notícia da AR na TV – Deram feriado para irem todos ao congresso ?’ e os que sobraram onde foram ?? – Só vi os dramas do FCPorto e lá estão eles em todos os canais cheios de opiniões e o “Miguel” é muito parecido com os relvas e os montenegros – mas não se “veste” bem – quem viu este roqueiro e quem o vê


  8. Mas nem resta direitinho o futebolzinho ?’ Acho pena porque são muito didáticos para os governantes

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  1. […] em cima podemos encontrar um caloteiro fiscal com gosto pela mentira, um maçon que alucina com realidades sociais inexistentes e um companheiro de ambos sob investigação por ser o alegado cérebro de uma complexa rede de […]

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