Passatempos reaccionários

Carlos Guimarães Pinto, num esforço de demonstrar a tese Lains do fantástico crescimento económico salazarista, também conhecida pela falácia do acima de zero é sempre a subir, ou nada como menos um milhão de habitantes (e suas remessas de emigrantes) para subir o PIB per capita, arranjou uns gráficos giros, que demonstrariam como alguns indicadores sociais estavam já em crescimento antes de 1974.

Vamos lá ser sérios: mortalidade infantil compara-se:

MORTALIDADE INFANTIL COMPARADA

e escolaridade observa-se em  todos os graus de ensino:
escolarização

Gráficos obtidos no Pordata.

A sério que gostava de perceber como pode um liberal ver num regime economicamente repressivo (não falo de liberdade política, mas de liberdade económica capitalista pura e dura), onde o governante sempre protegeu os interesses dos 3% que assim permaneciam, estáticos e agarradinhos aos estado que nem uma carraça, algum interesse para o mitificar. Ou se calhar percebo, embora me complique, porque ao Carlos Guimarães Pinto tenho mesmo na conta de um liberal.

Comments

  1. António says:

    Caro J. J. Cardoso,
    permita-me que sublinhe o seu comentário e faça uma pequena observação sobre o blog d’os reacionários’, perdão d’os insurgentes (aqueles que se insurgem pelo facto de existirem) e constacte a completa aversão à data do 25 de abril. Porque será?
    A cereja em cima do bolo, segundo a lógica ‘insurgente’, é a censura prévia que fazem a alguns comentários ( http://oinsurgente.org/2014/04/25/o-problema-dos-capitaes-de-abril-2/#comment-231387 ).
    Terão eles algum problema com as opiniões contrárias?
    Claro, eles preferem a bajulação!

  2. Carlos Guimarães Pinto says:

    Caro João José Cardoso,
    Parece-me que o seu gráfico confirmam o ponto do meu post. Havia convergência antes do 25 de Abril e continuo a existir depois. Antes do 25 de Abril, como se esperava devido à maior diferença, a convergência foi maior.

    Em relação aos considerandos posteriores, não me viu em lado algum a defender a ordem económica anterior ao 25 de Abril. O que eu digo é que a ordem económica pós-25 de Abril não é, de forma alguma, melhor. Continuou quase linearmente o progresso económico anterior, mas amontoando mais dívida, ou seja, colocando em risco o crescimento futuro. a liberdade e democracia da terceira República é algo que eu, como liberal, aprecio bastante. Mas isso não retira nada da crítica em relação ao modelo económico. Não houve nenhum milagre económico com a democracia, antes pelo contrário. E constatar isto não faz ninguém menos liberal.


    • Há sempre muita forma de ler um gráfico, até o podemos virar de pernas para o ar.
      Que da pior taxa de mortalidade infantil houvesse já uma diminuição em relação à média digamos que europeia, havia: depois ultrapassamos a média, pela positiva se bem me faço entender.
      Que a escolaridade básica minimal com apeadeiros, serras e louvores a Salazar crescia, já crescia, números razoáveis nos restantes graus de ensino só surgem mais tarde.
      Houve crescimento económico na década de 60? Houve, ninguém o nega, a partir da mais atrasada economia do continente:
      “O Portugal de hoje não conseguiria nunca perceber o Portugal de 1950 ou de 1960. Agora, até se glorifica o crescimento da economia e a estabilidade financeira do regime. O primeiro-ministro com certeza nunca se deu ao trabalho de imaginar aquilo a que a pobreza haveria condenado um rapazinho de Trás-os-Montes com uma mediana boa voz. Nem lhe descreveram o deserto que foi Lisboa nessa época de chumbo, onde ir ao café ou a um cinema de “reposição” tomavam as proporções de um acontecimento”
      Vasco Pulido Valente: http://www.publico.pt/portugal/noticia/o-empobrecimento-1627546
      A um país assim quase que uma fábrica nova duplica a indústria. É ainda para mais um crescimento baseado na emigração, o que não abona nada em relação ao regime.
      E precisamente uma das causas desse atraso sempre foi um capitalismo rentista, onde umas famílias enriquecidas há décadas por favores governamentais se perpetuavam porque o governo as salvaguardava de concorrência. Ora hoje, se bem que as rendas e consagração de monopólios se mantenham, já esse capitalismo me parece muito mais liberalizado. Não estou a ver o sr. Alexandre Soares dos Santos a ter chatices porque decide investir no fabrico de sabões, como teve antes.
      Por isso, só por desconhecimento da realidade de uma economia controlada a partir de S. Bento, oligárquica que até irrita, pode um liberal não reparar que a livre concorrência e um mercado menos artificial foram uma conquista da década de 70, em Abril ou Novembro, tanto me faz.

    • António says:

      Caro Carlos Guimarães Pinto,
      Permita-me que copie um comentário que fiz ao seu colega ‘insugente’ Miguel Botelho Moniz (http://oinsurgente.org/2014/03/11/notavel-rasto-de-devastacao/#comment-225981 ):
      «Não vou tecer nenhum comentário sobre o assunto que traz para discussão, mas tão só para o corrigir um aspecto do que escreve. Refiro-me ao facto de enunciar o período histórico que vivemos, como a 3ª República. Isto denota uma de duas coisas, ignorância histórica ou a interpretação de que a Estado Novo se tratou de uma República na plenitude das características que uma República importa!
      Parto do princípio que é ignorância histórica e, que por preguiça retirou esse termo da wikipedia, onde aparece. Aconselho-o pois a pesquisar Histórica de Portugal de A. H. Oliveira Marques, vol III (Editorial Presença, 13ª ed., 1998, p. 603) para verificar que a designação correcta é 2ª República.»

  3. J.Pinto says:

    Os gráficos, principalmente o de cima, mostram que a tendência é exatamente a mesma antes e depois do 25 de abril. Ou seja, não existe uma alteração da tendência da mortalidade infantil. Na verdade, não foi pelo 25 de abril que a taxa de mortalidade infantil diminuiu mais depressa.

    O 25 de abril foi um marco histórico da sociedade portuguesa, uma vez que nos trouxe liberdade, mas os factos dizem-nos que a correção da sociedade portuguesa já vinha de trás. Como se pode ver pelo gráfico, pelo menos desde 1960. Em termos de evolução da sociedade e económica foi mais importante a adesão à EFTA do que o 25 de abril.


    • Claro, a EFTA. 10% da população emigrada numa década não conta para nada.

      • J.Pinto says:

        Eu estou a analiasar os seus gráficos. Diga-me onde é que está a inversão de tendência após o 25 de abril no nível de escolaridade no total do ensino básico.

        É claro que se falarmos do ensino secundário, existe uma aceleração após o 25 de abril, assim como haverá em todos os países. Curiosamente, também são estes grupos os que apresentam maiores taxas de desemprego.


        • Inversão de tendência? no ensino? olhe, está exactamente naquele momento em que você frequentou a escola a saiu de lá sem saber ler um gráfico.
          O resto nem comento, porque ainda há escolas e embora o recorrente tenha praticamente acabado, há sempre uma nova oportunidade.

          • J.Pinto says:

            Sim, inversão de tendência. Basta olhar para a primeira linha do gráfico que apresentou. Olhe para evolução do número de matrículas no primeiro ciclo. Há muito que houve uma inversão de tendência.

            Relativamente à minha escolaridade não lhe vou responder à letra, Sr. Dr. João José Cardoso. O Grande. O Rei. O Maior.


          • É uma tendência invertida é uma tendência homossexual, certamente. O detalhe de se tratar de uma taxa bruta não interessa, ou ainda chegamos ao sado-masoquismo.

    • André says:

      A EFTA? Compare frequência do ensino secundário, superior (incluindo mestrados e doutoramentos), mortalidade infantil, taxa de esgotos e água potável , eletricidade. Compare a emigração entre 1950 e 1974 e depois. Provavelmente o pessoal emigrava porque não tinha acesso aos gráficos e pensava que vivia mal…emigração devido a má informação.
      A EFTA?!?

  4. André says:

    Mais, verifiquem os valores do 3*ciclo entre 1959 e 1974 e depois entre 1975 e 1990, verifiquem a diferença no ritmo de crescimento.

    • J.Pinto says:

      Deve estar enganado na linha, André. Até 1974 a tendência é de forte subida; de 1974 a 1986 quase que estagna e depois de 1986 há uma subida forte.


      • Estagna? a frequência escolar estagna? ok, é mesmo asno, já tínhamos reparado.

        • J.Pinto says:

          Já estou habituado a lidar com pessoas que, quando são contrariados, à falta de argumentos, chamam nomes aos outros.
          Aos energúmenos que, defendendo um regime semelhante ao do corte de cabelo da Coreia do Norte, me chamam nomes apenas ignoro – não vou alimentar conversas nem chamar nomes a ninguém. Também é por isto que se definem os Homens.

          Voltando aos números, o André tinha dito o seguinte:

          “Mais, verifiquem os valores do 3*ciclo entre 1959 e 1974 e depois entre 1975 e 1990, verifiquem a diferença no ritmo de crescimento.”

          Eu respondi ao André:

          “Deve estar enganado na linha, André. Até 1974 a tendência é de forte subida; de 1974 a 1986 quase que estagna e depois de 1986 há uma subida forte.”.

          Voltando a analisar o gráfico, e aperfeiçoando a minha análise, concluo: no terceiro ciclo (é o período que o André questiona) de 1961 até 1977 o número de total de matriculados no terceiro ciclo sobe de forma constante (podemos traçar uma linha de tendência, que os valores estão todos próximos desta linha de tendência; de 1978 até 1982 o número de inscritos desce; de 1982 até 1992 o número de inscritos cresce mais ou menos da mesma forma que cresce no período entre 1961 e 1977. Se traçarmos uma linha de tendência neste dois períodos verificaremos que elas são paralelas.

          Quando disse a estagna estava a referir-me para o período compreendido entre 1978 e 1985 (tecnicamente não se trata de uma estagnação, mas de uma descida seguida de um aumento, sendo que o ponto final está próximo do ponto inicial).

          Resumindo: relativamente ao terceiro ciclo, não existe qualquer alteração entre o antes e o após o 25 de abril. Não esquecer que me refiro apenas ao terceiro ciclo (período referido pelo André), não vá alguns asnos concultarem o blogue e confundirem o terceiro ciclo com o secundário, o pré-escolar ou o ensino superior.

        • J.Pinto says:

          Já estou habituado a lidar com pessoas que, quando são contrariados, à falta de argumentos, chamam nomes aos outros.
          Aos energúmenos que, defendendo um regime semelhante ao do corte de cabelo da Coreia do Norte, me chamam nomes apenas ignoro – não vou alimentar conversas nem chamar nomes a ninguém. Também é por isto que se definem os Homens.

          Voltando aos números, o André tinha dito o seguinte:

          “Mais, verifiquem os valores do 3*ciclo entre 1959 e 1974 e depois entre 1975 e 1990, verifiquem a diferença no ritmo de crescimento.”

          Eu respondi ao André:

          “Deve estar enganado na linha, André. Até 1974 a tendência é de forte subida; de 1974 a 1986 quase que estagna e depois de 1986 há uma subida forte.”.

          Voltando a analisar o gráfico, e aperfeiçoando a minha análise, concluo: no terceiro ciclo (é o período que o André questiona) de 1961 até 1977 o número de total de matriculados no terceiro ciclo sobe de forma constante (podemos traçar uma linha de tendência, que os valores estão todos próximos desta linha de tendência; de 1978 até 1982 o número de inscritos desce; de 1982 até 1992 o número de inscritos cresce mais ou menos da mesma forma que cresce no período entre 1961 e 1977. Se traçarmos uma linha de tendência neste dois períodos verificaremos que elas são paralelas.

          Quando disse a estagna estava a referir-me para o período compreendido entre 1978 e 1985 (tecnicamente não se trata de uma estagnação, mas de uma descida seguida de um aumento, sendo que o ponto final está próximo do ponto inicial).

          Resumindo: relativamente ao terceiro ciclo, não existe qualquer alteração entre o antes e o após o 25 de abril. Não esquecer que me refiro apenas ao terceiro ciclo (período referido pelo André), não vá alguns asnos consultarem o blogue e confundirem o terceiro ciclo com o secundário, o pré-escolar ou o ensino superior.


          • Resumindo: temos um estagnado mental, que confunde estabilização com um gráfico de produção de couves, não percebe que os ciclos têm anos, e invoca a Coreia do Norte. O costume.

  5. J.Pinto says:

    Os ciclos têm anos. Muito bem.

    Que eu saiba (pelo menos foi o que a minha escolaridade via novas oportunidades me permite perceber), este post vem na sequência de outro, no blogue oinsurgente, para contrariar a ideia de que o 25 de abril não trouxe mudanças profundas em termos de educação e saúde (entre outras).

    Se os ciclos têm anos e se não houve qualquer aceleração de tendência, então significa que não houve alterações significativas, certo?

    Cuidado, tem de justificar a sua resposta com a evolução do número de matriculados no terceiro ciclo.

    Eu sei que a sua tendência deve ser para recorrer à evolução do número de matriculados no pré-escolar, secundário ou superior, mas esta minha resposta foi escrita ao André, que tinha referido um aumento do ritmo de crescimento no terceiro ciclo…

    Sendo assim, e porque decidiu responder-me quando respondi ao André, diga onde é que está a aceleração do ritmo no terceiro ciclo?

    Não se desvie da conversa, sob pena de alguns asnos que por aqui estejam a ler este post, ficarem confundidos….


    • Quando descobrir a diferença entre couves e frequência escolar, percebe. Se conhecer a reforma Veiga Simão e tiver uma noção do que se chamava construção escolar, chega lá num instante.

      • J.Pinto says:

        Continua a querer enganar com os números. Como sabe, quer apresente o gráfico que apresentou quer apresente o número de matriculados, relativamente ao terceiro ciclo, a evolução é semelhante. Existe um paralelismo entre os dois gráficos.

        Apresente lá os dois gráficos então. Diga quais são as deiferenças. Não se esqueça de apresentar os gráficos e elucidar as pessoas…


        • Eu é que quero enganar com os números. Agarramos numa lógica de merceeiro, que onde vê uma subida não percebe que ela nem era sustentável no quadro de uma ditadura que se estava nas tintas para a saúde e a educação, nem se devia ao regime (ou melhor: devia ao facto de os portugueses fugirem dele). E é uma subida caricata: parte do nada, estranho seria se descesse. Vale tanto o crescimento do anos 60 como o actual: depois de se bater no fundo não se cresce, chafurda-se e foge-se.
          Mas haverá sempre um pinto que acredita em fábulas. É pena ter faltado às aulas de História.

          • J.Pinto says:

            Começou por escrever um artigo tentando demonstrar que, em alguns indicadores, existe um período antes e após o 25 de abril, completamente distintos.
            Depois de ter respondido ao seu artigo tentando demonstrar o contrário, acusou-me de confundir couves com frequência escolar. Disse-lhe que, quer utilizasse as couves ou a frequência escolar, não conseguiria mostrar os tais dois períodos (antes e após 25 de abril). Desafiei-o até a apresentar o gráfico que quiser (o das couves ou frequência escolar) e que dissesse onde estão os dois períodos tão distintos. Você não apresentou nenhum.
            Ou seja, como já conheço a sua história há muito, e como forma de não tocar no essencial, arranja sempre subterfúgios para não responder ao que não tem resposta condizente com as suas convicções.
            Normalíssima a sua postura. Também não esperava outra coisa de alguém que, sempre que é contrariado, chama nomes aos outros, nomes esses que, com certeza, muita gente lhe tem chamado a si (aqui podemos aplicar o ditado do sábio povo: chama-lhe ….. antes que ela te chame a ti).

  6. André says:

    Pensava que tinha sido bastante claro mas aparentemente não percebeu.
    Eu comparo dois ciclos de 15anos, antes e depois de1974, e a diferença é clara e significativa. O período entre 78 e85é absolutamente indiferente para a conclusão, até por que corresponde a um período de ajustamento no sistema de ensino depois do crescimento pós 74.
    O crescimento que aponta entre 60 e 77 tem 3 anos a mais, aqui o factor que analisamos são os contributos da mudanças de 1974, ao acrescentar 75 76 e 77, está a misturar dados.
    Espero ter sido claro.

  7. André says:

    Ainda aguardo uma análise do contributo pré 74 para os valores do secundário e superior.
    Não se esqueçam que o gráfico do 3. Ciclo não diferencia quantos terminam o 7 ano e quantos termina no nono. A grande maioria amantes de 25 de 74 apenas terminava o 7 e contava como frequência do 3 ciclo.

    • André says:

      “amantes”?!’? desculpem. O corrector automático do telefone tem destas coisas…. A grande maioria doas alunos pré d 25 de 74 apenas terminava o 7 e contava como frequência do 3 ciclo.

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