Os meninos querem brincar às guerras

Carlos Zorrinho fez hoje a mais miserável das declarações sobre as vantagens do aumento do esforço militar na Europa – com correspondente agravamento orçamental em cada país -, considerando que tal situação fará esquecer a crise, com sempre acontece quando tem de se defender “um bem maior”.

Isto, a que se podem juntar os entusiasmos belicistas tão frequentes em quem nunca ouviu um tiro e se sente, por assim dizer, entediado com tanta paz, faz-me corar de raiva e lembra-me uma velha canção de caserna dos tempos da guerra colonial, dedicada aos que, no conforto do ar condicionado, davam ordens imbecis aos que estavam no terreno: “ora vai p’rá mata, ó meu malandro, por tua causa é que eu aqui ando…”.

Isto faz-me sonhar com a cena de uma fileira de engravatadinhos e sortidos entusiastas na prosteridade das industrias militares – encabeçados por Barroso, o gangster sec. da NATO, Obama, Cameron, Coelho… enfim, todos esses broncos, prontos para o combate à cabeça das suas tropas – ou “à cabeça da manada”, como canta o fado. A imaginação não tem limites. Aparentemente, a estupidez também não. Por isso, estes crápulas terão quem os apoie. É fatal.

Comments

  1. Pimba says:

    A mim faz-me lembrar o Blackadder…

    Captain Blackadder: You see, Baldrick, in order to prevent war two great super-armies developed. Us, the Russians and the French on one side, Germany and Austro-Hungary on the other. The idea being that each army would act as the other’s deterrent. That way, there could never be a war.

    Private Baldrick: Except, this is sort of a war, isn’t it?

    Captain Blackadder: That’s right. There was one tiny flaw in the plan.

    Lieutenant George: O, what was that?

    Captain Blackadder: It was bollocks.


  2. Um bom comentário. E que demonstra o que vale este PS de pacotilha.Metido até ao pescoço no estrume belicista e apoiante entusiasta do neoliberalismo ( tanto que até quer esconder a crise à custa de balas, canhões, bombas e tutti quanti) :

    Uma declaração de facto miserável que sublinha apenas o quão miseráveis podem ser estes tipos

  3. José Peralta says:

    Totalmente de acordo consigo, José Gabriel !

  4. Nightwish says:

    Zorrinho está um bocado ao contrário. Seria bom porque ao menos seria um investimento em qualquer coisa que significaria maior emprego e, já agora, que a Europa deixava de ser irrelevante e sem projecção de poder.
    Já como propaganda já chega.

  5. coelhopereira says:

    Claro que estes crápulas terão sempre quem os apoie. Basta parar uns minutos pela mesa de um qualquer café ou aceder ao admirável mundo novo dos comentadeiros da blogosfera para se ser brindado com as mais imbecis leituras (?) da situação na Ucrânia. Todas essas “leituras”, claro está, solidamente fundamentadas na leitura diagonal das “gordas” do CM e na assistência aos diversos telejornais das nossas queridas televisões, televisões essas que mais não são do que largas cloacas por onde desagua toda a trampa produzida pelas CNN e FOX deste desgraçado planeta.
    Tirando as incidências actuais, sangrentas e humanitariamente muitíssimo prementes do problema (leia-se “ingerência tresloucadamente belicista e assassina na Ucrânia”), a grande desgraça de fundo da Europa Ocidental é algo similar às manias daquelas famílias brasonadas cujas fortunas há muito se esfumaram: sobra a “pancada alta” das manias imperiais, mas o cheiro putrefacto da mais profunda e irreversível das decadências é como o algodão – não engana. Por isso, com mais 2% ou menos 2% do PIB dos paises da NATO gastos em brinquedos mortais para psicopatas, com “forças de reacção rápida” ou sem elas, o caminho será o mesmo: é sempre a descer. E a grande velocidade.
    Quanto ao senhor Zorrinho, é só mais um anãozinho que, de quando em vez, sobe ao cimo do escadote para nos brindar com mais uma resplandecente pérola do seu prodigioso corrimento cerebral.


  6. E como é que se chama a música?

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