Os meninos querem brincar às guerras

Carlos Zorrinho fez hoje a mais miserável das declarações sobre as vantagens do aumento do esforço militar na Europa – com correspondente agravamento orçamental em cada país -, considerando que tal situação fará esquecer a crise, com sempre acontece quando tem de se defender “um bem maior”.

Isto, a que se podem juntar os entusiasmos belicistas tão frequentes em quem nunca ouviu um tiro e se sente, por assim dizer, entediado com tanta paz, faz-me corar de raiva e lembra-me uma velha canção de caserna dos tempos da guerra colonial, dedicada aos que, no conforto do ar condicionado, davam ordens imbecis aos que estavam no terreno: “ora vai p’rá mata, ó meu malandro, por tua causa é que eu aqui ando…”.

Isto faz-me sonhar com a cena de uma fileira de engravatadinhos e sortidos entusiastas na prosteridade das industrias militares – encabeçados por Barroso, o gangster sec. da NATO, Obama, Cameron, Coelho… enfim, todos esses broncos, prontos para o combate à cabeça das suas tropas – ou “à cabeça da manada”, como canta o fado. A imaginação não tem limites. Aparentemente, a estupidez também não. Por isso, estes crápulas terão quem os apoie. É fatal.

sem surpresas (mas com um certo ar de alarme)

pela primeira vez desde que tenho consciência cívica e política (desde os meus 11\12 anos) decidi não assistir a uma noite eleitoral. deixei o professor marcelo a pregar aos incautos, o dr. karamba marques mendes a adivinhar o número exacto dos próximos cortes orçamentais, a Judite de Sousa (sem ou com Montenegro; com ou sem equívoco na pessoa) num saco do Pingo Doce e a televisão desligada de forma a poupar energia e pagar menos à China Three Gorges. encontrei-me com a minha princesinha AMF e fomos ao cinema ver Grace of Monaco de Olivier Dahan. apesar da história ser batida, o filme de Dahan acaba por ser bastante interesse e, no plano técnico, é simplesmente fantástico. desde os planos à direcção das cenas, passando pelo límpido som de voz nos diálogos entre personagens.

a campanha foi degredante. do surfer rosa (bem que queria ir ver os pixies para a semana ao primavera sound mas mas todo o argent é escasso nos dias que correm) nos currículos escolares aos vírus despesistas. de reminiscências do holocausto que não foi vivido em verso à governação socratina. Até o filósofo (cientista política, teorético político) teve que se meter na querela e vir a público lavar roupa suja. Sócrates himself, teve ali uns 7 orgasmos seguidos durante os 3 episódios em que pode comentar a campanha. discutiu-se tudo excepto política europeia. discutiu-se tudo excepto os problemas que neste momento precisam de ser resolvidos na europa bem como os que estão a rebentar. como a deflação. o partido socialista ainda tentou lançar a discussão sobre a mutualização da dívida na fórmula desusada de eurobonds mas… com tamanha babugem estavam à espera que a malta andasse informada e estivesse minimamente ciente dos projectos europeus defendidos pelos candidatos?

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penso eu de que…

Nunca compreendi bem a concepção de dia de reflexão no dia que antecede um escrutínio eleitoral. Nunca compreendi bem o conceito pelo facto da reflexão, como seres racionais que somos (alguns; perdoem-me a excessiva arrogância) ser uma constância derivada da própria natureza humana. O ser humano não pode formular uma ideia assertiva sobre algo ou alguém num dia. Parece-me ponto assente. Muito menos poderá agir de forma consciente num caso concreto que lhe diga respeito de forma leviana.

A minha tenra experiência política enquanto militante de um partido e, sobretudo observador diz-me que em política tudo vale. Desde a mentira ao porco no espetro na safra, [Read more…]

É nesta mentalidade de gastar o dinheiro dos outros que está a raiz do problema

«O gabinete do deputado tem 18 m². Nenhum parlamentar tem secretária nem assessor particular. E nenhum deputado tem direito a carro com motorista.» Ao minuto 1:28s sobre os deputados suecos.

Não fez o PSZ (Partido de Sócrates e Zorrinho) do modelo nórdico uma bandeira de propaganda? Falava-se de professores, lá vinha o modelo nórdico. Energias renováveis? Modelo nórdico. Tudo exemplos para os outros. E ilações para os próprios? Ah, não o que faltava era andar de Clio, esse carro para plebeus no qual nós, elite governativa que faz comemorações à porta fechada, não se imiscui.

O dinheiro é dos contribuintes mas a democracia tem custos, diz Zorrinho. E, dizemos nós,  tem mais custos cá do que lá.

Zorrinho ou o Franciscanismo Argumentário

Que se passa com Zorrinho? Por que motivo não foi capaz de elogiar uma frase de desprendimento político do Poder e de um cargo, vinculando o Primeiro-Ministro a essa espécie de compromisso com as suas próprias palavras: que se lixem as eleições?! Em vez disso, com uma falta de imaginação terrível, sem rasgo e sem estilo, desatou a construir inferências abusivas: se disse o que disse, o que quis dizer foi «que se lixem os eleitores», quando tudo o que transpôs os dentes de Passos é saudável, raro, e foi só isto: «Se algum dia tiver de perder umas eleições em Portugal para salvar o país, como se diz, que se lixem as eleições.» Zorrinho tinha a obrigação de reconhecer que nada há, nesta governação, que seja populista e eleitoraleiro. Muito pelo contrário. O que há é amargo. Sacrificial. Duro.

Porque Zorrinho conviveu demasiado perto com a mais infecta desmesura gananciosa do Poder como chave de corrupção e oportunismo, com a hubris mais ostensiva contra os interesses de Portugal, e com os excessos mais onanistas da imagem pela imagem, deveria confirmar que é o interesse do País acima de qualquer tentação eleitoralista o que move, e ai dele!, o líder deste Governo. Por isso é vaiado por uma minoria que se tem especializado na vaia ordinária. Por isso Passos é contestado em surdina e desespero por quem legitimamente desespera. Eu ficaria aliviado quando enfim um Governo se estivesse realmente, como treslê Zorrinho, «a lixar para os eleitores» desde que deixasse de lixar os contribuintes mais indefesos, as famílias mais desesperadas, os funcionários públicos, grande bombo fácil de todas as desleais correcções do défice.

Há por aí quem tente e deseje odiar Passos Coelho de todo o coração, com toda a mente e toda a alma, da mesma maneira que, espontânea e intuitivamente, milhões de Portugueses abominaram e abominam Sócrates por todas as boas razões do asco natural a patéticas peneiras e ao que é politicamente maligno e todas as más razões de tanto mal perpetrado contra nós. Tentam. Desejam. Mas não conseguem. É fácil perceber porquê.

Coisas que coisam os coisos

Cartoon de  Zapiro

Gosto muito de fazer rir. Se tivesse jeito, vocação ou ocasião, gostaria de ter sido humorista e agradeço muito ao Aventar dar-me a possibilidade de compensar, minimamente, esse meu desejo infantil, ao ser-me permitido, por vezes, escrever umas larachas e ficar convencido de que fui engraçado. [Read more…]

Afinal, Há Dois ou Três Zorrinhos

Ontem, depois de ouvir atentamente Zorrinho no Masturbódromo Parlamentar do PS, percebi que me precipitara no optimismo relativamente à por mim suposta reconversão interior zorrinhoniana. Afinal, não há um, senão dois ou talvez três Zorrinhos. E parecem virtualmente incompatíveis entre eles. O Zorrinho solidário com António José Zeguro existe, mas depois há o Zorrinho que faz discursos segundo a narrativa urdida pelos Órfãos de Zócrates. Ora, se são estes espécimens dissolutos a fazer-lhe as homilias, no fundo, levando o Carlos a dizer que estamos pior e ficaremos pior por causa da rejeição do PEC IV e da grande conspiração anti-PS levada a cabo por BE, PCP, Verdes, CDS-PP, PSD, Presidente da República, os media, a Banca, todos os broncos que espumam de raiva contra o Primadonna Playboy PPP Parisiense, toda a gente rasca, eu e quantos andam por aí, então isso quer dizer que temos um segundo Zorrinho em conluio com os que têm feito a vida do TóZé um inferno. Ora, se temos um Zorrinho ao mesmo tempo solidário com Zeguro, mas ainda dependente dos assessores unha com carne de Zócrates, demasiado íntimo do velho spin de falsificar, isso quer dizer que temos um terceiro Zorrinho. Um Zorrinho em que se não pode confiar: não podemos confiar nele, apesar de ser boa pessoa. Não pode Zeguro confiar nele, apesar de lhe ser solidário. Não pode Zócrates e os assessores de Zócrates confiar no tríplice deputado e líder de bancada, apesar de este lhes ler os discursos manhosos. Se Zorrinho fosse só um, não encabeçaria a tese-mofo das desculpas e justificativas socialistas pela devastação corrupta e endividante do Estado Português que o odioso zocratismo pariu em primeiro lugar. Como Zorrinho afinal são três, então que organize um torneio de Bisca. Sempre ganhará de todas as vezes.

Masturbódromo

Recentemente, Carlos Zorrinho subiu na minha consideração política. Primeiro, porque se demarca claramente dos farrapos imorais que compõem a ala socratista intra e extra-Parlamento, embora mantenha a respectiva retórica e porque parece ter purificado o pensamento dos viciosos tiques conspirativos socratesianos, da tralha socrática de que já foi parte demasiado leal para meu gosto. Segundo, porque está ao lado do TóZé, na sua missão espinhosa, torpedeado por todos. Terceiro, porque quanto diz e proclama sobre a acção do Governo Passos, de tão óbvio e tão devedor ao bom senso, merece concordância quase total. Mas não chega. É uma pena que o PS, ainda há pouco todo aclamativo de um tipo de absolutismo intimamente pervertido e que consagrou, no Congresso de Espinho, a sua pior Nódoa histórica, uma Nódoa Indelével, não possua por isso mesmo qualquer espécie de moral para falar de compaixão e sensibilidade sociais a partir do Governo. Lá está o mesmíssimo PS devorista em jornadas parlamentares, mesmíssimo PS do Gordo Vitalino, mesmíssimo PS do Gordo Basílio, mesmíssimo PS do Bojudo Lello e de outros grandes anafados da política. O que pensar, vendo-os agora cagando e perorando com a gorda lágrima social comiserativa ao canto do olho?! Somos nós descendo ao desemprego, sob Esmagamento Fiscal e num Desânimo Mortífero, e eles no Habitual Masturbódromo.

Lei da Cópia Privada #pl118 – todos criminosos até prova contrária (ainda)

Catarina Martins tem bom fairplay, é o que posso dizer face ao humor com que reagiu ao boneco onde a coloquei (ver a tag «»). E sublinho também que há um reposicionamento face à enormidade que o PS propôs para lei da cópia privada.

Digo reposicionamento porque  parece que o BE se prepara para não apoiar a lei da cópia privada. Mas fá-lo pelas razões erradas. Não se insurge contra a possibilidade de se criar uma taxa que penalizaria todos pelo simples facto de comprarem uma impressora, um disco rígido, um cartão de memória, uma pen drive, etc.

O que Catarina Martins acha errado é «que a taxa passe a ter montantes fixos que, nalguns casos, são muito elevados». Não a choca que quem compre um destes dispositivos e não o use para cópia privada acabe por pagar direitos de autor. Portanto, Catarina Martins, mesmo com o bom humor que lhe reconheço, continuo a retribuir-lhe o cumprimento:

Quanto à lei propriamente dita, é de de ler alguns textos muito a propósito: [Read more…]

Lei da Cópia Privada #pl118 – todos criminosos até prova contrária (2 / 2)

Estas pessoas falaram em nome dos seus partidos e em apoio da lei que lhes mereceu unanimidade: Gabriela Canavilhas (PS, autoria), Carlos Zorrinho (PS), João Oliveira (PCP), Teresa Anjinho (CDS-PP), Catarina Martins (BE) e Conceição Pereira (PSD). Tendo recebido unanimidade, também os Verdes a apoiam, só não sei quem foi o porta-voz do disparate.

É uma lei que toma por criminosos quem compre um dispositivo de armazenamento digital. Retribuo o cumprimento:

Lei da Cópia Privada #pl118 – todos criminosos até prova contrária (1.5 / 2)

Já que se tem a fama, que se tenha o proveito.

Parem as rotativas: Zorrinho defende a renegociação da dívida

Até pode ser que esteja enganado, mas pareceu-me ouvir, há pouco, na SIC Notícias, Carlos Zorrinho, num debate com Ângelo Correia, a defender que a dívida deveria ser renegociada, porque a obsessão com o défice pode pôr em causa o tecido produtivo e o tecido social. Se não estou enganado, este é o mesmo Carlos Zorrinho que foi Secretário do Estado do segundo governo – por assim dizer – de Sócrates. A não ser que esteja a incorrer em erro, Sócrates foi o mesmo que acusou Louçã de demagogia, quando este defendeu, no debate para as últimas legislativas, que a dívida deveria ser renegociada. Se for tudo assim como eu estou a dizer, teremos de chegar à conclusão de que Louçã teve razão antes do tempo (ou a tempo) e o PS só consegue ter razão depois do tempo ou quando está na oposição. Corrijam-me, caso esteja enganado, mas este Zorrinho, em se apanhando novamente Secretário de Estado ou Ministro, terá um ataque da maleita conhecida actualmente como vieguismo e passará a defender, convictamente, o contrário do que defendia antes de ter – adoro esta, juro! – “responsabilidades governativas”. Votai neles outra vez, meus filhos, votai.

Lei da Cópia Privada #pl118 – todos criminosos até prova contrária (1/2)

Houve consenso nos partidos com assento parlamentar quanto ao projecto de lei 118/XII, da autoria de Gabriela Canavilhas, sobre o regime jurídico da cópia privada. O Público explica o que é que esta lei significa. E outros desmontam muito bem o erro crasso que ela é:

Depois há o grupinho que dará pareceres e, como bem refere a Maria João Nogueira, «não há UMA associação de defesa do consumidor, não há uma associação que represente o Creative Commons, não está ali representado o cidadão eleitor».

Esta é uma lei miserável feita por gente que não sabe o que está a fazer. Assume que todos os que tenham dispositivos de armazenamento digital os usarão para violar a lei e, por isso, devem contribuir para os autores. Ora, de cada vez que guardo uma foto de 5MB na minha Canon devo por isso contribuir para alguém? Mas serei algum ladrão por querer guardar as minhas fotos? Devo eu pagar pelo que outros façam? Já actualmente existe uma chulice de 3% sobre equipamentos, entregue sabe-se lá a quem. Mas não chega, há que cravar mais as unhas afiadas dos impostos nas costas dos contribuintes.

São estes os eleitos? Poupem-me a tanta mediocridade. Incentivo à economia, ó sr.ª Canavilhas? Ganhe juízo.