Saia um piropo para a Mesa do Rato, que o Brilhante foi ao museu


brigada

Os romanos tinham um aforismo que não resisto a citar: “asinus asinum fricat”. Sem pretender insultar asininos ou políticos, quando li que o Professor Marcelo terá dito que António Costa era um dos seus alunos mais brilhantes, foi o que me disparou a memória. É que, por princípio, desconfio de “jotas” e de quem, na vida real, pouco ou nada mostrou no uso da sua formação académica. Marcelo, pelos vistos, gosta. É a ensiná-los, criticá-los ou a bajulá-los que ganha a vida.

Dir-me-ão: Ah! Mas António Costa exerceu advocacia. Dizem que começou a exercer, de facto, em 1988, numa altura em que já era deputado na Assembleia Municipal de Lisboa, com portas abertas, portanto, até porque fazia parte do Secretariado do PS. E, pelos vistos, três anos depois, já tinha abandonado por motivações políticas. Sim, a política (se vadia, tanto melhor) é bem mais saciável do que ler extensos códigos e ter que trabalhar para viver, fazendo alegações em juízo. Por alguma razão, um dos seus gurus, que também chegou a Primeiro-ministro, tenha começado a máscara de trabalhador, desenhando umas mal-amanhadas casas na Câmara da Guarda, como Agente Técnico, que era assim que se chamava na altura.

Da AM de Lisboa passou a deputado eleito na AR, o salto natural. E malgré tout, em 1993, apenas conseguiu ser vereador da Câmara Municipal de Loures. As suas funções governativas iniciaram-se numa Secretaria de Estado, foi depois Ministro dos Assuntos Parlamentares, da Justiça, foi por inerência vice-Presidente do Parlamento Europeu, para onde foi eleito deputado. Passou ainda pela pasta da Administração Interna, que abandonou para se candidatar a Alcaide de Lisboa, onde esteve até agora. Em resumo, os cargos que dão trabalho, António Costa abandona-os a meio, um pouco antes ou um pouco depois, mas sempre com tempo para auscultar as pitonisas: como Oscar Wilde, porque as tentações na política são muitas, António Costa cede-lhas depressa, mas retira-se antes do fim, na busca de mais brilho com menos trabalho. Aguentá-las, só mesmo porque dá mais trabalho ir à luta. Melhor deixar os adversários a cair de podres, é só abocanhar

Há oito anos, agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique, a sua aura parecia, de facto, condenada ao brilho dos grandes palcos da Nação. Mas continuava na Capital, ultrapassado por não menos palavrosos correligionários no topo da pirâmide socialista. Onde se cuida mais das honras privadas e jogos de poder do que do interesse nacional. Normal, por isso, o facto de, com apenas alguns anos de liderança assegurada em Lisboa, tenha escolhido o vazio socialista para empunhar a bandeira da liderança do Rato, com uma corte de arquétipos em desuso, mas que lhe renderam frutos: António Costa com a sua verborreia embandeirada é agora o líder, empurrado por dinossauros: Mário Soares, Manuel Alegre, Almeida Santos e quejandos, as fénixes renascidas pela mão envernizada (brilhante) do novo líder.

Ao brunir a vitória de António Costa, o Professor Marcelo, com a sua venalidade política, entre Gregori Iefimovitch (Rasputine) e Richelieu, está a enviar ao Secretário-Geral do PS o relato de Dioniso de Halicarnasso, depois das batalhas de Heracleia e de Ásculo. Pelo menos, Pirro soube responder àquele que lhe dava os parabéns pela vitória: “uma vitória como esta arruinou-me completamente”. Claro que isto remonta a 280 aC, onde havia mais guerreiros e menos políticos.

Nesta coisa de lendas, a vitória de António Costa pode ser mais uma vitória cadmeana: dinheiro para comprar a carteira, o Brilhante arranjou; falta saber como vai agora arrumar dinheiro para lá meter, porque, entre intrigas e sms, e mão no pêlo da cultura, noblesse oblige e dá votos, António Costa vai ter que continuar a comprar verniz, e o vil metal não abunda. Como abundam os novos inimigos

Contudo, Mário Soares pode sonhar descansado: a Sua Fundação poderá prosperar de novo quando AC for Conde Portucalense. Se for. Alcaide deixou de ser, da Olisipo. Embora vá regressar em part-time, presumo!

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Nota: Eu sei que a ideia de brilhantismo oportunista tem vários contraditórios. Marcelo prefere dizer brilhante; os que fizeram o curso com AC, e tiveram sucesso profissional, preferem dizer oportunista.

Em que ficamos? Piropo versus insulto, bajulação versus inveja?

Eu quero voltar para a Ilha. Ou para Pasárgada, que, lá, sou amigo do Rei! E o Rei de Pasárgada não está cercado, nenhum Rio o espreita para o afogar, por entre juras de fidelidade. Amorosíssima. Tal como António Costa, o Brilhante, fez com António Seguro, o José.

Quando se perdem os aliados mais importantes na batalha, nunca será uma vitória sem preço. Ficar-se-á sempre à mercê dos outros, os que se esconderam para que possam manobrar à vontade. Se até António Costa aprendeu isso, por que razão não hão-de ensinar essas e outras diabruras nas escolas para predadores políticos. E há alunos tão brilhantes nos colégios para jovens políticos que querem ser ministeriáveis na adolescência! Por isso, criam fundações e museus para os dinossauros. E têm, nessas universidades iniciáticas, cadeiras de envernizamento.

Marcelo é o titular da cadeira de bajulação insidiosa. Consta que até Stolypine, Kekovtsov e Yussupov não perdiam nenhum dos livros que Marcelo, numa das anteriores encarnações, vendia numa banca às portas da Corte da czarina Alexandra.

Pois, hoje é segunda-feira, os museus estão fechados. Abram a Fundação do Oriente para a festa!

Comments

  1. Portugal e o PS venceram, António Costa também ! 🙂

    “Seguro demitiu-se !”

    Os Socialistas, militantes e simpatizantes aplaudem, a maioria dos Portugueses compreendem 🙂
    Outros, felizmente poucos escrevem para passar o tempo…

  2. Já agora, sobre aplausos e compreensões, uma opinião que não é particularmente cara a esta casa, mas que não resisto a linkar…
    http://expresso.sapo.pt/bater-em-seguro-era-um-dever-bater-em-costa-sera-um-prazer=f891411#

  3. Ferdinand says:

    Obrigado Armindo, é necessário quebrar este miserável ciclo de degradação colectiva que leva à degradação individual que aparentemente parece, repito, parece não haver alternativa, e uma das formas, mas não única, é malhar no PS, não malhar por malhar, malhar porque tem feito por merecer!

  4. A arte de ser cortesão é uma capacidade vital no mundo das relações patrono-cliente em Portugal, um sítio onde a palavra honra só tem uso no dicionário… Enfim, é o normal funcionamento das nossas elites ainda aristocráticas.

  5. Armindo de Vasconcelos,
    Sócrates terminou o seu bacharelato em engenharia civil em 1979, em Coimbra, curso que na altura tinha a duração de 4 anos. Conferia desde 1974 o título profissional de engenheiro técnico, uma vez que o termo agente técnico de engenharia terminou em 1974. Este título é igual ou semelhante ao que se usa na generalidade dos países europeus, Reino Unido e EUA, cujos cursos variam entre 2 a 4 anos. De realçar que os cursos de engenharia apareceram no século XVIII em escolas politécnicas. Actualmente a licenciatura em engenharia civil é de 3 anos, inferior ao bacharelato de Sócrates, e pode aceder à inscrição na ordem dos engenheiros, permitindo o título de engenheiro. (título que depende da inscrição na ordem e não da licenciatura)
    A profissão de engenheiro é uma profissão que deve ser actualizada ao longo dos anos, como se faz nos EUA, que não há títulos de engenheiro sem primeiro passar pela escola da experiência profissional.
    Sou engenheiro técnico porque não estou inscrito na OE. Nada me impede de o fazer e obter assim o título de engenheiro à semelhança de quem tem 3 anos de curso contra os meus 4 anos. Quer o título de agente técnico ou de engenheiro técnico não desmerecem por causa de quem exerceu mal a profissão. Dizer que Sócrates era mau engenheiro porque nem engenheiro era mas “agente” é ofender quem muito dá pela profissão que é essencialmente técnica e não carece da pompa com que os “engenheiros” gostam de fazer brilhar pelos salões. É não perceber nada do que é engenharia e gosta de se ficar a contemplar o número de degraus das escadarias do Técnico.

    • Eu, como já trabalhava muito antes de 1974, e sempre trabalhei com engenheiros e agentes técnicos (posteriormente, de facto, engenheiros técnicos), caiu-me a boca para aí, sem desprimor. E usei o termo,não em desprimor da classe, mas da prosápia em Sócrates se considerar engenheiro. Aliás, concordo inteiramente consigo sobre a diferença entre uns e outros, em termos de galões: os engenheiros (agentes) técnicos estavam no terreno, os engenheiros estavam nos gabinetes, com honrosíssimas excepções.
      No que diz respeito à ofensa que sentiu, aceite as minhas desculpas sinceras, não foi intenção nem desprimor. Como poderão comprovar muitas dezenas (eu arriscaria centenas, mas pode parecer exagerado) de colegas seus que comigo trabalharam ao longo de 39 anos.

  6. Ferpin says:

    Essa história da experiência profissional tem muito que se lhe diga.
    Uns têm sucesso profissional porque abriram negócios certos na hora certa, tipo zuckerberg, mesmo que à portuguesa, e depois se vão para a política não percebem porque há gente que se lhe opõe. Nem sequer funcionam tendo que ser contraditados continuamente… Na empresa não havia nada disso.
    Outros são grandes trabalhadores da privada muito elogiados por terem sucesso na mesma em contraponto com os boys da política. Um caso famoso é o lobo Xavier, presente em tudo o,que é administração de empresa privada, onde a única coisa que vende são os seus contactos políticos.
    Repare-se que as maiores manchas no carácter do passos são da sua actividade privada, onde traficava a coisa pública em tecnoformas e afins.
    Portanto, um tipo com o currículo do Costa, só pode sair a ganhar se não lhe descobrirem ao longo da carreira nenhuma actividade privada ou negociatas a lá Xavier com privados.

    Mas isto sou eu a opinar, outros preferem os lobo caveira e os passos mais a sua experiência da privada. O autor do artigo é certamente um deles.

    Ah, e para que não digam que só dou exemplos do PSD e CDs no que toca a homens de sucesso na privada traficando a coisa pública, atiro mais um da mesma cepa, o António Vitorino.
    Tudo malta que se fosse afastada o pais saia a ganhar MUITO.

  7. Albertina Correia says:

    “António Costa com a sua verborreia embandeirada é agora o líder, empurrado por dinossauros: Mário Soares, Manuel Alegre, Almeida Santos e quejandos, as fénixes renascidas pela mão envernizada (brilhante) do novo líder.”

    Ora aqui está a grande e única verdade, o ovo posto pelo dinossauros, que em vez de ser protegido, vai nascer para continuar a proteger…segue e soma…

    A mim não me interessa a historia, nem os graus académicos, pois que o mundo desde que ē mundo, sempre se fez, sem necessitar de diplomas ou diplomados, aprendendo assuntos mal acabados…e muitas vezes mal intencionados, para servir quem deles faz profissão, e guardar os trunfos na mão…

    Esta moldura, sim irrita, por estar demais mofenta, já nem com, retoques de super profissionais lå vai, e nós em nome de impérios que há muito deveriam estar entregues a quem de direito, temos que levar com estes quadros, por demais quadrados, e desenquadrados no tempo…só alguém de curtas ideias, e falta de inovação , se pode prestar a ser mais um ovo parido…(e serve para todos, os que foram, estão e virão)…

    Ó malditas teias, que já nem deixa ver as aranhas que as tecem , por estarem demais escondidas, entre moscas e mosquitos…

    Mas que grande jardim zoológico, aqui vai, e nós a aguentar com esta irmandade…do reumático?

    Força Portugal tu chegas lá, se o lá, não chegar primeiro cå kkkkk

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