Já é presidencial: concursos de professores é com cunha, trabalhar tem de ser tacho

cunha

De manhã o camarada José Espada avançou com o mote e Cavaco logo soltou a redondilha: colocação de professores é escola a escola, cunha a cunha, município a município, e lá chegaremos ao gestor privado, o grande sonho da ora condenada e sempre visionária Rodrigues.

Alguns directores já devem ter posto o espumante no frigorífico: o dia em que a escola será quase sua aproxima-se, o dia em que a prima da prima ocupará o lugar daquele chato que no Pedagógico me passa a vida a atazanar o juízo já se vê ao fundo do túnel.

Privatize-se, estado que é estado começa por colocar nas mãos dos governantes a gestão dos recursos humanos, expressão moderna equivalente ao clássico domesticação de quem trabalha.

Entretanto fiquei a saber como ocorreu o caso da senhora que hoje fez as gordas em alguns jornais: foi a um estabelecimento privado, havia ameaça, cuspiram-na de transporte público para um hospital, e devem ter ido a correr desinfectar o atendimento.

O problema não é um vírus como o ébola, como nunca foi a colocação de professores de forma objectiva e quantificável com decência e sem canalhices: é mesmo o privado. Fosse no colégio, que teria feito o mesmo a um aluno, seja na saúde: servir o cidadão, preocupar-se com um possível contágio pelo caminho, não interessa para nada. O lucro, apenas e a todo o preço o lucro.

Comments

  1. Américo Montez says:

  2. Uma pergunta, Portugal não é o único país que tem escola pública na U.E., longe disso. Como são colocados os professores em Espanha, França ou Itália, para falarmos nos países latinos? E nos países nórdicos? Passemos à frente de discussões ideológicas, a minha questão é simples, como são colocados os professores nos outros países da U.E.?


    • Nas escolas públicas ou nas já privatizadas/municipalizadas?
      Claro que a discussão é ideológica: onde há ensino público é sempre o maior contingente de funcionários públicos.
      E onde se privatizou, o ensino regrediu, da Suécia aos EUA.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      O problema caro António Almeida é que o problema é mesmo ideológico ,só ideológico e nada mais que ideológico. Aliás todos os problemas são ideológicamente neo-liberais e daí estes desequilíbrios. A sua pergunta faz sentido e resume-se a indagar quais as boas práticas, mas com esta gente a dirigir, não vale a pena. Têm a ciência infusa e como diz o “superintendente do grupo”, nunca têm dúvidas e raramente se enganam, seja com o ébola, seja com o ensino e mesmo com os bancos. O problema é mesmo uma questão de Sistema e de Regime. E este, manifestamente não presta.


  3. Não tenho mesmo conhecimento, confesso que também não pesquisei. Por isso coloquei a questão. Uma coisa são os meus conceitos ideológicos, que para esta discussão são irrelevantes. A pergunta só faz sentido se pudermos encontrar uma analogia. Ou seja, como os diferentes países europeus com escola pública contratam o seu corpo docente. Os que têm outro modelo de ensino, não servem de exemplo…


  4. Reblogged this on O Retiro do Sossego.

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  1. […] São muitos e variados os motivos que me levam a defender um concurso nacional, único e onde a graduação seja respeitada. Aliás, partilho de tudo o que aqui foi escrito. […]

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