A turba

Não sou católica, não sei praticamente nada sobre o funcionamento da Igreja Católica e se há assunto que nunca me interessou foi o da escolha de um padre para determinada paróquia. Levo, porém, meses a acompanhar o pequeno drama de Canelas, de início com simpatia por uma comunidade que se juntava para reivindicar o direito a manter o padre a quem estava reconhecida, e ultimamente perplexa com a transformação dessa comunidade de católicos numa turba enfurecida e canalha. Neste domingo, e pela quarta vez, o novo padre teve de sair protegido pela GNR, enquanto a turba gritava, exibindo bandeiras que diziam “A igreja passou a tribunal, só saem com escolta policial”, todo um tratado de bazófia caceteira e um bom começo para um linchamento.

Quatro semanas acossado pela turba, insultado de “badalhoco”, protegido pela GNR, e o novo padre, Albino Reis, continua a comparecer para a homilia de domingo, coisa que confesso que me espanta. Cenas como esta, de um homem ou mulher sós, caminhando por entre multidões furiosas, apontados por dedos acusadores, insultados, ameaçados, fazem-me sempre tomar o lado dos que caminham sós, ainda quando se trata de gente com motivos para receber insultos e acusações, ainda que tenham cometido terríveis crimes, porque da fúria da multidão jamais se pode esperar justiça, e porque a ausência de piedade dos carrascos ainda me parece uma das maiores infâmias dos que os seres humanos são capazes.

Acontece que Albino Reis nem sequer cometeu nenhuma falha, limita-se a tentar desempenhar a missão que lhe confiaram e que terá como objectivo o benefício daquela comunidade de católicos. E por isso detenho-me, a cada domingo, na foto que o mostra a sair da igreja cercado por uma multidão raivosa, e vejo-lhe sempre uma expressão digna, a de um homem que sente medo mas não deixa que isso o vença.

Em Canelas não sabem, ou não querem saber, que este novo padre a quem chamam badalhoco e mandam cortar o cabelo tem uma história interessante. Esteve à frente de uma enorme paróquia no nordeste do Brasil que reunia várias comunidades quase isoladas, a que ele só conseguia chegar de moto, a outras apenas de canoa. Também andou por Chiapas, no México, em zona de zapatistas. Já em Portugal, e como editor de revistas dos missionários combonianos, recebeu um prémio de direitos humanos de jornalismo. Tem como defeito não ser o outro, coisa que justificaria que os fiéis não pusessem os pés na igreja, mas jamais as ameaças e os insultos.

Parece que na oração deste domingo, Albino Reis trocou o “livrai-nos do mal” do Pai Nosso, por um “livrai-nos da perturbação”. Deus não lhe fez ainda a vontade, e suspeito que mais depressa a GNR deterá alguns dos arruaceiros mais assanhados, mas é certo que Albino Reis tem, pelo menos, dado aos católicos pouco cristãos de Canelas uma lição ao mostrar-lhes, a cada semana, como é possível ser digno e corajoso ante uma multidão de cobardes. Pode ser que um dia algum dos católicos que o insultam seja capaz de reconhecê-lo.

Foto: José Coelho / JN

Comments


  1. Estas comunidades muito beatas transformam-se rapidamente em grupos de arruaceiros e caceteiros.
    Bater nos padres é um verdadeiro desporto de fim de semana.

    “Maria: Jaquim, adonde vais, home?
    Joaquim: vou só ali arrear umas no badalhoco do padre mais a canalha, que é pra irem aprendendo.
    Maria: vai, home, mas olha que o almoço tá quase pronto. Despacha-te!”

    Em certas aldeias das Beiras e de Trás-os-Montes já começa a surgir um movimento com vista a criar um campeonato regional de ARPCO, sigla de “Arreia no Pároco” e fala-se mesmo de vir a tornar-se modalidade olímpica.

    Esta gente não é religiosa, é apenas estúpida. Peço perdão pela repetição.

    • rocha says:

      vê se tens respeito pelas pessoas ,pois como és pessoa de frazes feitas sem sequer saber do que falas ,a tua modalidade de fim de semana deve ser apanhar no cu,pois já e modalidade olimpica

      • Susana Couto says:

        Eu, por exemplo, posso não saber os reais contornos desta história, mas que a atitude destes “católicos” (e permita-me pôr católicos entre aspas) não é de todo digna, isso não é! Perderam toda a razão que poderiam (????) ter…


  2. Reblogged this on Palmilhando.

  3. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    A dignidade do Padre vê-se na fotografia.
    Talvez a dita turba, não compreenda o significado de dar “a outra face” quando se é agredido.
    A Turba bate no peito, mas só ao fim de semana e não interioriza o significado do que repete à exaustão.
    Típico de “turba” aliás.
    Na realidade, só um Homem com o percurso deste seria capaz de aguentar o que ele aguenta.
    E conclui: aquela gente que vive nas aldeias da Amazónia ou nas altas montanhas da cadeia Mexicana, nada têm de selvagens. Estes estão em Canelas…

  4. Luis Coelho says:

    Considerando o estado das águas residuais à época e as guedelhas com que Cristo nos tem sido apresentado nos santinhos e altares, badalhoco parece-me no mínimo inapropriado para não dizer pouco cristão.
    À pouco serena população poder-se-á aqui aplicar o celebrérrimo “bard@merd@ para o povo” do almirante Pinheiro de Azevedo.
    Evitam-se estas vergonhas investindo na educação (em geral) e na escola pública (em particular).
    Cumprimentos

    • Supraciliar says:

      Viu-se bem na guerra civil da ex-jugoslávia, nas perseguições estalinistas e nas purgas nazis que a educação protege da violência. Recordo o pianista sérvio, aderente recente à milícia, que duma varanda explicava, de mão na neta, à avó Bósnia “ou salta tu ou voa a miúda”, Suicidou-se a avó e seguiu-lhe no abismo, pela mão do educado, a neta. Educação formatada pela escola pública, por burocratas com os valores de carneirismo seguidista que se lêem por aqui, dispensamos todos. Por isso nos rankings levam a tareia que levam das escolas católicas e têm de se desdobrar em desculpas esfarrapadas.
      Tem mais decência o povo simples, mesmo quando erra, mesmo quando agride, que os ressabiados sem alma que aproveitam esta caixa de comentários para vomitar toda a sua intolerância para com o catolicismo.

  5. Ferpin says:

    Preambulo dizendo que sou ateu.
    No entanto conheço alguma coisa do catolicismo.

    Sejam quais forem as razões da polulação ( e dizem que há algumas), o comportamento adoptado em relação ao novo padre é indigna. Não acredito que essa populaça seja católica. Ou então são católicos como se é do porto ou do Benfica.

    Já agora, este comportamento não qualifica os autores para excomunhão?

  6. Supraciliar says:

    A autora do post não escreve mal e percorrendo os seus últimos texto encontramos coisas interessantes. É traída pelos comentários do público para que escreve, os inimigos da Igreja, e faz um esforço por não saber o que levou o bispo a mudar o padre. Estamos a isso habituados.
    Também estamos habituados a que quem por aqui escreve não tenha um dicionário que lhes explique o que significa a palavra “mentira”. Isto a propósito dum post em que a autora defende (como a maioria) que a intervenção do governo no BES, desenhada para que não se tornasse num gigantesco BPN custando aos contribuintes 30 ou 40 mil milhões de euros, passaria a onerar os contribuíntes porque os lucros da CGD podiam diminuir. Diz a autora que como o governo não adivinhou que a evolução do Novo Banco no mercado iria gerar menos valor que o calculado, logo a ministra “mentiu”.
    Quando alguém se engana sobre uma previsão futura, a autora diz mente. Quem erra diz a autora, quem erra e não é nosso amigo, mente.
    Parabéns à escola pública pelo rigor e inteligência que revela. Percebem-se os rankings que essa escola consegue contra o ensino católico.


    • Nunca pensei ver reunir Canelas, BES e Maria Luís Albuquerque para defender o ensino privado católico. Mas mais ainda me espanta que alguém evoque os horrores da ex-Jugoslávia para atacar a escola pública. Deve ser muito triste ver o mundo pelos seus olhos, Supraciliar.

      • Supraciliar says:

        Vejo-a baralhada, Carla, e preocupa-me o seu esbugalhar de olhos.
        Tente juntar as ideias de BES e Maria Luís Albuquerque.
        Tente agora juntar as ideias dos eventos de Canelas e a Igreja Católica.
        Tente ainda juntar comportamento violento e guerra civil na ex-Jugoslávia.
        Tente por fim juntar as ideia de escola pública versus privada.
        Falta só juntar os quatro conjuntos, não é?
        Mais com o fito do seu publico ultrapassar o recorde de mãos com dedinhos para baixo, do que outra coisa, aqui deixo a explicação do que a espanta:

        #1 O meu primeiro comentário foi uma resposta ao Luís Coelho. O Luís escreve a propósito de Canelas que a educação e a escola pública evitam a violência. Mas a violência é historicamente mais grosseira e mais repugnante onde há educação – mais na Europa que em qualquer outro continente e maior ainda após a imposição da educação pública (de que Nazismo e Comunismo foram arautos). Prova-se que a monocultura da escola pública proposta pelo Luís é fraco remédio para o horror da violência , como se viu na educada Jugoslávia.
        Ideias a reter: CANELAS + ESCOLA PÚBLICA + VIOLÊNCIA + JUGOSLÁVIA. Difícil?

        #2 No segundo comentário critico a falta de rigor da Carla, um apanágio da escola pública que este blog quer impor com o dinheiro de todos e a que tem a lata de atribuir o dom de findar a violência, o que a história recente contradiz. Essa escola tem muito sucesso na conversa, mas pouco nos resultados objectivos, os chatos dos rankings. Optei por um exemplo fácil de perceber onde a Carla esquece o rigor que aqui falta: um post da mesma Carla sobre o BES e a ministra, em que essa falta de rigor é linear, pois confunde, como é conveniente, errar com mentir.
        Ideias a reter: BES + MINISTRA + RIGOR

        #3 Mas podemos – com um pouco maior de esforço descritivo – encontrar exemplificar essa falta de rigor, típica da escola pública, no post original sobre Canelas. Dá mais trabalho e é em vão, mas cá vai.
        Ideias: RIGOR + CANELAS. Ainda cá está?

        #4 A Carla “não percebe da nomeação de padres, nem lhe interessa”, mas passou a “interessar-se muito”, infelizmente continuando a não perceber nada, quando uma “simpática comunidade”, o povo, exigia que a hierarquia (o Bispo) não afrontasse o seu “direito” ao padre antigo.

        #5 Eis senão que o povo passa de comunidade a “cobarde multidão linchadora” e a Carla, que continua a não perceber nada, diz que o novo Padre se “limita a cumprir a missão que lhe confiaram”. Que conveniente. Faltou-lhe uma gota da coragem que sobra ao padre e que seria escrever “para que a hierarquia (o Bispo) o nomeou”.
        Porquê? Por causa da contradição insanável do Bispo mau que tirou o padre antigo, em violação de direitos do povo, ser o mesmo Bispo bom quando nomeou o “padre novo e digno” que a “canalha beata” recusa e quer assassinar.
        Ideia: RIGOR + CANELAS (zero dele).

        É o mesmo povo, é o mesmo Bispo e é a mesma Carla que não percebe nada mas escreve muito.

        Porquê o exemplo do post da mesma autora sobre o BES? Vamos repetir: porque era mais fácil identificar aí o seu defeito sistémico da falta de rigor.

        Acabo sempre da mesma forma – para quem gosta de educação como eu, mas prefere a boa à má, mesmo não lhe atribuindo a capacidade mágica de desenvolver o país (já imagino os gritinhos dos seus leitores) nem de vacinar contra a agressão do outro.

        A raiz do problema da Carla e dos seus leitores é priorizar conveniências sobre a verdade.
        O tronco que emerge dessa raiz é bem claro nos comentários que não reprova: a contradição insanável com realidade.
        Os ramos que provêm desse tronco são os enfadonhos os clichês e o espanto da turba quando alguém sai deles.

        A liberdade de ensino vale mais que a monocultura da escola pública e não há lugar melhor para escrever isso que na coutada do inimigo da liberdade educativa: o Aventar.

        Conseguiu agora juntar tudo Carla?
        Não se apouque, pois escreve bem e tem ideias interessantes. Ao contrário dos muitos que aqui a comentam e não têm cura.
        Agora só lhe falta cortar o cordão umbilical dos clichês e vai ver o prazer que é ser-se um livre pensador e a tristeza que era ser repetidora.

        Termino citando o seu texto: “Cenas de um homem ou mulher sós, caminhando por entre multidões furiosas, apontados por dedos acusadores”. Releia os comentários. Sentiu algum clique?


        • À parte o seu tom paternalista e sobranceiro, que opto por ignorar, até porque já não deve ter arranjo, chama-me a atenção a sua insistência em colar este tema à escola pública vs. aquilo a que chama “a liberdade educativa”. Parece-me que usa o meu texto para levar a água ao seu moinho, neste caso a defesa do ensino privado católico, dando tantas piruetas quantas forem necessárias. Porque, se bem se explicou, os seus argumentos são verdadeiros e quem não os partilha manipula a verdade ao sabor das suas conveniências.
          Ora eu não estou aqui para convencê-lo de nada e muito menos para refutar as acusações veladas que me lança.
          Só mais uma nota: quando usar aspas, cite bem, coisa que não acontece quando ensaia umas citações do post. O rigor, já sabe.

          • Supraciliar says:

            Ora aí está uma boa resposta, encerrada até com bom humor.

        • Luis Coelho says:

          UAU!!! …o que para aqui vai! O meu pedido de desculpas à Carla Romualdo, jamais imaginaria causar semelhante embrulhada, até porque sou novato nestas andanças (salvo erro, terá até sido a primeira vez que comentei um post seu).
          Tenho-me como pessoa tolerante e tento não fazer aos outros o que não gosto que me façam.
          Poderia alongar-me em explicações sobre ensino para todos, custo de propinas, destruição da escola pública, etc., mas dispenso-me de o fazer: os seus comentários, Supraciliar – esses sim, reveladores de intolerância e até de algum fundamentalismo (quando afinal só queria vender o seu peixe)- pareceram-me, de supetão e sem ofensa, o resultado do cruzamento de um traumatizado de guerra com um episódio de uma série CSI, com sangue e BES, saltos de varandas e ministros, avós e “caneladas”. Uma bagunçada.
          Não vejo a vida desse modo e gostaria de me manter nesta tranquilidade.
          Como não frequento a sua praia, espero não ter o desgosto de encontrá-lo nas que frequento, mesmo sendo públicas.


        • Mas acredita que alguém consegue seguir o raciocínio até meio, ou foi um desabafo que lhe fez bem á alma?
          mais de duas frases seguidas e já se esqueceram do inicio
          (ler =”manual do troll para tótós”).

  7. Acacio says:

    Primeiro insulta-se o padre. E se puder dão-se uns caldinhos no pescoço ou uns empurrõesinhos..

    Depois toma-se a hóstia e Deus perdoa tudo, e fica nosso amigo.

    Que católicos(?) nojentos e histéricos.

  8. Eu Mesma says:

    Como católica (embora pouco) praticante, estou mais do que indignada com tudo isto. Enojada é pouco. Para mim, este sacerdote é um exemplo do Cristo Vivo que muita gente quer ver e que devia seguir. Estranho paradoxo! Muitos exigem cristãos que sigam a Cristo, que dêem exemplos na sua vida quotidiana (para além das idas à missa ou aos terços ou às ocasionais procissões) e quando alguém o faz, em vez de respeitarem, até perseguem. Da reportagem especial que vi uma vez num dos canais televisivos sobre o caso, apenas vi este sacerdote dar a cara corajosamente; o hábito não faz o monge, mas para estes zeloso “católicos”, parece que ter barba e cabelos compridos o qualifica como “badalhoco” e indigno de celebrar missas, devem pensar que Jesus o Nazareno ia à barbearia e era vestido pela Rosa&Teixeira; o “querido” e “vítima de uma conspiração” padre que o antecedeu calou-se bem calado, quiçá porque teve medo de expôr certos podres que Deus já sabe de cor mas que os humanos ainda não tiveram a coragem de ver… aliás, consta-se que esse sacerdote – o antecessor deste – era o querido das beatas canelenses, e dizem (ainda não há certezas) que terá caído no pecado com uma das senhoras, casada ainda por cima, pelo que está bem de ver (a confirmarem-se tais suspeitas) porque é que as ratazanas de sacristia querem tal padreco de volta: não provaram do maná pecaminoso, logo, estão frustradas e ressabiadas como tudo. Ferpin tem razão, já foram excomungadas pessoas por muito menos, soubesse eu como se faz e era euzinha própria, que nem do Norte sou (nasci lisboeta, filha de lisboetas e neta de uma beirã e de um aveirense) mas tenho respeito por aquele povo (não podemos julgar o todo pela parte!). Agora, isto é o descrédito total. Malditas sejam as ratazanas de sacristia, perdão, beatas. Por culpa delas é que as pessoas se afastam da verdadeira fé. Pensar que as fogueiras da Inquisição queimavam vivas pessoas decentes… e admiram-se que a malta nova não queira ir à missa e critique a Igreja. Oh Papa Francisco, venha cá pôr ordem nisto!

    • Supraciliar says:

      Excomunhão significa para um católico a morte eterna. Pior, para os crentes, que a morte neste mundo pois a esse pode-se seguir a vida eterna, como aconteceu com Cristo.
      Para um não crente é uma palavra boa de arremessar a título de graçola, com o rigor da turba odiosa que embeleza a escarradeira dos comentários de qualquer blog.
      Agora uma católica, para agradar à turba dos comentadores gritar ela própria “morte eterna”, “morte eterna” aos tontos de Canelas, já é obra.
      Obra e muita escola pública, sem me é permitida a provocação.
      Por aqui me fico. Vou ver povo para outras paragens, tão más como esta.

  9. brácaro says:

    Os arruaceiros de Canelas não são cristãos. A sua conduta é idêntica ao terrorismo islâmico. Um verdadeiro cristão respeita e ama seu irmão. O padre Albino merece todo o respeito, também pela sua forma de estar na vida. Se são crentes aqueles arruaceiros terão, por certo, o pagamento aquando do Juízo Final. Falsos beatos e hipócritas. Mas qual o segredo do anterior pároco? É bom que se investigue, para que se aclare a conduta daquele “rebanho tresmalhado”.

    • Pereira says:

      Comentam e nada sabem do que se passou em Canelas e ainda passa.
      Ninguém comentou que a paróquia de Canelas até à data dum bispo afastar o Padre Roberto era uma das melhores do País.
      Quando as maiorias das paróquias andam a definhar e a vegetar porque caga de água arrasaram com um padre e uma paróquia exemplar.
      Nós sabemos é triste que após estes quatro meses após a saída do Padre Roberto a verdadeira informação não seja dada ao País.
      A quem interessa esconder a vergonha da diocese em Canelas?
      A quem interessou arrasar com uma maravilhosa paróquia?
      Porque não tratam os bois pelos nomes ou seja os Pios, os Lavradores, os Aguiares e os Coelhos, que com um fraco Bispo causaram esta bagunça na paróquia de Canelas.
      Porque abafaram a não vinda do bispo António Couto hoje bispo de Lamego e um dos melhores do País, a quem serviu e beneficiou com o boicote a este excelente Bispo?
      Será que foram os nomes acima mencionados que boicotaram?


  10. Não importam as motivações. Uma turba é sempre algo que conduz ao absurdo.
    Na fachada oeste da catedral de Notre Dame de Paris, uma série de vinte e oito estátuas representam os reis da Judéia antes de Cristo. Em 1793 , durante a Revolução Francesa, todas estas estátuas foram decapitadas . Tomada pela estupidez, a turba nem pensou 2 vezes, mas cometeram um disparate. Os revolucionários confundiram os reis da Judéia com os reis da França. Mais tarde as cabeças foram redesenhadas e reconstruidas.

  11. MJoão says:

    Ah , Canelas … lugar de gente com estranha forma de estar e pensar. Há muitos, muitos anos teve um padre e professor de Moral. Ar de actor de telenovela, Alfa Romeu a bombar que ia para o altar perorar, de forma que eu apodaria de persecutória, contra os maus costumes da juventude. Conseguia contabilizar o tempo dos xôxos da pequenada , nunca menos de 10m, e sem parar …. além de descobrir cuecas cheias de esperma, atrás da Igreja, dizia ele quase irado, … a melhor resposta ouvia de raspão_ ” Ó sr padre dê os olhos à ciência, dê os olhos à ciência!”.


  12. A turba de Hong Kong é perseguida pela turba dos que estão fartos de turbas, no Egipto parece que as turbas são tantas que na realidade anda tudo um bocado perturbado, a turba do cais sodré é uma chatice para a turba dos moradores, ainda ontem em Coimbra a turba ficou à rasca porque de um lado petardos do outro cacetada da turba dos policiais invadiram o campo interrompendo um jogo muito importante. As turbas são idiotas? Por demais evidente que sim.


  13. Eu chamava um exorcista…

  14. Joam Roiz says:

    A grande maioria destes comentários seria evitável se as pessoas não se deixassem levar pela paixão política e tivessem bom senso para compreender que a educação pública e a educação religiosa visam e têm finalidades distintas. Enquanto a educação pública, administrada através da escola pública, visa a transmissão de princípios e valores gerais de cidadania, necessários à organização da vida em sociedade, por todos aceites e onde possam caber todos e cada um na sua diversidade de credo, de raça ou de género (e, por isso, a escola pública só pode ser laica), já a educação religiosa procura transmitir a um grupo determinado de crentes, princípios e valores que uma dada religião considera os que melhor podem orientar cada um dos seus crentes na relação interpessoal com o outro (os outros), bem como entre si e a transcendência revelada. Naturalmente, em sociedades mais ou menos homogéneas, há sempre um parcela de princípios e valores de identidade comum aos dois conjuntos (sociedade em geral, versus, comunidade religiosa) ou que, pelo menos, se cruzam e interpenetram. Em sociedades mais heterogéneas, onde o “cimento” social é mais fraco, essa identidade de valores tende a ser menor, daí resultando, muitas vezes, conflitos de integração social mais ou menos graves.
    Também me parece que o post de Carla Romualdo deu azo a outra confusão: a que se estabeleceu entre ensino e educação. Na verdade, o ensino das diversas disciplinas (história, português, matemática, etc, etc.) está sugeito a programas curriculares e metas iguais para o ensino público e para o ensino privado; e é, também, verdade que o ensino ministrado pelas escolas católicas prima pela sua qualidade; mas não pode deixar de reconhecer-se que as escolas privadas, nomeadamente as católicas, gozam de um conjunto de factores privilegiados (boa qualidade de equipamentos e materiais, corpo docente estável, discentes, salvo raras excepções, provenientes de estratos sociais elevados, etc, etc.) que muito contribuem para o êxito do ensino aí ministrado. Não é por acaso, aliás, que alguns ateus e muitos agnósticos procuram o ensino das escolas católicas para os seus filhos.

  15. António Melo says:

    Não vou sequer comentar os impropérios da senhora que vem aqui, totalmente a despropósito, mas se calhar concomitantemente, defender a escola católica, confrontando-a com a escola pública, um desatino pegado a que ainda se vem juntar o BES, o governo e a Maria Luís Albuquerque. Direi só que a referida senhora confia muito na parolice dos “rankings” e que não deve ter tido conhecimento das conclusões de um estudo que, há poucas semanas, foram publicadas em diversos órgãos de comunicação social e que referiam a manipulação de resultados escolares. Em que escolas ? Nas privadas, obviamente, incluindo-se aí as escolas “católicas”. Quanto ao povo tão católico de Canelas, essa massa amorfa, analfabeta e cobarde, mais não faz do que reforçar as convicções daqueles que se afastaram do catolicismo, enojados com tanta falsidade e podridão. Não sei porquê, mas a imagem do Padre Albino faz-me lembrar a de Jesus Cristo, também acossado, apupado, vilipendiado e agredido pela turba ígnara. Não sei porquê…

  16. Falcão says:

    Pergunta – Mas afinal porque é que esses “católicos” bravos e corajosos não vão chatear o bispo que colocou lá nessa terra o novo padre?
    Resposta – Porque são uns cobardolas de merda e têm medo de ser excomungados, sendo mais fácil fazer tristes figuras à porta de casa. Cambada de ignorantes e ressabiados… ide rezar!


  17. Assistir as cenas de violência inter étnica ou inter religiosa por esse mundo fora e absorver as explicações anglosaxonicas de que nós os bons eles os terroristas dá em admirações como esta. Ele há cura, pensar pela própria cabeça , só que não é a mesma coisa.

  18. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Penso que cristof9 disse tudo. O problema é que nos habituamos a seguir quem fala mais alto e esquecemo-nos que temos uma cabeça. A grande maioria deixou de a usar, pois é mais fácil seguir o “carneiro” chefe. É assim na política e é assim na sociedade. Trocamos o valor da nossa personalidade pelo “politicamente correcto” ou, em certos casos seguimos a turba, porque é o que está na moda. E por isso chegamos onde chegamos e ainda por isso os políticos e os “media” têm tanto poder. E não nos queixemos. Fomos nós que lhos entregamos.

  19. joao lopes says:

    resumindo: o “chefe”,chame-se deus ou alá anda muito mal servido pelas suas bases de apoio.por outro lado,qual foi o “crime do padre amaro”?.pois, o eça dissecou esta questão,no sec.xix.bolas,já lá vão mais de cem anos…e a turba continua igual

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Meu caro João Lopes: Já leu o que Eça de Queirós ou Guerra Junqueiro diziam dos políticos há mais de 120 anos?
      Não acha que se adapta perfeitamente à situação que hoje vivemos?
      Eu penso que isto não tem nada a ver com Deus ou Alá que são apenas conceitos filosóficos e não se metem connosco.
      É tão só a fragilidade humana à tona com uma classificação bem conhecida: necessidade de protagonismo.

  20. artur vieira says:

    A multidão manipulada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos fariseus, sem se importarem com o que faziam, gritavam: Á morte! Á morte!

  21. Helen Noites says:

    Sou católica e cenas como as de Canela deixar-me espantada. Não sei o porquê das coisas, mas nada disto é normal. Excelente texto. Pena que Canelas não olhe para a fé….


  22. Excelente texto e ainda bem que as pessoas fora da comunidade de canelas começam a partilhar a sua opinião e de certo modo a condenar atos deste género. Sinto pena do padre que nada fez para merecer tais insultos.

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