Sobre U.E., Grécia e Portugal…

Uma das soluções apontadas para a resolução do problema das dívidas soberanas são os “eurobonds”. Alemanha, Finlândia ou Holanda nem querem ouvir falar no assunto, para citar apenas alguns países opositores à medida defendida pelo PS e alguns políticos, nomeadamente no Sul da Europa, principalmente na área da social-democracia. A questão não é fracturante apenas do ponto de vista ideológico, a meu ver mal, porque é apenas nesse patamar político e económico que deve ser discutida.

Considero abominável o discurso dos trabalhadores no Norte da Europa vs. preguiçosos a Sul, desde logo porque sou português e não enfio a carapuça. Da mesma forma que anedotas à parte, não compro a ideia dos alentejanos trabalharem menos que os restantes portugueses. O que não invalida nem torna incorrectos os indicadores de produtividade, havendo apenas que buscar explicações para cada caso. Desde logo os trabalhadores portugueses são valorizados e procurados, por exemplo na Alemanha, Holanda ou Reino Unido. E mesmo que se apontem baterias à falta de qualificação dos empresários e industriais lusos, não são raros os empreendedores que alcançaram sucesso e construíram fortuna noutras paragens.

Antes de criticarmos o preconceito que outros têm sobre nós, podemos e devemos pensar se não temos também preconceitos. Quantas vezes não ouvi ou li afirmações criticando a Madeira e seu inenarrável ainda Presidente do Governo Regional? Quem desconhece expressões dizendo “se os madeirenses querem ser independentes, por mim pode ser já…” ou ou similares? Quando assim falamos, estamos a seguir exactamente as pisadas dos que criticamos e demonstrando sobre compatriotas a mesma falta de solidariedade que os europeus demonstram a nosso respeito. Como reclamar um projecto de construção europeia quando somos incapazes de afirmar um projecto de construção e coexão nacional?

Não sejamos cínicos, a verdade é que ninguém quer ou está disposta a financiar os desvarios alheios. Imaginemos por um momento que os eurobonds já existiam em 2010. Um louco irresponsável como José Sócrates, teria construído o TGV, aeroporto, pontes e tudo o que mais se lembrasse, sabendo que a factura seria depois liquidada por todos os governos europeus. Mas vou mais longe, imaginem que em lugar de eurobonds, à escala nacional existiam lusobonds e que teria sido permitido a Alberto João Jardim por possuir a legitimidade de sucessivas eleições, endividar-se o quanto quisesse? Talvez alguns leitores não achassem grande piada à ideia, mas seguramente que Portugal estaria bem pior do que está. Nestas matérias não basta criticar, convém colocarmo-nos no lugar do outro…

Comments

  1. Nightwish says:

    Mais uma vez, a crise não é nem nunca foi um problema de dívida, é da moeda. E é evidente em 2015 que esses investimentos seriam muito melhores do que a austeridade: a alternativa foi destruir a economia e a competitividade das empresas nacionais. Se o António acha isso melhor, não sei que mais lhe diga.

    • Uma vez que não sou keynesiano e defendo a consolidação das contas públicas, obviamente que estamos em posições diferentes.
      Mas nem é por aqui que queria ir, quando apontei exemplos referia-me à impossibilidade de fazer funcionar uma moeda única quando os Estados podem decidir cada um por si dívida ou déficit apenas vinculados a um Pacto. Parece-me que a moeda única está mal construída de raíz.

      P.S. – Quanto a investimentos públicos, sejamos claros, não se pode defender José Sócrates e criticar Alberto João Jardim…

      • Nightwish says:

        Há diferentes tipos de investimento, mas até o investimento em material bélico parou a crise na década de trinta.

        Eu não sou keynesiano porque não sou economista. Agora, sou apoiante de modelos de economistas que acertam nos modelos há muitos anos face aqueles que se recusam a aceitar a realidade ou dizem sempre que disseram o contrário quando a realidade os desmente.

  2. Ma quem é que falou em trabalhadores? o problema do tal sul são os incompetentes e corruptos que abundam por aí. Basta ver o que acontece a processos dos submarinhos,BPN,BES.. e os rankings em que os nossos parceios nos colocam no que diz a corrupção. Para mostrar que somos intelegentissimos somos nós que temos votado neles. Só banca rotas já são tres. E advinhme quem é que vai ganhar as eleições? Isso claro os tais das tres bancarotas. São uns alhos estes eleitores e os seus expoentes os troll meus companheiros.

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