“Le donne odiavono il jazz’?*

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(Com Carlos Cerqueira)

No dia internacional da mulher, o dia em que se lembra que a luta das mulheres por uma vida digna, por direitos iguais não está ainda, apesar de longa, terminada, o Jazz faz Noite ** celebra as vozes femininas do jazz que cantam temas sobre as mulheres. Dos que falam do amor e dos desgostos do coração, próprios de todos, mulheres e homens, aos que nos dizem que as mulheres tudo podem ser e fazer, como os homens.

Este Jazz faz Noite encerra, no entanto, com Bread and Roses, interpretado por Judy Collins, que não é uma voz do jazz. Mas essa luta das mulheres por salários dignos e iguais, que essa canção e o poema (abaixo traduzido por mim) de James Oppenheim nos recordam, não pode e não deve ser esquecida em nenhum 8 de março ou noutro dia qualquer do ano.

As mulheres querem pão e rosas, como os homens, ‘porque os corações morrem de fome’ exatamente como os corpos.

«Pão e Rosas
Enquanto marchamos, marchamos, na beleza do dia,
Um milhão de cozinhas negras, um milhar de moinhos cinzentos,
São tocados por toda a luz revelada por um sol repentino
Porque as pessoas nos ouvem cantar: Pão e Rosas! Pão e Rosas!
Enquanto marchamos, marchamos, lutamos também pelos homens,
Porque eles são as mulheres e são as crianças e são os nossos filhos outra vez
As nossas vidas não devem ser suadas desde o nascimento até ao fim
Os corações morrem de fome como os corpos; dai-nos pão, mas dai-nos rosas
Enquanto marchamos, marchamos, inúmeras mulheres morrem
Gritam através das nossas canções, o seu antigo chamamento pelo pão
É a pequena arte e amor e beleza que os seus espíritos macerados conhecem
Sim, é pelo pão que lutamos, mas lutamos igualmente pelas rosas
Enquanto marchamos, marchamos, trazemos os grandes dias,
O erguer das mulheres significa o erguer da raça.
Não mais o moinho e o tensor, os dez que labutam por um que repousa
Mas uma partilha das glórias da vida: pão e rosas, pão e rosas.
As nossas vidas não devem ser suadas desde o nascimento até ao fim
Os corações morrem de fome como os corpos; dai-nos pão, mas dai-nos rosas»

Alinhamento:

0. Elisabete Figueiredo diz o poema (tradução sua) Bread and Roses
1. Ella Fitzgerald – Sophisticated Lady – 5:22’ (The Complete Ella Fitzgerald Song Books)
2. Sarah Vaughan – Whatever Lola Wants – 2:37’ (Sarah Vaughan’s Golden Hits)
3. Dinah Washington – Wise Woman Blues – 2:55’ (The Gold Standard Series, Jazz, Big Band & Swing Classics – Dinah Washington)
4. Billie Holiday – Lady Sings the Blues – 3:44’ (Lady Sings the Blues)
5. Betty Carter – Don’t Weep for the Lady – 3:02’ (The Modern Sound Of Betty Carter)
6. Sheila Jordan – Let’s face the music and dance – 1:15’ (Portrait of Sheila Jordan)
7. René Marie – I’d rather be burned as witch – 4:19’ (I Wanna Be Evil (with love to Eartha Kitt)
8. Elisabeth Kontomanou – Fever – 4:03’ (Jazz Divas, The Very Best Of, Vol. 3)
9. Lisa Ekdahl – The Lonely One – 3:20’ (Back to Earth)
10. Melody Gardot – Somewhere over the Rainbow – 4:39’ (My one and Only Thrill)
11. Madeleine Peyroux – Walkin’ after midnight – 4:47’ (Dreamland) –
12. Laverne Butler – Little Girl Blue – 4:20’ (Day Dreamin)
13. Nina Simone – Just like a Woman – 4:52’ (Just like a Woman)
14. Judy Collins – Bread and Roses – 3:04’ (Bread and Roses)

* frase da música de Paolo Conte ‘Sotto le stelle dell jazz’. A frase não é, obviamente verdade.Quer dizer, esperamos. O que a frase quer dizer, para quem tenha o italiano enferrujado é ‘as mulheres odiavam o jazz’.

** Jazz Faz Noite é um programa de Carlos Cerqueira, disponivel na Soundcloud, Audiobom e regularmente publicado no facebook do autor.

(imagem de capa: Femme, oiseau et étoile, Joan Miró)

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