O lugar das coisas

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“A Liga de Amigos do Museu Machado de Castro pediu ontem à Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) que o tríptico do Mestre de Santa Clara, recém-adquirido pelo Estado em leilão, seja entregue ao Museu Nacional Machado de Castro (MNMC).”(Diário de Coimbra, 18/3).

Tem todo o sentido, esta pretensão. Mas não tem grande futuro, ensina-nos a história destas coisas. Apesar do Museu Nacional Machado de Castro (MNMC) ser um museu nacional e a peça em questão ser oriunda de um templo de Coimbra e da autoria de um mestre de Coimbra, a gula das instituições lisboetas é bem conhecida.

Compreendo a centralização de colecções se tal obedecer a critérios inteligíveis. Mas não é o caso. Qualquer pessoa de boa fé entende que o lugar desta peça, comprada com dinheiros públicos, é O MNMC. [Read more…]

PPP’s?

Isso é coisa de socialistas. O Pedrinho não se mete nisso.

Santificada beligerância

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Por estes dias, o embaixador do Vaticano nas Nações Unidas proferiu interessantes declarações em entrevista ao site católico norte-americano Crux. Sobre a situação dramática e monstruosa a que o Estado Islâmico está a submeter parte do Iraque e da Síria, Silvano Tomasi afirmou que a prioridade será sempre a procura de uma solução pacífica mas que, caso não seja possível – não tenhamos ilusões: não é – “o uso da força será necessário“.

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Vamos ajudar a Câmara Municipal de Belmonte

Usa o novo acordo ortográfico?

Afinal não havia a tal lista VIP nas Finanças

Havia era, no “âmbito da Autoridade Tributária”, “procedimentos internos nessa matéria” .

Pois.

A sobrevivência do mais apto

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Em Portugal como no resto do mundo, os partidos não são todos iguais. O cliché é bastante útil para as elites dirigentes, mas a verdade é que o nosso regime tem duas faces: PS e PSD. Às vezes, como é o caso actual, o regime traz um CDS-PP atrelado que, por ter um líder mais hábil do que praticamente todos os militantes dos dois outros partidos, consegue ter mais poder do que seria de esperar de um partido cuja base eleitoral ronda os 10%. Uma reduzida expressão eleitoral que contrasta com o poder de um partido com dirigentes de topo envolvidos em quase tudo o que é falcatrua neste país sem que um único seja sequer beliscado pela lei. Abençoado São Jacinto Leite Capelo Rego.

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É muito difícil ser-se político

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Digo eu, apesar da minha experiência no ofício ser mínima. Toda a honestidade do mundo não basta: ainda assim está-se sempre sob suspeita. Os enxovalhos são constantes, digamos o que dissermos, e há momentos em que apetece desistir de todo e qualquer envolvimento cívico.

Quantos portugueses, entre os que não participam na política, suportariam ler as toneladas de “hate mail” e de comentários anónimos injuriosos e difamantes que invariavelmente se lêem na internet sempre que os nossos depoimentos, quaisquer que eles sejam, são publicados?

Se defendes ideais de Esquerda, és um comuna. Se de Direita, és um facho. Se moderados, és do centrão. Se fores filiado num partido, és um “boy”. Se não fores, és um arrivista. Se inicias a vida política num período tranquilo, és um carreirista. Se a inicias num período conturbado, és um oportunista. Se te diriges ao eleitorado, és um populista. Se te diriges às elites, és um autista. Se defendes o investimento público, és um despesista. Se não defendes o investimento público, és um retrógrado. Se tens um passado impoluto, és um moralista. Se tens um passado atribulado, és um corrupto.

Não obstante, os políticos só existem em regimes democráticos; a sua alternativa são os déspotas. Por isso admiro quem se entrega à política para propor um rumo aos seus concidadãos, e se dispõe a defender sinceramente aquilo em que acredita apesar do opróbrio sobre ele lançado.

Recibos verdes

Flávio Martins

Sempre trabalhei a recibos verdes. Dos verdadeiros, mas sobretudo dos falsos. Nunca conheci outra relação com o mundo laboral. Nunca conheci outra cor de governo que não o rosa ou o laranja.
Foi o Mário Soares que trouxe esta nova forma de exploração para a economia portuguesa, que a vendeu como medida de futuro, de crescimento e desenvolvimento, de criação de postos de trabalho. Criou um monstro que devora Portugal.
Somos o novo Lumpemproletariado. Ninguém sabe quantos somos. Não convém sabermos quantos somos. Nos censos, o INE nunca se deu ao trabalho de aferir quantos vivemos sob este “novo” regime de exploração.
Somos a desresponsabilização social do estado e do empregador. Somos cobradores do estado.
Somos o fim do estado social.
Para quem dá mais do que metade do seu vencimento ao estado, para depois nem ter direito a reforma ou subsidio de desemprego, não faz sentido algum contribuir. Sem contribuintes não há estado social. E é isto que querem. Há anos. Décadas. E é isto que temos e somos. Uma carneirada crescente sem rebanho algum. Cada um isolado no seu posto de trabalho a alimentar o vírus.
Os recibos verdes são um vírus. [Read more…]

O que é uma susana valente?

fb11É decerto um espécime criado num dos viveiros das juventudes partidárias, o que lhe permitiu desempenhar papéis de relevo na política espinhense e no mundo das anedotas de louras. Na sua página de linkedin, usando uma língua semelhante ao português, apresenta-se:

Destaco o empenho, o rigor e a dedicação para ser bem sucedida e prestar uma efetiva e produtiva colaboração em todos os projetos que participo.
Capacidade de gestão de prazos e cumprimento de deadlines.
Organizada, responsável, capacidade de liderança, de gestão, maturidade, dinamismo, pró-atividade, de análise e de comunicação aliada a um forte espirito de equipa.

Palavras para quê? É uma mulher que participa projectos e que não só tem capacidade para gerir prazos como para cumprir deadlines. [Read more…]

O rebanho

pastor

Num grupo de professores do Facebook uma colega expõe a sua dúvida: acompanhou uma visita de estudo, obviamente não deu aulas que a ubiquidade não é para todos nem a sua profissão tem equivalente na de gafanhoto saltitando de conselho de administração em conselho de administração, foi-lhe marcada falta porque a incompetência burocrática no micro-mundo das escolas existe, e exigem-lhe que a justifique, com um artigo que assim reza no maravilhoso mundo da justificação de faltas:

As motivadas por impossibilidade de prestar trabalho devido a facto que não seja imputável ao trabalhador, nomeadamente doença, acidente ou cumprimento de obrigações legais

É um artigo giro, lembro-me que apareceu no universo docente reinava Roberto Carneiro e na altura foi dado como exemplo ficar fechado num elevador, o que deu às empresas reparadoras dos mesmos um bizarro poder no mundo do absentismo. [Read more…]

Convívio com o povo

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Walter Branco: Pedro Passos Coelho com os cantadores das Janeiras, Lisboa, 6 Janeiro 2015.

Ser jornalista ou fazer jornais

Diana Andringa explica a sua profissão aos que se calam perante o banho.