VEM dar-me o teu voto, diz o governo, ou a compra dos votos à custa dos emigrantes

Esta invenção do VEM é escandalosa. Primeiro, Passos Coelho convidou (na verdade, obrigadou, face ao clima económico agravado pelo seu ir mais além do que a troika), dizia, “convidou” os portugueses a emigrarem e era se queriam ter emprego. Fizeram-no em 4 anos quase meio milhão de eleitores, perdão, portugueses. Ao saírem, contribuíram activamente para que as estatísticas de desemprego não fossem ainda piores e o governo, na malandrice, sempre fez as contas ao desemprego como se estas pessoas não existissem.

Até agora. Com a proximidade das eleições, o governo quer aliciar mais uns poucos e, simultaneamente, fazer passar a mensagem que estamos melhor, já que até tem condições para que voltem ao país. Propaganda, claro. Basta estar-se atento, por exemplo, ao que diz o INE.

Agora é esperar que a oposição faça o seu trabalho e desmonte a demagogia, já que, é sabido, os observadores-insurgente-blasfémos, só para citar os mais óbvios mas sem esquecer os opinadores da situação espalhados pela comunicação social, não se farão rogados ao seu habitual papel de caixa de ressonância. Por exemplo,  é só adaptar um qualquer eco: “Com pequenas ajudas pecuniárias dadas a um grande número de pessoas, aqueles que necessitam mais, recebem menos, mas o PS[D] atinge o seu objectivo: comprar votos.

No meio disto tudo, tem razão Cavaco Silva (alguma vez teria que ser). Cheira a eleições e o governo, esse mesmo que se estava nas tintas para elas, tresanda a eleitoralismo.

Portugueses em extinção

André Serpa Soares

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“Portugal pode perder até 4 milhões de habitantes”, até 2060. Nesse ano, cerca de 40% dos portugueses terão mais de 65 anos. Estas são as conclusões mais dramáticas de um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos divulgado a semana passada pelo Expresso. Este assunto de máxima gravidade não parece ter preocupado grandemente a “Praça Pública”, entretida a discutir outras questões mais rascas.

Devemos juntar a este estudo um facto tão relevante como o de, nos últimos 4 anos, estimar-se que cerca de 400 mil portugueses abandonaram o País. Portugueses dos mais jovens – em idade fértil, portanto – e qualificados, note-se. Foram procurar lá fora o básico que Portugal não lhes dá: perspectivas de vida.

Já vamos aos que partiram e, eventualmente, desistiram de Portugal. Falemos primeiro dos que vão ficando.

Conforme se pode ver na imagem, os portugueses são os que mais horas por semana trabalham na Europa, logo a seguir aos gregos. Mas a verdade é que a nossa produtividade é miserável. Somos mandriões e maus trabalhadores? Merecemos tudo o que (não) temos e ainda pior? [Read more…]

O lúcido advogado do 44

Soares Sócrates

Foto@TVI24

Reformado e sem muito que fazer, Mário Soares tem dedicado muito do seu tempo a fazer a defesa, em praça pública, de José Sócrates. É legítimo: os amigos são para as ocasiões. E convenhamos que muitos dos argumentos usados por esta figura da democracia até fazem sentido.

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A imunidade das figuras da democracia

Soares

Por estes dias, ouvi algo que me perturbou. Não a constatação em si, algo que pertence ao campo do óbvio, mas a naturalidade com que foi proclamado. Informaram-me vários órgãos da nossa comunicação social que, na decisão do DIAP de Lisboa de não abrir um inquérito às afirmações de Mário Soares sobre o juíz Carlos Alexandre, que em artigo no DN em que se colocou uma vez mais na pele de advogado do recluso nº44 avisou o super-juiz que se “cuidasse”, pesou o facto de Soares ser uma figura da democracia.

Não se trata aqui de julgar Mário Soares pela frase “E o juiz Carlos Alexandre que se cuide” que de resto nem grave chega a ser. Trata-se de ser confrontado com uma realidade em que o facto de um indivíduo ser considerado uma figura da democracia possa servir de pretexto para uma aplicação diferenciada da lei, algo que é altamente contraditório com o conceito de democracia de que esse individuo é figura. Como se já não chegasse a imunidade que, de uma forma geral, caracteriza a classe política, ser uma figura da democracia parece colocar cidadãos portugueses como eu ou o caro leitor num patamar de inferioridade relativamente a sujeitos como Mário Soares e similares. A menos que o caro leitor pertença a alguma casta claro.

O exemplo que vem de cima

Inspectora das Finanças fez uso do esquema do HSBC para fugir aos impostos que inspecciona.

Nojo

Pode uma mulher ser enxovalhada publicamente pelo director de um jornal por ter tido “em média quase três namorados por ano – fora os que não se conhecem”?

Em Portugal, pelos vistos pode. Moralismo de pacotilha e machismo descarado são a assinatura de marca do arquitecto, mas usar uma mulher com nome e rosto públicos para eructar o seu sermão não é só indigno, é também cruel.