Crónicas de Timor-Leste V

António José

Estive à conversa com dois ex-guerrilheiros… delícia, mas não conto. O que posso contar é que conheci o Bosco. Pintor. Com atelier em Manatuto. Ignorância minha, desconhecia. Apenas lhe disse conhecer alguma coisa sobre “Dom Bosco”. Ele, que não… era só Bosco.

Ora leiam a narrativa que acompanha a ilustração… julgo que o texto será de José Amaral, músico, timorense. Posso estar enganado. A ilustração é do Bosco. Eu gostei.

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Europa: misantropia e terrorismo de Estado

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© Harry Clarke (1889-1931) Mephisto

Numa entrevista de 2005 ao jornal francês Le Monde, Peter Stein (n. 1937), o famoso encenador alemão, fundador da companhia Schaubühne (que mudou o teatro, e não apenas na Alemanha) e pertencendo à mesma geração que Wolfgang Schäuble (n. 1942), fez o que esparsos alemães da sua geração procuraram fazer: matar o pai nazi através da arte. Foi a fazer isso que construiu uma encenação mítica do Fausto de Goethe (Hannover, 2000), o poeta maior da Língua alemã que Stein nunca mais largou, apesar da memória de quando a Língua alemã foi um fardo para a sua geração, nascida para carregar a culpa dos pais. Mas como demonstrar que o Alemão “não era só a Língua de Hitler [mas também] uma língua maravilhosa, melódica, sensível”? (Peter Stein ao Expresso, em 2012). [Read more…]

Eles andam por aí, lá e aqui

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Mentecaptos desfilando nas ruas do Brasil.

Apelo ao golpe de estado, em americano para a CIA ler. A nostalgia de um tempo que não volta para trás, foi saudada entre nós no Insurgente. Liberais, dizem-se hoje, velhos fascistas são.

Fotografia Revista Forum.

VEM

Votem Em Mim.

Crónicas de Timor-Leste IV

António José

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Não tenho muitas palavras para descrever ou sequer escrever sobre o que se passa hoje. Vem-me à memória uma frase batida… “a morte saiu à rua num dia assim”… O pai do meu amigo Aboly partiu… ontem. O Aboly é, digamos o meu guia, o meu tradutor, um companheiro. Conhecemo-nos em Coimbra há muito… Recorro a ele quando preciso. Um amigo. Até agora, recorri pouco. Disse-me, quando cheguei, que de noite “não vai sozinho toze”. Não vim apesar de… Esta manhã, cedo, fiz-me à estrada. Direcção, bairro de Sta. Cruz, onde habitava… telemóveis desligados. Dou com a casa apenas porque fui ajudado. Um jovem dialogante em PT que aguardava microlet para escola, decide perguntar-me “precisa de ajuda?”. Sim, muita. Tinha passado já por ela, a casa, sem saber, sem reconhecer os traços.

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Estou aqui como se fosse família. Indescritível… não vou contar ou mostrar mas siga, queria escrever umas palavras para chegar a este último pormenor que infelizmente, não vai acontecer.

Aboly contou-me que tinha falado de mim ao pai… e que recuperado, estaríamos então juntos… para ouvi-lo, para guardar para memória futura… “Cheguei” tarde demais… de nó na garganta…
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Paula, a justiçosa ( ou que se lixe o Estado de Direito)

Por iniciativa da voluntariosa (há quem prefira “louca”, mas a minha esmerada educação contém-me) ministra da justiça, foi aprovada pela maioria de Assembleia da República a mais perigosa, irresponsável e insana lei que que tenho memória das produzidas por aquele órgão de soberania ( e não me refiro só aos 40 anos de democracia). Trata-se da lei que lista os condenados por abusos sexuais sobre menores, lista que passa a ser disponibilizada, desde já a pais interessados e, na prática, dadas as habituais fugas de segredo de justiça, a todo o público num qualquer pasquim matinal. Sempre ouvi muitas vozes alertando para os perigos do poder político cair na rua. Mas, pelo que se vê, não há problema em que isso aconteça ao poder judicial. Não é preciso puxar muito pela imaginação para adivinhar os tremendos riscos que, a vários níveis, esta lei – que é também um precedente -, pela sua natureza, comporta. Por isso me dispenso de ir mais longe em argumentos, já que tudo isto me parece evidente. Registe-se, porém, o nível de iliteracia jurídica, de simples formação cívica ou mesmo de qualquer sentido ético de que padece uma boa parte dos deputados. Não houve uma voz, dentro da maioria, que gritasse o perigo e a indignidade daquela legislação, que protestasse e virasse as costas a mais este aviltamento do que devia ser a casa da Democracia. E se, como me pareceu já vislumbra-se numa intervenção do 1º ministro, esta barbaridade visa ganhos eleitorais, sobretudo junto aos nossos justiceiros de bairro e a quem ainda não percebeu a centralidade da Lei numa Democracia, então estamos no domínio da mais reles canalhice política, da pura pornografia eleitoralista. Tivéssemos nós um presidente da República e teríamos a certeza de que tal lei seria vetada e, eventualmente, enfiada pelas goelas dos seus autores. Mas o que temos é um decrépito alucinado que vê sorrisos em vacas mas não vê o Estado de Direito desmoronar-se à sua volta.

Acidente com autocarro mata 50 pessoas

acidente_autocarro_brasilAconteceu há 12 horas no Brasil.
A imprensa portuguesa está ainda a descansar, é Domingo.