Portugal igual a si mesmo…

Parto do princípio que o cidadão Pedro Passos Coelho terá neste momento regularizada a sua situação com a Segurança Social, tal como milhares de cidadãos portugueses eventualmente poderá ter incorrido em incumprimentos, ficou sujeito a coimas, juros, eventualmente terá beneficiado de prescrições, tudo dentro da legalidade.

Mas Pedro Passos Coelho não é um normal cidadão. Ocupa a função de Primeiro-Ministro e lidera um dos principais partidos portugueses. Quando António Guterres bateu com a porta e afirmou que atrás dele estava o pântano, não poderia ser mais premonitório. Durão Barroso, Pedro Santana Lopes, José Sócrates e agora Pedro Passos Coelho descambaram a política lusa a um nível rasca, jamais visto ou sequer imaginado na choldra em que transformaram o rectângulo. E olhando para o seu mais que provável sucessor, não parece que a coisa venha a melhorar nos próximos anos. Não se admirem, isto resulta do somatório dos jardins de infância laboratórios partidários onde se formam quadros, vulgo jotas, ao estado a que isto chegou excessivo peso do Estado, com inúmeros lugares para distribuir pelos boys de serviço ao governo de turno.

Numa sociedade liberal, justa, os eleitos responderiam perante eleitores, em Portugal os lugares pertencem aos partidos, um deputado será ou não incluído nas listas de candidatos às próximas eleições em função da fidelidade canina que manifestou ao líder. Em tempos não muito longínquos houve quem afirmasse existirem no cofre de certo partido declarações de renúncia aos mandatos, assinadas, prontas a serem usadas caso a ovelha saísse do rebanho o deputado saísse da linha. Alguém acredita que Pedro Passos Coelho se manteria em funções caso ocupasse o cargo no Reino Unido, Holanda, Alemanha ou Dinamarca? Antes de responderem aconselho aos socialistas que pensem bem, esses países algum dia teriam sido dirigidos por um político detentor de uma licenciatura reles como José Sócrates? Ou permitiriam que Miguel Relvas tivesse sido ministro? Tudo isto sem precisarmos cair nos exageros anglo-saxónicos ou tradições religiosas protestantes, em que fumar um charro ou ter um caso extra conjugal torna alguém proscrito para todo o sempre.

Este caso de Pedro Passos Coelho, aguardo ainda para ver o desenrolar das histórias à volta de António Costa, somados a todos os que os antecederam, demonstram o quão necessária e urgente é a reforma do sistema político. Para começar com a introdução de círculos uninominais. Mesmo que funcionando a par com um sistema misto que garanta a representatividade aos pequenos partidos. Mas ao longo dos tempos a reforma sempre foi adiada por ser contrária aos interesses dos principais partidos, que funcionam em cartel. Para chegar ao poder há que fazer muito jogo sujo e na hora de repartir dividendos era o que mais faltava ver sentados à mesa representantes do povo nas diferentes regiões. É preferível administrar a gamela, escolhendo quem lá pode ir recolher o seu quinhão…

Comments

  1. Marquês Barão says:

    Poderá ter apenas parte da razão, porque Portugal no seu todo é bem capaz de ser muito pior do que isto.

  2. anonimo says:

    “excessivo peso do Estado” !?!?!

    Estou pasmo.

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