Crónicas de Timor-Leste IV

António José

11027508_10152900847284864_7685340899834852036_n

Não tenho muitas palavras para descrever ou sequer escrever sobre o que se passa hoje. Vem-me à memória uma frase batida… “a morte saiu à rua num dia assim”… O pai do meu amigo Aboly partiu… ontem. O Aboly é, digamos o meu guia, o meu tradutor, um companheiro. Conhecemo-nos em Coimbra há muito… Recorro a ele quando preciso. Um amigo. Até agora, recorri pouco. Disse-me, quando cheguei, que de noite “não vai sozinho toze”. Não vim apesar de… Esta manhã, cedo, fiz-me à estrada. Direcção, bairro de Sta. Cruz, onde habitava… telemóveis desligados. Dou com a casa apenas porque fui ajudado. Um jovem dialogante em PT que aguardava microlet para escola, decide perguntar-me “precisa de ajuda?”. Sim, muita. Tinha passado já por ela, a casa, sem saber, sem reconhecer os traços.

10442365_10152900847499864_7920897149184798155_n

Estou aqui como se fosse família. Indescritível… não vou contar ou mostrar mas siga, queria escrever umas palavras para chegar a este último pormenor que infelizmente, não vai acontecer.

Aboly contou-me que tinha falado de mim ao pai… e que recuperado, estaríamos então juntos… para ouvi-lo, para guardar para memória futura… “Cheguei” tarde demais… de nó na garganta…

Fica aqui apenas um bocadinho das duas enormíssimas mangueiras (de mangas, claro) que recebem quem chega e nelas trepam e florescem outras plantas, flores… como se fosse um corpo que partilha o que tem. Não me apetece fotografar…

Hoje desliguei de tudo o resto… tem de ser!

11026085_10152900847429864_6467143108251071314_n

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.