O Iº Ministro é o Camões?

Neste 10 de Junho os telejornalistas voltaram à fatal procura da imbecilidade que tanto lhes acalenta o coração. Poucas pessoas fazem ideia das dezenas de entrevistas de rua que é necessário fazer – algumas bem interessantes – para, na montagem final, se obter aquele rol de idiotas (não lhes chamo só ignorantes, dado o tipo de amostra apresentado). O efeito é conhecido: “este país chegou a isto”, ” os jovens já não sabem nada”, “no meu tempo é que era bom” e coisas do género. Acessoriamente, o jornalista obtém uma virtual piscadela de olho dos patetas que se julgam, no país que parecem mostrar aquelas entrevistas, esclarecidos e intelegentíssimos por contraste. Há muitos anos, um então conhecido jornalista contou-me que foi obrigado a fazer 68 entrevistas até obter duas completamente obtusas. E foram essas que foram para o ar. Topam?

Comments


  1. é sempre bom que mais vozes apontem as mensagens subreptícias que são parte integrante da “programação” (de quem? isso não é o que se faz com os robots?) televisiva. essa é das mais antigas.
    há ainda outra consequência ou conclusão que o espectador pode retirar desse modelo de entrevistas que refere no post: “ao que isto chegou”, “à minha volta são todos uma cambada de ignorantes”, “a unica fonte de informação fidedigna é a tv”.

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