Quanto custa um rei?

A Voz Pública, 11 de Julho de 1891

O que vai ser o mandato de Marcelo Rebelo de Sousa

De Cavaco não sei se volto a falar. Tenho este péssimo hábito de não gostar de bater em mortos.
Acerca de Marcelo Rebelo de Sousa. Pela amostra – 10 de Junho em Paris – já se percebeu ao que vem o estacionador no lugar dos deficientes. Ou me engano muito ou vai passar mais tempo lá fora do que cá dentro. Tipo Mário Soares no primeiro mandato.
Esbanjando simpatia. Esbanjando afectos. Durante 5 anos, vai trabalhar para ser reeleito com uns 70%. E depois sim, num segundo mandato, tratará de bater no Governo que então estiver em funções, sobretudo se for de Esquerda. Tipo Mário Soares no segundo mandato, mas ao contrário.
Ainda assim, acredito que não fará pior do que Cavaco. Dificilmente um ser humano normal conseguiria tal feito.

O Iº Ministro é o Camões?

Neste 10 de Junho os telejornalistas voltaram à fatal procura da imbecilidade que tanto lhes acalenta o coração. Poucas pessoas fazem ideia das dezenas de entrevistas de rua que é necessário fazer – algumas bem interessantes – para, na montagem final, se obter aquele rol de idiotas (não lhes chamo só ignorantes, dado o tipo de amostra apresentado). O efeito é conhecido: “este país chegou a isto”, ” os jovens já não sabem nada”, “no meu tempo é que era bom” e coisas do género. Acessoriamente, o jornalista obtém uma virtual piscadela de olho dos patetas que se julgam, no país que parecem mostrar aquelas entrevistas, esclarecidos e intelegentíssimos por contraste. Há muitos anos, um então conhecido jornalista contou-me que foi obrigado a fazer 68 entrevistas até obter duas completamente obtusas. E foram essas que foram para o ar. Topam?

“E sempre os inimigos sobejaram

A quem ousou seu ser inteiramente

Cavaco condecora Teixeira dos Santos

No 10 de Junho é assim: o regime condecora o regime e Cavaco bem pode agradecer a Teixeira dos Santos pelo resgate do banco trafulha dos seus amigos trafulhas.

Condecorações para amigos

Gra Cruz

Nem só de desmaios, manifestações e cães polícia se fez este polémico 10 de Junho. Como vem acontecendo de há uns anos para cá, a presidência da República condecorou uns quantos portugueses. E se há lá nomes que não levantam grandes discussões como Eduardo Lourenço, Rodrigo Leão ou Mário Carvalho, a ocasião também serviu, como vem sendo habitual, para condecorar alguns amigos. Entre banqueiros, financiadores de campanha e altas patentes militares, não pude deixar de notar que Miguel Horta e Costa foi agraciado com uma das mais elevadas condecorações, a Grã-Cruz da Ordem do Infante do Henrique, que segundo o site da presidência se destina a “distinguir quem houver prestado serviços relevantes a Portugal, no País e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua História e dos seus valores”.

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O rosnar de um regime decadente

Cão 2

Em Democracia, naquela em que ainda vivemos, o direito à manifestação ainda se mantém consagrado no ordenamento jurídico que, felizmente mas não por falta de vontade, os empregados parlamentares das diferentes máfias que compõem o sistema ainda não conseguiram alterar, para tristeza de todos aqueles que clamam por mais impunidade para o assalto diário de colarinho branco ao país que hoje celebra o seu dia. E enquanto o dia da submissão final não chega, há que ir rosnando a todos aqueles que tentaram colocar em causa o plano.

Durante a cerimónia comemorativa do 10 de Junho que teve lugar hoje de manhã na Guarda, o antigo accionistanegacionista da SLN sentiu-se mal e teve que ser retirado da tribuna onde debitava as habituais nulidades que o caracterizam. Alguns iluminados e idiotas deste país correram a culpar um grupo de manifestantes que levava a cabo um protesto legítimo contra o governo, tal como previsto no 45º artigo da “infame” Constituição da República Portuguesa. Eu sou da opinião do João José Cardoso, até porque Portugal não é uma monarquia: não está em condições para exercer funções, vá gozar a sua reforma que mal dá para as contas. Junto com a da Maria e considerando que não deve gastar um euro que seja há alguns anos, fruto de viver às nossas custas, mais caro por português do que a rainha Isabel por inglês, deve chegar.

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A tentativa de ocultação do desmaio presidencial


Alguém me sabe dizer quem é o responsável pela realização da transmissão das cerimónias oficiais do 10 de Junho? Sendo as imagens iguais em vários canais, fico na dúvida.
É que gostava de saber quem é que deliberadamente começou a mostrar os soldados como forma de ocultar o desmaio do Presidente da República. Assim, poderia classificá-lo como um péssimo jornalista com um péssimo sentido de oportunidade. Mais ou menos como os realizadores portugueses de futebol, que decidem mostrar primeiros planos de determinado jogador ou o público quando uma das equipas está quase a marcar um golo.
Mas esses, coitados, não sabem mais. Já o realizador de hoje, bem como os jornalistas que atribuiram as culpas aos protestos populares e os fotógrafos que aceitaram apagar as fotos do desmaio, esses, sabem-na toda.

Cavaco sentiu-se mal

Recuperado, terá dito “então é isto que os portugueses passam há 3 anos”.

10 de Junho, haja poesia

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Enquanto facturava 2500€ Marcelo Rebelo de Sousa choramingava-se ontem porque Dilma Rousseff estava em Portugal e não ia meter os pés em Elvas. Dilma é uma mulher culta e com uma cultura de esquerda. A simples ideia de que a Presidente do Brasil sendo uma mulher culta e com uma cultura de esquerda ia meter os pés nas celebrações do dia do colonialismo arraçado de Camões só lembra a uma Marcelo, e por isso recebe 10000 ao mês, para mentir, debitar propaganda e dizer disparates. Sim, o 10 de Junho é isso, a celebração da escravatura, do genocídio, das páginas mais negras da História de Portugal inventada pelos republicanos no séc. XIX, abençoada por Salazar no seguinte e reciclado em mais gesta embora cada vez menos heróica. Um dia que devia levar mais 14 em cima e aí sim, ser o Dia de Portugal, celebrando o primeiro momento da sua fundação.

Dilma, que veio aos saldos dos CTT, TAP e outros pedaços de Portugal que os migueisvasconcelos meteram à venda ao preço da uva mijona, vai estar presente na entrega do Prémio Camões, onde se celebra o vate pelo que valeu, a poesia e não a épica, e sobretudo a língua e quem a pratica.

Entretanto Nuno Judíce prestou-se à vassalagem da medalha, enquanto Artur Queiroz travestido em Álvaro Domingos (quem te viu e quem te vê) acusa um filho de Herberto Hélder de ser “filho de ninguém“. Grande Herberto, que nunca te prestaste a homenagens, quem se não os poetas para salvarem a honra da pátria.

O cadáver está louco

Parece cada vez mais evidente que Cavaco não reúne condições mentais para continuar a ser Presidente da República. O discurso de hoje, em Elvas é tão desligado da realidade que só pode ser compreensível se o homem estiver mesmo senil. E, a ser assim, resta-lhe ir embora e levar com ele a podridão que está no Governo.

Um discurso virado para a agricultura e umas referências para o sector piscatório, vindo de quem era Primeiro-Ministro nos anos em que mais e pagou para não produzir e se financiou o abate de embarcações, só pode ser indicativo de uma pessoa que não tem noção de coisa alguma. Porque vergonha já sabemos que não tem. [Read more…]

Na Bélgica, já sabem

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Não me interessa minimamente o episódio que tem agitado as águas em Portugal. Contudo, a RTBF deu-lhe importância (18:10 – 19:30), acrescentando, inclusive, uma pitada de humor negro. Sim, porque o momento ilustrado por esta imagem é daquelas coisas que, à primeira vista, até podem ter alguma piada, mas, no fundo, apetece esquecer.

O discurso de António Sampaio Nóvoa no 10 de junho

Um claro erro de casting. É certo que ninguém ouve os discursos no dia 10 de junho, mas este já é um vírus a massacrar os que o convidaram.

«La ostentosa Portugal»

Quero agradecer à nossa leitora Alexandra a informação dada sobre a seleção portuguesa através do seu comentário ao post «Já ganhámos!». Ela escreveu “Desde cá, vê-se assim:…”. Ou seja, como estamos a ser vistos pelos nossos vizinhos espanhóis, também eles em crise e a pedir ajuda internacional.

Alexandra enviou-nos o link para o jornal El País online de ontem, dia do jogo com a Alemanha. Pode ler-se, por exemplo, e tento traduzir: “O conjunto luso hospedou-se no hotel mais caro do torneio, desatando a indignação de um país sumido numa grave crise económica. (…) gastaram o dobro de Espanha, mais austera. (…) Portugal nunca ganhou nada como seleção”. Vale a pena ler a notícia.

No Dia de Portugal, há que refletir sobre este defeito do português: a mania do exibicionismo (ou ostentação). Fica-nos mal. É uma mentira que se conta…

Ontem Foi o Dia da Raça…

Pois foi, esquecia-me!

Estranha gente…

A propósito do 10 de Junho: Como não uso marcadores hoje abri um livro e descobri que há uma citação no início de cada capítulo. Num dos últimos, “A guerra a Ocidente”, Felipe II dizia: Estranha gente, estes portugueses. E não. Não mudámos muito.

Miséria de discursos em discursos da miséria

O sr. Silva, presidente de alguns portugueses, apelou à frugalidade e ao sacrifício. Para dar o exemplo e a partir de agora em Belém só se come sopa e uma sardinha será dividida pelos comensais. Com a sua peculiar memória queixou-se do abandono dos campos e da agricultura. Não se recorda de ter negociado com a na altura CEE esse mesmo abandono, ou daquela fantástica profusão de veículos todo o terreno ter brotado do nada no seu reinado de governante.

Às tropas Cavaco Silva deu o conforto de avisar que mesmo em tempo de vacas muito magras não se pode poupar na segurança. Reparem: segurança, e não defesa. Ficamos pois a saber que para os lados do poder se teme que as polícias não cheguem para conter as ruas.

O político António Barreto disse mal dos políticos. Rotina, portanto. E quer uma revisão constitucional que nos dê governos estáveis, como o proclamam todos os políticos de direita desde 1976. Ou seja: maiorias artificiais, e desprezo pelo voto dos portugueses. Há alturas em que nem sei se o passado de democrata de António Barreto pode ser considerado no presente.

10 de Junho: a medalha de Sócrates

Há quem chame ao 10 de Junho o dia das medalhas. Sócrates também foi medalhado hoje em Castelo Branco, não pelo Presidente da República, mas por populares.

Se, a troco de alguma sanidade, um bom banho de realidade e de confrontação com os sentimentos dos portugueses faz bem a Sócrates, pergunta-se onde estava esta gente quando o ex-primeiro ministro era ainda um “animal feroz” e andava pelo país a distribuir auto-estradas, ventoinhas e barragens? Ou será que só lhe batem depois de vencido?

10 de junho

Esta é a pátria onde Camões morreu de fome e onde todos enchem a barriga de Camões

Almada Negreiros – A Cena do Ódio

Mestre Georges Brassens canta a versão castelhana de La mauvaise Réputation. Quando ouço isto, lembro-me sempre do dia de hoje:

Cuando la fiesta nacional
Yo me quedo en la cama igual,
Que la música militar
Nunca me pudo levantar.

A valsinha das medalhas

Quando chega o 10 de Junh0 , só me lembro desta música. E de como, um dia, até esse vulto do jornalismo português que se chama Leonor Pinhão foi condecorado. E de como, um dia, até eu hei-de ser condecorado.


(peço desculpa pela qualidade do som, mas o meu velho vinil de 1986 já não está para grandes andanças).

A VALSINHA DAS MEDALHAS

Já chegou o dez de Junho, o dia da minha raça
Tocam cornetas na rua, brilham medalhas na praça
Rolam já as merendas, na toalha da parada
Para depois das comendas, e Ordens de Torre e Espada
Na tribuna do galarim, entre veludo e cetim
Toca a banda da marinha, e o povo canta a valsinha

REFRÃO
Encosta o teu peito ao meu, sente a comoção e chora
Ergue o olhar para o céu, que a gente não se vai embora
Quem és tu donde vens, conta-nos lá os teus feitos
Que eu nunca vi pátria assim, pequena e com tantos peitos

Já chegou o dez de Junho, há cerimónia na praça
Há colchas nos varandins, é a Guarda d’Honra que passa
Desfilam entre grinaldas, velhos heróis d’alfinete
Trazem debaixo das fraldas, mais Índias de gabinete
Na tribuna do galarim, entre veludo e cetim
Toca a banda da marinha, e o povo canta a valsinha

Letra: Carlos Tê
Música: Rui Veloso