Três pessoas a fazerem o serviço de dez no Hospital da Figueira da Foz

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A senhora Maria, vamos assim a nomear, tal como milhares de portugueses, precisava de um trabalho remunerado, já que esses onde se troca o suor por uma refeição não pagam as contas no fim do mês, pelo que começou a trabalhar como auxiliar de cozinha no Hospital da Figueira da Foz.

Mesmo precisando do dinheiro, passado uma semana, ou mais exactamente cinco dias, desistiu do emprego porque a sua saúde estava primeiro. Quando entrou ao serviço descobriu que ela e mais outras duas pessoas iriam fazer o serviço que, habitualmente, era assegurado por dez empregadas e que consistia em servir as refeições a todos os doentes do hospital. Depois de dias consecutivos a levantar tabuleiros e outros pesos, sem descanso e em ritmo muito acelerado para cumprir os horários das refeições,  as costas não aguentaram e estava incapaz de se dobrar. Nem querendo seria capaz de levar a comida aos doentes e despedir-se foi o caminho que lhe restou.

Este episódio do país de sucesso, retrato de um SNS onde os cortes chegam até ao fundamental, como Betadine e ligaduras, não teve lugar nos telejornais, apesar destes durarem mais de uma hora e de estarem repletos de fastidiosas “reportagens” de rua, nas quais opiniões avulsas de transeuntes incham de vazio temas sem relevância.

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