Não voto Nuno Crato (I)

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Ensino Artístico

Nuno Crato foi um mau Ministro.

Não me enganei no tempo verbal, apesar de me ter enganado no tempo. Confuso? Eu explico.

Nuno Crato é, ainda hoje, um mau Ministro da Educação. Poderia escrever, péssimo!

Contudo, tenho um desejo muito forte de poder escrever, no dia 5 de outubro, Nuno Crato FOI um mau Ministro da Educação e por isso, caro leitor, este texto é prematuro e nasce um mês antes da data prevista para o aborto parto.

Falta um mês  e não consigo conter mais o silêncio – ficar calado é fazer parte de uma maioria silenciosa que, por demissão, se arrisca a repetir um erro.

E, sobre Nuno Crato, há tanto para escrever, que corremos o risco de tornar o Aventar um blogue de educação, erro que não queremos repetir. Mas, vamos começar por analisar uma das mais  recentes medidas de Nuno Crato e que se prende com o Ensino Artístico (Música, Dança, Visual).

A Constituição da República é clara – no 73º, por exemplo: “O Estado promove a democratização da educação e as demais condições para que a educação, realizada através da escola e de outros meios formativos, contribua para a igualdade de oportunidades, a superação das desigualdades económicas, sociais e culturais.

Pode também ler-se no 78º

” Compete ao Estado

a) Incentivar e assegurar o acesso de todos os cidadãos aos meios e instrumentos de ação cultural, bem como corrigir as assimetrias existentes no país em tal domínio;
b) Apoiar as iniciativas que estimulem a criação individual e coletiva, nas suas múltiplas formas e expressões, e uma maior circulação das obras e dos bens culturais de qualidade;
c) Promover a salvaguarda e a valorização do património cultural, tornando-o elemento vivificador da identidade cultural comum;”

Ora, Nuno Crato resolveu alterar o modelo de financiamento das Escolas Artísticas e, com isso, irá impedir milhares de alunos de acederem ao Ensino Artístico. Ao longo da última década, por todo o país, milhares de jovens tiveram acesso a várias modalidades de ensino (articulado, dedicado, integrado, …) – sim, isso mesmo, os filhos das classes populares tiveram acesso à cultura de forma quase gratuita.

Formam-se, assim, crianças e jovens ao nível musical, quer como músicos, quer como espectadores, isto é, as Escolas de Música são parte fundamental da formação de novos públicos, da criação de mais “consumidores de cultura”

Cortando verbas na casa dos 30%, Nuno Crato, está a cortar esse direito porque as escolas serão obrigadas a instituir propinas que, boa parte das famílias, não pode suportar.

Percebo que Nuno Crato, membro da elite que nos rouba há 40 anos, entenda que isso dos pianos e dos violinos é coisa de rico, mas a Democracia é mais do que votar de 4 em 4 anos.

O ensino da música, pelas características reconhecidas pela investigação das neuro-ciências, estimula áreas fundamentais para o sucesso académico, logo, apoiar as Escolas de Música é promover o sucesso e a excelência nas Escolas Generalistas. E, também por isso, a opção de Nuno Crato é um erro.

E só acontece porque é uma opção ideológica. Cultura e pobre, para essa gente, são duas palavras que só podem aparecer juntas nas funções da empregada de limpeza que vai limpar o São Carlos.

Pelo acesso de todas as crianças e jovens ao Ensino Artístico, dia 4 de outubro, Não voto em Nuno Crato.

#naovotonunocrato

 

 

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